Saber
Assim cantava a cotovia, eu, poeta triste,
ouvia encantado, sem saber o canto certo,
pensava, que sublime melodia,
e o espanto me levou ao som encoberto.
Aproximando-me, para ver a fonte,
vi-a então, a ave de luz divina,
que, ao voar, me deixou em um horizonte,
um deserto árido, onde o sol declina.
Seu canto era uma sinfonia de estrelas,
uma dança etérea em ondas de luz,
que encantou meu ser com notas singelas.
No deserto, onde o sol se esconde e reduz,
permaneci buscando, sob o céu profundo,
a mágica voz que trouxe beleza ao meu mundo.
Evan do Carmo
Na vida, tudo demais quer existir,
mas é preciso saber reverter,
transformar, como arte de ofício,
e buscar o que liberta, que alivia.
Pessoas de vida, pessoas de morte,
uns merecem pérolas, outros não,
como diz o provérbio:
não jogue pérolas aos porcos.
Mas há quem, em sua total apatia,
não mereça poemas, nem flores,
tão imunes ao amor, tão cegos nos desamores,
que não aplaudem, não batem palmas.
Essas pessoas não devem ser tratadas bem,
mas ainda assim, tratamo-las com gentileza,
porque nossa conduta não é deste mundo,
falamos do belo, mostramos o que é puro,
mesmo que o mundo fique mudo.
A minha maldição é ensinar poesia aos brutos,
filosofia aos estúpidos, amor aos indultos.
Amor em forma de indulto, talvez,
não sei, só sei que o gesto de amar
se faz com quem sabe receber.
E quem não sabe, recebe o silêncio.
O Príncipe Que Sabia Demais
Não nasceu para reinar. Nasceu para saber.
Hamlet foi gerado num ventre real, mas com a alma exilada desde o berço. Carregava nos olhos uma pergunta que nem os livros respondiam. Vivia cercado de mármore, mas conversava com sombras.
Quando seu pai morreu, não chorou: escutou. Ouviu passos noturnos nas muralhas, sons que não vinham da terra. O mundo, que já lhe parecia uma peça mal encenada, agora ganhava um novo diretor: o fantasma.
Foi então que tudo se partiu. O trono, o amor, a honra, a razão — tudo virou verbo conjugado em interrogação.
“Ser ou não ser?” — perguntou. Mas essa pergunta já não era dele. Era de todos os homens que pensam antes de agir, de todos os herdeiros do mundo que suspeitam do próprio legado.
Hamlet não é trágico porque hesita. É trágico porque compreende. Ele vê que a justiça é um jogo de máscaras, que o amor pode apodrecer como carne no verão, que a linguagem é um labirinto onde até a verdade se perde.
Amou Ofélia — mas não soube proteger seu amor do apodrecimento geral.
Matou Polônio — como quem atira na parede da própria consciência.
Deu espetáculo diante dos atores — porque sabia que o mundo era palco, e que, para tocar o rei, era preciso fingir loucura.
Mas o fingimento o consumiu.
Hamlet não morreu no duelo. Morreu aos poucos, cada vez que precisou calar sua lucidez para seguir vivendo.
E quando enfim caiu, ferido, com a morte como única certeza, murmurou ao amigo Horácio:
“O resto é silêncio.”
E ali está Hamlet: no intervalo entre a fala e o vazio, entre a dúvida e o gesto.
Não morreu. Transformou-se em espelho.
Todo homem que pensa diante do poder, todo jovem que descobre o apodrecimento sob a ordem, todo filho que escuta a voz do pai morto no fundo da alma — é Hamlet.
Eis-me entre homens, meu irmão,
na angústia e na dor de saber da finitude —
e da inutilidade da vida
quando o assunto é a eternidade.
Amo e odeio essa possibilidade.
Convivo entre homens que, embora tente compreender,
enxergo como fracos:
almas perdidas no labirinto da consciência da morte.
Cegos guiando cegos,
todos buscam entender o que não é possível,
e acima de tudo, tentam encontrar sentido
naquilo que apenas repetem —
como se a crença, por si, salvasse.
Às vezes penso: talvez sejam como eu,
alguém que aprendeu a repetir os erros ancestrais —
a ilusão da crença
de que há algum sentido na morte do homem.
Sobretudo depois de se conhecer a sentença:
“Tu és pó, e ao pó voltarás.”
Me solidarizo com esses homens.
Mas, ao contrário deles,
na maior parte do tempo,
eu nego qualquer sentido ao universo.
Rejeito qualquer ideia cósmica ou estoica de metafísica —
seja a da alma imortal,
seja a da carne eterna,
ou da saturação de algum prazer físico.
Tudo é em vão.
Seguimos como ovelhas para o abate,
e todas as crenças desabam
quando a razão nos assalta,
como um raio que, vez por outra,
ilumina demais.
Nada me inspira mais do que a raiva. Não essa raiva histérica, superficial, que grita sem saber por quê. Falo da raiva que nasce do abuso, da injustiça cotidiana, do silêncio imposto aos que ainda têm alma. A raiva que surge quando vejo gente boa sendo engolida por um sistema que premia a mentira, que endeusa o disfarce, que trata a hipocrisia como virtude social.
A indignação me dá vida. Me acorda. Me empurra pra escrita. Não sou movido a paz interior, nem a frases de autoajuda. O que me move é o desconforto. O que me guia é a vergonha de ver o mundo como está e fingir que está tudo bem. Eu não me adapto, não consigo. E não quero.
Escrever, pra mim, não é florescer: é rasgar. É reagir. É cuspir de volta o que me enfiaram goela abaixo. Minha arte não é gentil — é necessária. É a forma que encontrei de não enlouquecer. Porque se eu me calar, se eu aceitar, se eu sorrir junto, aí sim estarei perdido. A raiva me lembra que estou vivo. A indignação me prova que ainda sinto. E enquanto isso durar, ninguém vai me domesticar.
"Um dos maiores méritos da vida senão o maior, é saber ser ou ter sido o maior amor da vida de alguém.
Vivido ou não vivido, despertar este que é o maior dos sentimentos, é a dádiva manifestada de uma benção que por si só, faz com que qualquer vida valha muito a pena"
Sua voz me faz ir a pensamentos que fogem do meu controle
Quero saber se você comigo
Quer sentir todo esse prazer
Eu te levarei ao que sempre procurou em se satisfazer
Conhecimento é saber que t🍅mate é uma fruta; sabedoria é saber que não se deve colocá-lo em uma vitamina de frutas.
Quando te julgarem sem saber da sua história, lembre-se: sua verdade não precisa de plateia. Precisa de paz.
A dor que mais dói... é aquela de saber que por detrás do sofrimento de muitas pessoas... existem muitas outras que vivem na felicidade...!
O sucesso nasce do saber o que se quer; Cresce com foco; Amadurece com resiliência; Se mantém com Determinação e Humildade.
Não me conte tudo.
Eu não quero saber do seu tudo.
Nem onde, nem com quem estava.
Me conte do seu silêncio.
Me fale das suas ausências de si mesmo.
Das vezes que fugiu e ainda não voltou.
Se eu quisesse sanidade, casava comigo.
Mas eu quero o laço invisível, o imperfeito, o distorcido.
Quero olhar e não ver ninguém.
Quero descobrir quem pode estar aí.
Seus pecados, seus defeitos, não me interessam.
Muito menos ainda suas qualidades.
Quero uma argila nova, que produza um ser novo
Que traga todas as promessas impossíveis que possa haver
Que seja tudo aquilo em que não se possa acreditar.
Meire Moreira
