Renascer Carlos Drummon de Andrade
LOS COJONES DE SALVADOR DALI
(tradução rápida: Os colhões de Salvador Dali)
Ele desenhava, pintava
E fotografava,
Esculpia
Sem esquadria
No cubismo, dadaísmo
Num surrealismo
Que arrepia.
E quando a musa obtusa
Mas sempre difusa
O inspirava,
Ele o bigode retorcia
Como um bode que está com cio
E perde o pio
De uma assentada.
Ele pintava relógios derretidos
Nos tempos cerzidos
Pelas sua memórias.
Neste desfiar de vanglórias
Lembro-me de alguém que pintou
Em telas por demais inglórias
Aquilo que ele mais amou -
Os cojones, os seus colhões
Ao dependuro.
E com razão e sentidos no duro,
Esse pintor de tomates
Espécie de Bonifrates -
Sou eu!
Fui eu!
(Carlos de Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 02-10-2024)
QUANDO VIERES TRAZ-ME SAUDADES
Quando vieres,
Se vieres
E quiseres,
Ó minha amada,
Traz-me uma coisa de nada...
Sabes que sou como o tronco
De uma árvore a apodrecer,
Inexoravelmente,
Implacavelmente
A sumir-se num ronco,
Que dá dó de se ver.
Ó minha idolatrada,
Desgastada
E dolorosa amiga,
Revela quem me castiga
Este lombo carcomido
Desta árvore corpo esvaído,
Sem saudades já de nada
Nesta vida desditada.
Ó amor desta emoção,
Ó minha ténue inspiração,
Quando vieres e quiseres,
Traz um coro de mulheres
Vestidas de branco ou negro
Que te satisfaçam o ego,
Encostadinhas a ti
E trazei-me saudades,
Sem vaidades,
Que até isso eu perdi.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 08-10-2024)
JURAMENTO AINDA O PRIMEIRO ( 1 )
Que me interessa ter abandonado
A vida ágria, corrosiva, pustulenta,
Se na verdade a minha fiel tormenta
O dó ré mi dum fá sem sol, é meu fado.
Eu, velho decrépito, desventurado,
Firmo na pena da água benta escrito,
O juramento deste ser proscrito,
Em nome do pai e do filho castrado.
Juro, Castro, a quem pediram pró morto
Infeliz pequenino recém-nascido,
Fruto de um amor que já nasceu torto,
Uns versinhos na lápide do ser já ido.
Angustiado, sem inspiração, fiquei retido
Se havia de escrevinhar ao casto ou doloso,
Mas eis que uma voz me gritou ao ouvido:
Escreve a verdade pura, dura e sem gozo.
E eu então, amante da pureza, escrevi:
"Aqui jaz um recém-nascido
Que jamais a luz do dia viu,
Filho de pai desconhecido
E da dama que o pariu."
..................................................................
(Já passaram quarenta e mais anos e na lápide fria da campa do infeliz inocente, encoberta, por silvas, sem a luz do sol, continua gravada, teimosamente, esta dolorosa quadra minha, que já mal se lê... mas que eu sei de cor e salteado até ao fim da minha existência...)
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 16-10-2024)
Quando começamos a crescer, queremos sofregamente crescer, crescer até obter o estatuto de maioridade.
Que obtuso dilema, que terrível contradição é esta, quando chegados à idade da cor castanha da vida, temos aquele saudoso e inatingível desejo de querer regressar à era em que éramos inocentes, crianças na sua plenitude poética.
Comos somos uns ridículos cataventos - pobres seres, mortais.
RESISTÊNCIAS sei lá quantas já escrevi
Resisto,
Porque quero
E não por acaso mero,
Porque sou tão teimoso
Que até as pedras da rua
Quando me sentem mancando
Pelas dores negras e cruas
Que me vão martirizando,
E mostrando que nada valho,
Dizem em jeito jocoso:
- Que resistente bandalho!
Resisti,
A promessas de riquezas vãs,
Prometidas por gentalhas
Canalhas, com olhos de rãs;
Seres avaros, repugnantes
Com cartões de governantes,
Sei lá por graça de quem
Foi o santo que os pôs na cripta
De donos de tantas parvónias
Que mencioná-las irrita
E revolta até também
Algumas orquestras sinfónicas.
