Rompendo Lacos-Carlos Drumond de Andrade
Seu retorno é resultado do que você empresta, dá, oferece e se esforça. Seus atos e pensamentos acontecem em mão dupla: você recebe o que dá.
Se alguém impedir sua passagem pela porta, procure outra passagem. Lembre-se: quando a água encontra obstáculos à sua frente, não cria resistência. Procura outra saída.
O amanhã será incerto se você semear dúvidas. Comece a dar sentido à sua vida. Faça tudo por amor. Comece a trilhar um caminho que o leve a viver em paz, praticando a caridade.
Lembre-se: na vida, tudo tem sua hora, seu dia. Não se apresse, faça tudo com calma. Tenha em mente que o importante é você saber o que está fazendo, sem prejudicar ninguém. O sucesso chegará sem você sentir.
Jamais pare de caminhar, embora, às vezes, o caminho possa parecer sem fim. O importante é nunca esmorecer.
Precisamos de um orientador que nos ensine a trilhar os caminhos do bem. Faça sua escolha e aproveite as coisas belas da vida.
Não espere ter vontade para começar a realizar algo em sua vida. Inicie fazendo alguma coisa e logo chegará o desejo.
Entrelinhas
Meu refúgio é escrever, sei chorar não é o bastante, ponho-me então a rabiscar.
Minhas horas são cruéis, os meus dias tão penosos, passam lentos, vagarosos, posso até a cor contar.
As lembranças me invadem, meu sentir me faz penar, pouco a pouco me recordo dos momentos lindos todos, que contigo segredei.
Olhos vêem a minha falta, me perguntam quem sou eu, logo sentem a saudade de alguém que em mim nasceu.
Minha face amarga e triste me entrega aos homens maus, me retratam de alma pobre, por amar o natural.
Se me nota logo a vista, que dizer do meu lugar, minha cama, meu sossego, meu colchão, meu lamentar.
Tem o cheiro da tristeza que comovem até os anjos, todos ficam assombrados, tantos gritos de socorro, voz alguma ouve ao lado, ninguém pode me ouvir.
Quem me pode ajudar? Meu socorro há de vir.
Cada linha rabiscada, cada letra torta e feia, diz de mim, do meu tormento, me entrega aos malfeitores, dos que odeiam sentimentos.
As palavras me denunciam me definham, me envolvem, me deparo com a arma, que me mata, me devolve.
Não adianta mais mover, não me deixa encontrar-me, o meu ego, minha falta, sou do medo, sou do nada, sou as letras, entrelinhas, vagarosas mal lembradas.
Érwelley C. de Andrade ALB/DF.
...E eu, quem sou?
Pra onde vou, porque restou de um grande amor, tamanho horror?
Sim meu senhor, não sou ninguém, sou nada além, de um perdedor.
Por onde vou, porque sangrou meu coração, por tal lembrança, por esta herança de solidão?
Não sei dizer, se sou o amor, quem sabe a dor, de maquinar, a ilusão.
E eu, quem sou?
Deitado aqui, nas folhas secas, em frente o lago, sentindo frio.
Serpente escura, anjo de luz, fagulha e cruz, um arrepio.
Por quantos sou, se sou por quem, sou nada além, do ar sem som.
Planejo ver, me ouço ler, começo a ir, convoco o dom.
A brisa grita, meu olho irrita, me faz chorar, meu céu se esconde, a alma invade,
meu caminhar.
E eu, quem sou?
Sou vida e morte, a sina, o corte, ferida aberta, a maldição.
Conciso e seco, repleto e oco, refém do medo, do coração.
Refaço o mapa, revejo as falas, a conclusão!
Foi planejado! Fui rabiscado, e não nascido, fui iludido pensando ser... Sofreguidão.
Eu,
Falo porque sei dizer, digo por que sei fazer,
Faço porque sei andar, ando porque vou chegar.
Chego à beira do mar, nado sem saber nadar,
Grito até Deus me olhar, oro pra Ele me escutar.
Ouço o que o mundo diz, vivo tentando infeliz,
Rio, pois já sei chorar, choro, pois já sei sangrar.
Corto minha dor em ódio, amo porque sei amar,
Peço pra me libertar, prendo pra me apaixonar.
Queimo de paixão doente, morro de tanto sonhar,
Sonho virou pesadelo, susto corro atrás do espelho.
Vejo o meu rosto triste, penso como posso vê-lo,
Peço, não se vingue mágoa. Não! Não quero mais chorar!
Escrevo tudo na calçada, piso só pra esmagar.
Caio me levanto limpo, firme pra continuar...
