Rua
MOTORISTA DA LUA
É na rua que eu lhe vejo
sem-sentido mulher de avessos,
olhando a história do céu
você lembraria
do tempo que rebeldia
passava perto nossos caminhos.
Quando andávamos na lama
saber o percurso do sol fazia
a gente acreditar os ninhos
dos deuses estavam a ponto de cair
as leis do mundo seriam pregadas
por nossas mãos livres de correntes
e nem de longe suspeitávamos um do outro,
éramos viajantes e a estrada nosso espelho sem imagem
Tão fortes as certezas que o vento era nosso aliado,
tão fortes as certezas que a chuva regava nossas sementes,
tão longos os caminhos - nossos carros sempre a sair,
mas logo o mundo ficou real os caminhos eram sem rumo.
Quando você me vir de novo
saiba que eu sou outro,
enraizado ao caminho errado
ando pelas ruas rasgado de frio
e não reconheço ninguém,
quando paro na estrada
é para ver que o tempo
me fez esquecer de mim,
guiar sob os mistérios da lua
é o destino dos perdidos
vou embora, sou dos viajantes
o que se despede dos sonhos
lavando o rosto no rio ao luar
a verdade crua
quando é dia sou apenas pó
de noite motorista da lua
As vezes é melhor ouvir os cachorros na rua latindo do que dar ouvidos a alguns seres humanos fazendo o que eles fazem nas calçadas.
Sonha com um Apocalipse mas nunca precisou dormir na rua , nunca ficou um dia sem comer , nem meio dia sem água e muito menos matou alguém .
Te vi caminhando pela rua,
veio ao meu encontro,
primeiro o teu sorriso,
engrandecido pela brandura.
Carrego comigo a lembrança
daquele dia,
e faço daquele momento,
a eternidade em sentimento.
Ainda que sejas efêmero,
lembro dele com o carinho
de quem não vê passar o tempo.
As vezes......me pego chorando na rua, no shopping, no banheiro poxa dói, mais faça como eu, tente pensar no positivo e melhor ainda EM CRISTO NOSSO SENHOR.
Voando na vida,
Viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças.
Se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Viver a vida, voando no tempo.
Com quantos anos eu viveria?
"A rua não é a mesma, batizada com sangue está.
Respeito aqui pra muitos é dinheiro e tem que ostentar, A paz não é um sonho, mas é sonho de muitos aqui. Liberdade é sonho de quem sonha ao menos sorrir".
Quer ter uma noite tranquila sem vozes falando na sua cabeça ,experimente dormir na rua ,como é bom .Agora sim encontrei a verdadeira paz ,não ligue para bens materiais,pq no fundo não valem nada.
Ás vezes estamos passando na rua, e Deus nos olha nos olhos, enquanto a gente se pergunta se á resposta pra tudo na vida.
Só porque você gosta de branco, faz trabalhos voluntários, ajuda todo e qualquer morador de rua e eu sou todo do avesso e não combino em quase nada com você, não quer dizer que não possamos ser felizes juntos.
É muito bom quando alguém abre a porta para você passar. Dá um sorriso quando passa por você na rua. Diz bom dia ou boa tarde sem lhe conhecer. Existe uma luz que abre os portais da paz, quando a gentileza é presente.
Espero que tenha feito a sua casa... A casa mais linda dessa rua. Que tenha colocado terra suficiente para sua casa amanhã ou depois não correr o risco de desabar, ou alaga. Que tenha feito uma fundação perfeita, pois sua casa precisa de uma "raiz" forte para se manter em pé! Que as vigas de piso esteja bem feita, e a alvenaria esteja tudo ok, para você poder colocar a sua laje. E que tenha feito ótimas instalações, e que o seu tanque não te deixe na mão, que nunca lhe deixe faltar água. Espero que tenha feito uma boa entrada para sua casa com um lindo jardim, e as pilastras que ficam ali na frente não seja as primeiras a caírem no chão... Quando a bomba explodir!
Se eu tivesse tomado um atalho, uma rua estreita qualquer, que tipo de pessoa eu teria me tornado? Não sei. Mas gostaria muito de saber. Passo nas ruas e vejo todas as pessoas que eu poderia ter sido e não fui.
FOLHETIM
Poesia
Quem és tu?
Que não és minha
Poesia
Vejo-me na rua
Vejo-te na lua
Poesia
Devora as folhas brancas
Sobe nas tamancas
Poesia
Teu corpo poema é música
Teu poema corpo é dança
Poesia, poesia, poesia...
Quem sou eu?
Sem você no dia-a-dia...
Se o Vem vamos prá rua, não conseguir nos despertar,vamos passar mais cem anos cantando Eu quero tchú..Eu quero tchá!
CRôNICA DE UMA PASSEATA
Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjoo? Posso, sem armas, revoltar-me? Preso à minha classe vou pela rua sem pensar nesses versos de Drummond. Não estou só, vou bem acompanhado. Se não posso me despir das minhas roupas, trato de me despir do pronome singular. Vamos pela rua aos milhares, às dezenas ou centenas de milhares, não sabemos quantos somos. Vamos a passo lento, entoando cantos esparsos, escassas palavras de ordem, entregando-nos por vezes a um silêncio involuntário, carregado de indizíveis vontades. À minha frente, uma imensidade de dorsos se funde numa massa amorfa cujo início me foge aos olhos. Às minhas costas, cartazes e faixas atravessam a paisagem e não se adivinha onde a turba pode acabar. Noto que o silêncio me devolveu a mim, me distanciou da coletividade. Só quando um grupo grita que tomamos as principais avenidas de São Paulo, que ocupamos o centro do Rio, só quando ouço esses alardes eufóricos me dou conta de que formamos um único e enorme corpo, um corpo que parou o país.
TEMPOS DE RUA
Nesta semana, meu filho Gabriel, 18, me telefonou informando que estava organizando os amigos da universidade para uma manifestação em Macapá. Empolgado, ele me contava da expectativa de a passeata "bombar" e do ânimo da sua geração na rua. Não resisti e, segurando as lágrimas, respondi: "Menino, aguardei 20 anos para que a sua geração chegasse, ainda bem que esperei". Reportava-me aos episódios do ano de 1992. Ainda estava engatinhando a mobilização para retirar Fernando Collor de Mello da Presidência da República, e eu estudava na Universidade Federal do Amapá. Eu, com outros estudantes, lutava para retirar do cargo a reitora da universidade, devido a posturas profundamente autoritárias. Após a primeira manifestação contra a reitora, o vice declarou: "Estes meninos estão malucos, querem tirar a reitora. Daqui a pouco vão achar que podem tirar o presidente". Paralelamente às mobilizações contra a reitoria, caminhava a luta pelo impeachment aprovada no 42º Congresso da UNE, ocorrido em Niterói no julho anterior. Em 29 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment de Collor.