Continuo a resistir,
Ao meu relógio sem horas
Porque só me traz a desoras,
Sem saber que mal lhe fiz,
As notícias mais pandoras
Deste meu ledo País.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 17-11-2024)
QUIÇÁ TALVEZ PORVENTURA EU FORA DAS REDUNDÂNCIAS PLEONÁSTICAS OU O MESMO DO IGUAL SEMPRE
Será que vim das profundezas
Das rochas eruptivas magmáticas
Nos subsolos de seres estranhos
Encobertos em caras de putos
Com máscaras carnavalescas
Em poesias de rachas quentes, porém
Sem rima, mas sempre frescas.
Rimou uma, acaso meu, sem certeza
Se nasci em Marte ou nas Áticas
Das civilizações helénicas dos espertos.
Nasceria eu na Ásia dos Sete Mares
Das mil e uma noites dos pensares
Quando Sinbad, o marujo, por ali ferreava!?...
Tudo mentira, porque eu nasci aqui,
Na Chamusca de Argoncilhe,
no Bairro Pobre da Ilha das Canárias,
Da Feira de Santa Maria.
Minha parteira da miséria, particular,
Tinha por graça ser
Elisa Santa Ouvida -
-Deus a resguarde e não lhe apague a Luz.
Disse-me sempre ela, em bondade:
Que veio uma cegonha que poisou na Serzelha
Na fonte velhinha, para beber água pura, cristalina;
Subiu às Canárias e me deixou já embrulhado
E tudo, ao lado de minha mãe no leito pobre.
Acreditei no milagre até alguma idade da inocência.
Hoje, não acredito em nada.
A parteira morreu.
A cegonha dizem que nunca mais se viu.
A Fonte da Serzelha já não dá água pura.
E eu, finalmente, consegui casar com um poema
Que não rima,
Lá dizia a minha prima (quando lhe arrimava...)
(Carlos De Castro, in Há um Livro Triste por Escrever, em 14-01-2025)
A psicologia vomitada pelos ditos inteligentes, só veio atrasar o estudo da psicologia pelos tolos - esse, bem mais adiantado.
A minha calma, visto isso,
faz nervos a muito boa gente.
Vou ter de ser mais nervoso,
para que os outros possam
ter mais calma.
MELANCOLIA
Cai a tarde lenta em brasa,
Num céu de mar ondulante,
Enquanto este vai e vaza,
Meu coração está distante
Pensando em ti, ó sereia
Que vi uma vez ao luar,
Em noite de lua cheia
Nas águas de prata, a rolar.
Que saudades sobre o mar
Meu coração lá deixou;
Tristezas de fazer chorar...
Enquanto eu não encontrar
Esse amor que lá ficou,
Farei na areia um altar...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 08-03-2025)
MISTÉRIOS DE VIDAS
Só agora soube, soube mesmo agora -
Não ser o tal - o outro, quando nasci;
Enganei a mãe e meu pai pela vida fora,
Face à razão de uma vida que já vivi
E desta outra minha que tão triste chora
Por aquela já passada que nunca senti.
(Carlos De Castro, In Há um Livro Triste Por Escrever, em 15-05-2025)
ABRENÚNCIO Ó ALMAS PENADAS E OUTRAS PANADAS
Naquele tempo
De um tempo
Em que não havia tempo
Para pintar,
Eis que veio uma mão suja
Com bico de coruja
Das tintas dos tempos
E dos tormentos
Que dava só em pensar...
Teimosa mão pintou
Na tela do meu peito
Uma vereda de árvores negras
Onde copulavam pegas
A torto e sem direito
Num sentido único que ficou
A ser como que metamorfose
De um destino feito osmose
Mesmo sem água,
Só mágoa
Ao natural,
Nada de solvências de sal...
Ainda hoje eu mostro este peito
A quem queira ver a pintura
Que aquela mão suja e impura
Gravou para sempre sem jeito
Este quadro malfeito
De uma vereda de árvores negras
Onde copulavam pegas
A torto e sem direito.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Tão Triste Por Publicar, em 08-07-2025)
MORREU O FONSECA-VIVA MANUEL
Dos ares de S. Pedro de Paus
Do concelho de Resende
Banhado pelo Bestança
Que desmaia depois no Douro,
Veio em tempos uma criança
E a família como herança,
O seu mais puro tesouro,
Habitar no litoral.
Chegado o tempo de vida
De procurar companheira,
A sua amada querida,
Estandarte da bandeira,
Conheceu uma donzela
Adelaide, jovem bela
E a ela depois se uniu
Num amor puro e total.
