Retrato
Vejo no corredor mais um retrato distorcido "Então éisso o que você vê?"
As famílias são destruídas por deuses de olhos negros que tomam o seu corpo como o ar frio que passa para os seus pulmões e retorna quente.
Me perdoe! "PERDOAR?"
O que eu fiz pra sujar minhas mãos de vermelho?
Não.
Eu não...Pequei.
RETRATO ANTIGO
Quem é esta, amarelada
com este olhar distante
que me olha camarada
pra minha saudade dante?
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro de 2017
Cerrado goiano
Paráfrase Helena Kolody
o tempo
ah... o tempo, insensível e ingrato, ao passar
ao ver na parede um retrato, e recordar,
alguns anos atrás,
ver você junto aos seus pais,
felizes de graça,
com abraços e sorrisos em uma praça,
lembranças boas em fim,
mostra-nos que o tempo, nem sempre e ruim,
com o tempo, um namoro de momento,
se transforma em casamento,
e duas famílias viram uma, simplesmente,
com o tempo, se cura até um doente,
ou chega ao fim um grande flagelo,
com o tempo, pode até se fazer um castelo,
com o tempo, também se faz bons amigos,
com o tempo virá as tristezas, más também muitos sorrisos,
com o tempo, aprendemos que e caindo que se levanta,
que até mesmo uma sementinha, com o tempo vira planta,
percebi então que o tempo, nos assusta e nos ensina,
que o próprio passar do tempo, talvez seja nossa sina.
E na parede do meu quarto ainda está o seu retrato.
Obsessão
Impertinente pensamento sua figura
Em vão procuro esquecê-la. E seu retrato
Há muito tempo o queimei com amargura
Pensando livrar-me desse *desiderato
A alucinada visão de sua silhueta
Em minha mente é constante, interminável
Parece ter o poder monstruoso do capeta
Sua figura a todo instante é infindável
Ah! Certamente devo estar a delirar
Ou talvez no limite das *assimetrias
Que na verdade, não sei onde albergar
E nada no mundo preenche este vazio
Que gravou na mente sua fisionomia
Cuja obsessão, mais parecer um desvario !
• Aquilo que se deseja; que se aspira
** fig. Desarmonias de certas funções
São Paulo, 18/02/2013
Armando A. C. Garcia
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Flor amarela...
A uva passa, a rosa murcha, o retrato amassa, o vidro quebra, o papel queima, e a flor amarela, sempre viva... viva ela!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Junho de 2020, Triângulo Mineiro
Sertão da Farinha Podre.
Eu vi um retrato seu
E percebi que ainda gosto de você...
E o retrato está em algum lugar nas minhas coisas...
Ainda sinto o seu cheiro...
É estranho, saber que você existe
Mais que eu não posso te tocar...
Você foi tirado de mim tão cedo...
Eu vi meu verão virar inverno
Quando você se foi...
Lembro de cada beijo
Tentei encontrar alguém que substitui-se você
Mais o amor que eu sinto é maior
Do que eu imaginava
Lembro das coisas que você dizia
Quem diria que hoje nada mais
Existiria...
Noites de lembranças...
Seu retrato está no meu quarto
Mais eu preciso de bem mais que uma foto sua
Sorrindo, pra eu sorrir também...
Eu sei que um dia eu vou te encontrar..
Mais temo que esse dia seja tarde demais...
Eu sei que o amor que senti por você
Foi verdade...
E se hoje choro é por saudade...
Não sei se você está bem..
Não queria você assim tão longe de mim...
Eu vi hoje dia você em uma rua
Mais eu sabia que não era verdade
Eu sonhei com você
E nesse sonho você me abraçava
Eu queria que esse ano inteiro
Fosse um pesadelo
E que você ainda tivesse aqui
Comigo pra dizer de novo TE AMO
“I MISS YOU LOVE”
A rosa murcha, o retrato amarela, o vidro quebra, o papel queima, mas a lembrança e o carinho ficam para sempre.
Queria saber desenhar para poder
ter o seu retrato sempre comigo.
Queria ser poeta para lhe escrever os mais belos versos.
Desejaria ser músico e então
lhe cantaria a mais bela cançao.
Mas não sou...
Mesmo assim esboços desenhos de
nossa futura vida.
Tento escrever algo que lhe cause alguma emoção.
E mesmo com a voz desafinada,
canto tudo o que sinto por ti!
NUNCA TE VI ,SEMPRE TE AMEI.
Seu retrato era exato
Meu olhar abstrato
A conseqüência de um ato
Lembrar de ti era um fato
Que eu não sabia que existia.
Um rosto familiar
Uma beleza peculiar
Meu coração a acelerar
A impressão de que em algum lugar
Nossos corpos se encontraram.
