Riso
Seu riso me chegou tão solto, tão leve, que mais parecia o bater de asas de um beija-flor, voando livre pelo infinito azul do céu.
Agudíssimo
inútil consultar o tarô
ou o dentista
sempre haverá esta pinça
no riso
um Louco diante do abismo
uma broca estridente
reverberando você distante
você além do alcance
do google maps
você entre carnes e arcanos
com celular sem conexão
enquanto a dor fica intolerável
enquanto seguro suas fotos
de encontro ao coração
como eletrodos
enquanto sinto
que me arrancam os nervos
todos
Empresta só um instante do teu riso e um pouco do calor do teu abraço. Assim, envolvida por um pouco do que é teu, misturo minha alegria com a tua vontade de ser feliz e posso me entregar inteira.
Permita que eu seja feliz
Permita está sempre contigo.
Prometo arrancar e teu riso
De domingo a domingo
Não sei por que insisto
Sei que esse teu riso
Possui um motivo
Que infelizmente não sou eu...
[...]
No fundo sei, mas disfarço
Sou aquele velho perdido
Sonhador nato.
Aquele que nunca desiste
Que cansa, mas persiste
Enfim, o louco poeta apaixonado.
Repita a dose de amor, prazer e riso...
E deixe a felicidade e alegria despida.
O resto é detalhes, perda de tempo...
É perda de vida!
Candura
Se a palavra mais crua
se rendesse à doçura
e o riso fosse terno
e a candura a melodia
se a esperança fosse a sina
e o abraço imaculado
o único interesse, de fato
então haveria a sutileza
no riso infeliz, a beleza
em cada novo olhar a certeza
de haver só sentimento casto
Meu riso frouxo...
Um sorriso bobo, frouxo...
Por que será que eu fico assim?
Não sei! Mas é o que você causa em mim...
“Sempre acho um colírio, uma coisa de delírio seu riso seu olhar.
Me perco na sua íris, a vida fica um arco-íris e me perco a desconcertar
Você em tudo é feitiço, só queria pra inicio, te fazer arrepiar.”
A vibração do riso é uma massagem para o corpo. Por isso ri e não precisas de ir muito longe, ri de ti mesmo.
Com um jeito bonito e acanhado
é um riso tímido que encanta
muito mais do que eu havia sonhado
meu coração transborda e canta.
Pele clara, um cheiro cobiçante
seus cabelos, minha morada
entre meus dedos, és viajante
fito, apalpo, poeira dourada.
Penso, que me absorves no peito?
olhar, simples no lugar a que foi feito
uma selva primorosa para o leão
uma música fabulosa para o refrão.
Linda, seus passos e sombra pela rua
vida, sol e lua, se encantam ao ver
flores, um perfume, presença sempre sua
sem ar, tortura, meus sentidos vou manter.
(Riso - Denis Santana - 2015)
Ela no "meu" "eu", dela.
O grande abuso emocional está naquele pequeno riso com brilho nos olhos,
Provocado por ela,
Ao olhar para ela,
Pelo que na minha mente fiz dela,
Pela vontade incessante que tenho nela,
O abuso é ela no “eu dela’’,
O emocional se consiste nela no “meu eu”
E o sorriso é,
Pelo que era eu
Pelo que era meu,
Pelo que era o meu eu,
Ela pelo meu próprio eu, fez seu.
Agora o que é meu
Por vontade é dela,
Continua tão eu,
Que não vive sem ela.
Ela tem uma leveza na alma, uma enorme pureza e inocência no olhar e uma insana doçura naquele riso de menina mulher.
Confesso sou dono de um humor variável. Não trago aquele sorriso caricato, nem finjo aquele riso. Vivo de dramas e não escondo minha tempestiva ansiedade. Um tanto indeciso e sonhador. Um idealizador nato. Perfeccionista? Não, simplista até demais. Orgulhoso? Nem tanto. Não ostento tesouros. O simples me encanta. Vivo com o pouco que tenho. Sou dono de um egoísmo exageradamente minúsculo por luxurias. Um tanto complicado e difícil de entender. Vivo entre o amor e o ódio, mas no fundo, bem no fundo desse ódio, talvez habite um big amor reprimido. Não esbanjo simpatia. Reservo-me a ser empático sob medida. Nem mais, nem menos. Por vezes, só quero criar muros ao meu redor e viver o meu doce silêncio. Em outras, busco algo; um olhar, um riso, um passo, um abraço. Talvez, uma palavra que me resgate de minhas insanas fantasias. Alguém que segure firme minha mão e me diga: “Eu estou aqui. Não tenha medo. Tudo vai passar. Tudo passa. Eu passei! Você também vai passar”!