Pelo Graça então Divinal
E desígnios do Criador,
Conceberam com muito amor
Dois seres, seus diamantes,
Vidas que lhes davam alento
No agora e no antes,
Em tempos de sofrimento.
Mas eis que toca a sineta
Que Deus escolheu por sinal
Quando quer na sua Messe
Gente muito boa e reta,
Veio, penso eu como mortal
E que Deus não me leve a mal,
Buscar o nosso Fonseca,
Mas deixando o Manuel vivo
E do alto desta caneca
Que com ele já não faz tchim!
Só te peço grande amigo
E sei que tu vais dizer sim,
Pede a Deus e sem castigo
Que livre todos do perigo,
Mas nunca peças por mim.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 30-07-2025.
VELHICE ADIADA
Ombro a ombro, ele mais alto
Que ela, baixa de baixo salto
Numa amarração de vidas
Vividas,
Sentidas
Consentidas,
Que mesmo após a velhice,
A idade da rabugice,
Na cidade aperaltada
No passeio da fama do nada
Lembrando suas paixões,
Lá iam os dois amarrados,
Mirrados,
Num abraço de emoções.
Ei-los, chegados ao lar:
Dois jovens apaixonados
Em tempos de namorados
De corpos novos em brasa,
Lembraram a velhinha casa
Na mais louca das razões,
Os seus beijos de ilusões,
Trocados no seu amar.
A paixão andava no ar,
Já com pouco respirar,
Mas com um louco desejo,
Trocaram um longo beijo,
Ainda por cima,
Sem rima.
(Carlos de Castro, in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 16-11-2025)
AI, SE A MORTE NÃO FOSSE VIDA
Já pouco falta para descer à cova fria
Do campo santo da minha freguesia
Uma irmã minha em Cristo estimada
Velhinha anciã por todos amada
A sempre esbelta senhora Maria.
Jamais quis a idade dos Profetas
Que eram seres de outros planetas
Mas ela ia subindo a escala da vida
Que agora acabou mas já comprida
A cumprir as promessas de suas metas.
Do pó nasceste, ao pó voltarás na fé
De ti e daqueles que acreditam que é
A nova semente que cria a Ressurreição
De um dia na mais gloriosa e pura União
Vivermos todos em harmonia talvez até
Com Cristo, o Messias, mesmo ao pé.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 18-03-2026)
Sua decisão hoje pode afetar o destino de toda sua geração futura, por isso pense bem antes de agir ou decidir algo..
Vivi em momento de confusão. Não sabia ao certo o que sentia por tal pessoa, cheguei a pensar que era amor. Acreditava que nunca iria esquece-la, que ela era o amor da minha vida. Mas talvez ela não sentisse o mesmo, parecia tudo intenso e profundo. Achava que não conseguiria mais gostar de ninguém depois dela.
Num certo dia a volta as aulas caio na sala de uma pessoa que pra mim era como qualquer outra que conheço... Olho pra ela e me pego pensando "uau, esse garoto é tipo eu com minha tmidez no passado". E eu sem nenhum pensamento ou desejo por ele. Até então eu começo a namorar no comecinho das aulas com alguém que não tive nenhuma intenção seria ou de futuro, era apenas por um momento como os outros relacionamentos. Pois não conseguia sentir nada por ninguém por (amar) outra pessoa. Logo termino o meu relacionamento que nada douradoro.
Na metade do ano de 2019 o garoto onde eu apenas olhava como qualquer outro, comecei a sentir algo a mais. Mas pra mim era como qualquer paixaozinha passageira e eu já havia sacado que ele também era interessado em mim, até ele começar demonstrar seus ciúmes por mim, ficava sem saber o que fazer com aquela situação porque não sabia ao certo o que sentia por ele, por eu dizer a mim mesmo que amo outro alguém.
O tempo foi passando. E desde então comecei a ter mais intimidade com ele e aquele sentimento aumentando a cada dia. Mas mesmo assim tinha as minhas dúvidas sobre. Já ele eu já sabia do que sentia por mim. E o meu pensar sobre a pessoa do meu passado continuava, e cada vez era mais horrível pra mim porque vivia com essa dúvida de não saber da certeza dos sentimentos que havia, da certeza que não tinha se eu realmente gostava desse garoto da sala se era algo passageiro ou real.
