Rua
O encontro no perdido
Na esquina, dois lados da rua, dois destinos se perderam. Andar feminino, pés descalços, lágrimas no rosto. Olha o vulto masculino, sem destino, arcado, o frio do vento suprime suas dores. O asfalto devolve seus sonhos.
Chove em Porto Alegre
Dia de chuva, nuvens de chumbo,
A dança dos guarda-chuvas na rua.
As pessoas caminhando apressadas,
Sem querer se molhar...
Cuidado a poça menina,
Das árvores caem pingos,
E ainda por cima,
O descuidado motorista do ônibus que passa,
Encharcando os desavisados pedestres...
Vou colocar botas de chuva vermelhas,
E usar uma sombrinha laranja,
Para alegrar um pouco este dia...
"Ontem eu saí pra rua.Quiz ver um comêta que ia passar.O comêta passou e eu ví, que ele era voce disfarçado de brilho".
Se apaixonar é como andar pelo meio da rua com uma venda, sempre existe a chance de você chegar do outro lado mas provavelmente você vai ser atropelado.
Simplesmente
"Hoje, mesmo que chova, vou sair sem guarda-chuva.
Andar sem rumo na rua.
Vou pular nas poças d´água.
Hoje, quero distância das calçadas.
Vou despreocupar-me de tudo.
E que a chuva derube todos os muros.
Vou tirar todos os agasalhos.
Só quero aquilo que é necessário.
E hoje, só necessito de chuva."
Em relação ao decreto que proibe a circulação de jovens à noite na rua feita pelo o juiz é aplaudível.Na realidade,a família deveria exercer o poder de controle social dos seus filhos,ensinando os padrões a serem seguidos,regras.Todavia,isso não acontece,ficando assim o Estado com todo o direito de controlar o padrão cultural dos menores.Várias pessoas acham essa medida extrema,dizendo basearem no Estatuto da Criança e do Adolescente,onde no Art. 15. afirma : A criança e o adolescente têm direito à liberdade [...].Devemos entender o que significa LIBERDADE, a essência da palavra. Referindo-se aos adolescentes e crianças,liberdade não é está de madrugada tomando cervejas em um bar.
O Final do que nem começou
Sou uma rua
Esquecida pelos governos
Sem árvores , sem asfalto , sem luz , sem nada
Sou um barco, abandonado ao léu
Sem amarras, sem âncora nem proa
Nem velas a serem içadas
Sou um espelho embolorado
Úmido e velho, quebrado
Ninguém, nem nada reflete em mim
Sou uma casa vazia
Sem tapete peludo e vermelho
Sem vaso de flôr na porta entrada
Sem familia dentro dando risada
Sou um livro velho , antigo... Empoeirado , sem capa, largado
Desordenado, páginas rasgadas
Sem marcador a despencar na estante...
Abra-me e você vai ler uma história que não começou
E brutalmente se acabou...
"Sempre me diziam para não jogar lixo na rua,
só entendi o mal que aquilo fazia quando em um dia chuvoso liguei a Tv para assistir o meu programa preferido e vi que ele tinha sido cancelado e substituido para que pudessem mostrar o estrago que o lixo acumulado na rua fazia ... senti raiva de mim mesma"
Se algum dia me vires na rua, por mais infeliz que esteja, diz-me "Olá" . Eu terei todo o gosto em sorrir para um novo amigo .
Caixinha de Música
Ele passava por aquela rua todos os dias
Conhecia todas aquelas vitrines e nada mudara
Até o dia em que algo na loja de relíquias lhe chamou a atenção
Estava uma caixinha dessas de música aberta, parecia nova
E sua linda melodia acompanhava a encantadora bailarina
Ela rodopiava levemente vestida de branco
Encantado, perguntou ao dono quanto custava
O velho atento ao deslumbramento do rapaz resolveu presenteá-lo
Surpreso, o rapaz agradeceu e imediatamente levou o objeto pra casa
Chegando em seu quarto, deu corda na caixinha e pôs de pé a bailarina
Ficou durante minutos observando e escutando
Encontrou então uma imensa paz, que a muito não sentia
Ele a deixou em cima da estante para tê-la sempre perto de si
Bastava abrir sua caixinha para assistir um espetáculo particular
Foi assim durante muito tempo, até achar que tudo aquilo era sempre igual
A mesma coreografia, a mesma música, que sempre levara ao sono
Resolveu deixá-la ali mesmo, na estante, lhe servia como mera decoração
Antes de dormir olhava o relógio e ao lado, a caixinha permanecia fechada
Ele sabia que a bailarina ficaria la, só não sabia em que ela podia se transformar
Certo dia, ao sentir-se triste resolveu abrir a caixinha de música
Ela estava empoeirada, a bailarina totalmente sem brilho, sem cor
Após dar corda, ouviu uma música rouca, quase silenciosa
Pode então perceber como aquele velho objeto que nada lhe custara tinha valor
Já era tarde e nada podia fazer, toda a beleza esvaiu-se
Logo que amanheceu, voltou à loja de relíquias
Implorou ao velho que restaurasse o presente que lhe dera meses atrás
O dono da loja encheu-se de melancolia ao ver a bailarina
Em seguida disse que o objeto havia sofridos sérios danos
Tentaria concerte-lo, mas, demoraria certo tempo
Além de tudo, não podia garantir que ela voltaria ao seu estado de antes
Talvez não recuperasse as cores, a melodia, o brilho, os movimentos
Ao retornar à casa, encontrou pousando sobre a estante, a culpa, a saudade
Desde então ele segue pelas mesmas ruas e sempre pára em frente a loja de relíquias
Na esperança de um dia encontrar novamente sua bailarina, rodopiando como na primeira vez que a viu.
Na rua escura a vagar choro só de lembrar
Sua ausencia me faz sofrer
Nas ruas da solidão
Sinto largadas no chão
Suas palavras de amor!
Meu coração a sangrar
Minha boca a calar
Sinto agora que perdi
Agora não consigo mais crer
Que um dia amei voce!