Uma Alegria inexplicável
Uma sensação incomparável
Uma saudade infindável
Um amor inacreditável
Que despertava dentro de mim.
Te amo sem te ver
Sou seu sem te ter
Te espero sem saber
Se precisarei morrer
Para renascer em teus braços.
"Sou o que se pode chamar um nome. Indescritível. Um baixo retrato. Um pai, um filho, um espírito. Nunca um santo."
A glamorização do álcool em nossa cultura é o retrato de uma juventude não crítica e uma sociedade hipócrita.
Vai, fala, continua co'as palavras, continua o teu retrato, mas vem depois pra ver daqui a tua cara...
RETRATO DE CURITIBA
Minha amada, gelada, cinza e nublada,
de inverno com o céu azul translúcido,
outros muitos bruscamente escurecidos,
o sol tímido algumas vezes brilha aqui.
Queridinha do vampiro e polaquinha,
do Poty, da Elena Kolody e Leminski.
da “vina”, do“penal” do “piá” e Au Au.
Tem o Pierogi do Tadeu e tem Cini,
a cocada do Bomfati, a rua Teffé.
da Boca Maldita e o chique do Batel.
Sorriso e cores, flores no calçadão
Suas Torres, palácios e casarões.
tem também a feirinha do Poeta.
A Curitiba de natais inesquecíveis,
musicais, teatros, do antigo e do novo.
Aqui tem Gralha Azul, pinheiros, pinhão
Domingo no Tangua, Tingui e no Barigui.
Porque é linda e Santa a Felicidade,
hoje eu te envolvo com meu abraço
Curitiba, é muito bom viver aqui !
Esse é o retrato de uma sociedade perversa e cruel, cada vez mais perdida no sentido da moralidade e do respeito a vida humana..hj se trata os cachorros com mais dignidade que aos seres humanos, se inverteram a ordem das coisas, hj se valoriza o ter e não o ser !!! infelizmente as pessoas não tem mais noção e nem limites...as pessoas de bem devem sim se indignar com tais atitudes, mais bem mais importante que isso é não propagar esse tipo de acontecimento...pois tudo vem do exemplo tudo serve de estimulo pra coisas piores a humanidade esta cada vez mais atolada numa lama, onde as coisas ruins proliferam como ervas daninhas...vamos levar as coisas do bem aos olhos das pessoas e mostrar o lado bom da vida...o mal nunca deve se opor ao bem !!!
Mais um retrato da vida
Já passava das 22 horas e eles ainda estavam lá, sujos, maltrapilhos. Um, mais esperto que o outro, devia ser o mais velho. Uns dois anos de diferença, possivelmente. O outro, mais cansado, entretanto não com menos necessidade, buscava encontrar forças naquele a quem tinha como protetor. Com eles, só a esperança de concluir o trabalho: vender os latões vazios de margarina ou manteiga que ainda restavam sobre a carroça velha, puxada por um animal não menos faminto e cansado.
Podia-se perceber entre eles uma cumplicidade familiar. Aquele, o primeiro, protegia o menor como que se o quisesse livrar das amarguras do pesado serviço. Fez um sinal para que se deitasse em seu colo, mas teve seu pedido negado. Seria menos forte aquele que primeiro se entregasse ao cansaço.
Eram eles, duas crianças apenas, um com dez, aproximadamente, e outro com possíveis oito anos. Vinham famintos pela avenida, sendo constantemente ameaçados pela estupidez dos motoristas que por ali passavam, fervorosos por chegarem em suas casas e se deitarem nos lençóis macios e quentes, desejo esse que os impedia talvez de ver essa discreta crueldade pueril. Os pais? Não foram flagrados. Deviam estar em casa cuidando ainda da dúzia de filhos que tentavam colocar para dormir. Não tinham tempo. Precisavam dessa ajuda.
Eles iriam dormir? Sim, é certo que iriam, tão certo quanto não daria tempo de chegar em casa para relaxar. Mas... Já estão acostumados, afinal, a dormir num lugar amplo e livre - inseguro e desconfortável, é verdade -, que acolhe qualquer um que precise, sem distinção. Se já tiveram, em várias noites, o frio por companhia, nessa noite não haveriam de estranhar. Afinal, para que servem também os jornais? Melhor, porque amanhã não precisaram, ainda, vestir-se para o trabalho. Acordaram prontos, arrumados.
O interessante nisso tudo é que entre esses dois jovens trabalhadores, negros e pobres, havia algo de mágico, algo capaz de mover céus e terra e tornar a todos mais humanos e fraternos. Entre eles podia-se ver cumplicidade. Entre eles podia-se ver amor.