Em um dia o garoto que tinha dúvida dos meus sentimentos começou a conversar com uma das garotas da escola, quando eu descobri que ela tinha interesse nele e ele nela de ter algo a mais. Meu coração se desmoronou foi quando eu percebi que realmente gostava dele e então falei pra mi mesmo "Não posso deixar ele ir com ela. eu gosto dele e dói se eu ver ele com outra, tenho que agir imediato. Antes que seja tarde...". E mesmo eu sabendo que ele conversava com ela resolvi dar um sinal sobre o que eu sentia. Começamos a conversar pela rede social e tudo começa com dois imoje kkkk. E assim começamos a andar juntos e conversar mais na sala. Mas naquele momento eu ainda tinha medo de ser apenas de momento o que eu sentia. A pessoa quem eu achava amar me mandou mensagem nos dias em que eu estava mais próxima desse desse garoto, quando eu já havia interesse a mais com o ensino da minha sala. Enquanto eu conversava com esse rapaz com quem dizia amar, ele começou amostrar interesse a mais por mim, naquele momento sentia que não havia mais nada entre eu e ele, que tinha morrido aquele sentimento. Pois já estava gostando muito do menino com quem eu queria ter algo a mais. Hoje eu penso que foi bom ele ter me mandado mensagem pq aquela dúvida não saia de mim. E assim fui seguindo depois das conversas com a pessoa do meu passado só assim pude ver mais ou menos se ainda sentia algo por ele. Em fim não existia mais, só era algo que eu queria manter em mim por medo de as coisas se tornarem preto e branco em minha vida.
Comecei a namorar com o garoto da minha sala. É.. peguei todo mundo de surpresa. Eu tinha bipolaridade de sentimentos por ele, ficava até doida com tudo aquilo. A cada dia me conectava a ele. Mas tinha dúvidas do que ele sentia por mim e aquilo me atormentava nas minha noites, ficava em silêncio pra ele não conseguia falar o que estava pensando e sentindo com tudo. Quando pensava em falar eu esfriava e não saia, queira falar mais não conseguia era horrível porque me doia muito. Num certo dia onde agente já havia 2 meses juntos, me decepciono com ele. Minha noite se torna dolorosa, não aguentava segurar uma lágrima porque a dor era tão profunda e me dava uma uma vontade enorme de desaparecer, eu me sentia inútil e insuficiente pra qualquer pessoa. Ele volta de viaje agi como se nada tivesse acontecido, discutimos por mensagem. maravilhosos Assim eu o perdôo por sentimento que sinto por ele ser mais forte que uma mágoa. Até então as coisas voltam ao normal entre eu e ele.
Meses passaram.... E tivemos momentos maravilhosos que não me arrependo nenhum pouquinho. E assim chegamos no 5 meses de namoro desde ali começamos a ter nossas brigas e problemas um com o outro. Então as coisas começam a sair do controle. Cadsentimentosa um mostrando quem realmente é em momentos tensos, ele com suas mentiras e egoísmo de pensar somente nos seus sentimentos e eu com meus i rempulso e com os meus pensamentos de fazer ele sentir o que eu estava sentindo. Brigas e brigas até age donte terminar o relacionamento de 6 meses. Depois de alguns dias ele começa a ter conversa nocom outra garota. Garota na qual queria fazer eu e ele se separar na sala. Me doía, mas eu tinha que seguir em frente.
No entanto pensei e tive a certeza de que o que ele sentia por mim nunca foi amor e sim uma paixaozinha passageira. Havia me trocado por outra e mesmo assim continuava te amando, logo começou a namorar aquela garota e isso em um mês que havíamo terminados. Meu pensamento era que não havia nenhum pingo de consideração por mim, que o que sentia não era nada pq eu precisava de um tempo pra me recuperar daquele fim.
Em um dia qualquer ele me manda uma mensagem dizendo algo do tipo "ah, eu te amo...". Aí eu pego e penso "ué, e a garota que tu me trocou". Foi como um choque quando caiu aquela mensagem, fiquei até sem em mimsaber o que dizer. E assim tive uma conversa normal como qualquer outra pessoa. Mas no fundo senti que ele ainda existia em mim, era como se ele fizesse parte da minha pessoa e eu não poder mudar isso. Mas hoje eu estou bem e não me sinto presa nele como antes, o sentimento por ele apenas existe e seguir é a melhor solução.
