Relógio Parado
Viva cada minuto, pois o relógio da vida, ora atrasa, ora adianta; mas uma hora o ponteiro pára e não recomeça.
Os ponteiros do relógio entre os minutos e os segundos são inúteis quando marcam um tempo imaginário...
Enquanto nós obedecemos, nos iludimos até; não estamos indo, mas voltando.
O Relógio e a Lâmina
Juvenil Gonçalves
Nas entranhas do tempo, um relógio sangrava,
Cada tic uma lágrima, cada tac uma cava.
Em mármores frios, a ampulheta virada
Vertia seu pó sobre a carne cansada.
A lâmina, imóvel, sobre o altar do instante,
Brilhava em silêncio — vestal cortante.
Não corta a pele, mas sim a memória,
E inscreve nas veias a cicatriz da história.
No espelho estilhaçado de um ontem perdido,
Vejo o reflexo de um ser já partido.
Sou o que fui — e por ser, já me ausento,
Um nome sussurrado no sopro do vento.
A morte não grita, apenas aguarda,
Com olhos de sombra e face bastarda.
É mãe e madrasta, no mesmo compasso,
Nos embala em silêncio — no mais frio regaço.
Ó tu que respiras, crês que és inteiro?
Não passas de sombra num véu passageiro.
O relógio e a lâmina — gêmeos em dor —
Contam teus passos em direção ao torpor
A experiência não habita no relógio, nem se conta em anos, mas sim, ela revela-se no saber fazer.
Não é o tempo que faz a experiência, mas o saber fazer com o tempo que se tem.
"Se avexe não"!
O relógio de Deus não para, o tempo DELE não é o nosso tempo, inexoravelmente o seu dia vai chegar: ore, creia e confie.
Ciclos que Não Cabem no Relógio
Não é no calendário que a vida se escreve,
É no impacto daquilo que a alma recebe.
Há anos que duram segundos, sutis,
E segundos que abrem abismos sem fim.
Nem todo ciclo começa em janeiro,
Alguns se iniciam num olhar verdadeiro.
Outros nascem quando tudo desaba,
E a alma despida só sente e não fala.
Há despedidas que marcam começos,
E encontros que duram só por excesso.
Há primaveras que brotam no luto,
E invernos que chegam sem aviso e sem escuto.
O tempo real não vive nos ponteiros,
Mas nos suspiros contidos, nos travesseiros.
É no corpo que chora sem saber por quê,
É na alma que insiste em permanecer.
Os ciclos da vida não seguem o relógio,
Eles vêm com amor ou partem com ódio.
São ondas internas, marés do sentir,
Nos puxam ao fundo, pra depois emergir.
Tem dor que é mestra, tem medo que guia,
Tem perda que limpa a alma vazia.
E quando parece que tudo é ruína,
A alma, em silêncio, germina.
Assim, seguimos — sem saber quando ou por quê,
Mas sentindo que algo em nós quer nascer.
Não somos linha reta, somos espiral,
Vivendo o eterno num tempo sem igual.
CONCEIÇÃO PEARCE
Inúteis
Os ponteiros do relógio entre os minutos e os segundos são inúteis quando marcam um tempo imaginário... Enquanto nós obedecemos, nos iludimos até; não estamos indo, mas voltando.
"Vivemos dias em que o relógio parece ditar o compasso da alma. As horas nos empurram, os compromissos nos cercam, e a vida sem que percebamos, se torna uma sucessão de urgências. Poucos lembram que o tempo não se mede apenas em minutos, mas em presença e que há instantes que valem bem mais que uma eternidade distraída.
Há um momento em que é preciso silenciar o mundo e escutar o murmúrio do eterno. Passar um tempo com o dono do tempo é redescobrir o sentido de existir, ou seja, é deixar que o silêncio cure a pressa, que o olhar repouse no invisível e que o coração aprenda a respirar com mais calma.
O tempo é um dom que se consome à medida que o vivemos. Por isso, é preciso gastá-lo com o que permanece, como é a fé, o amor, o encontro, o bem que se faz a alguém sem esperar retorno ou reconhecimento. O tempo sem Deus é apenas contagem, mas com Ele, é eternidade em movimento.
Enquanto há tempo, volte-se ao essencial, como é o amor, a paz, porque a verdadeira presença não se mede pelo relógio, mas pela alma desperta...
Tu só tens que acreditar
cada segundo que passa é o relógio da tua vida que está a contar.
Por isso, orgulha-te, valoriza-te,
pega a visão de que podes ser melhor e continuar.
Tu vieste para realizar o que ainda estás de pé para concretizar.
Quando estou com você parece que o tempo some
O relógio perde o compasso no seu nome
Seria eu perdido nesse espaço que me consome
No seu abraço sou gravidade presa
Na teoria onde a luz se desfaz na beleza
Meu mundo gira e nem a luz escapa
No seu beijo o universo se apaixona e me agarra
Horizonte de eventos
Sou refém dessa magia
Do seu perfume nasce minha galáxia vazia
Seria a força do cosmos que nos alinha
Ou é você que redefine toda a minha linha
Relatividade de amor
Tudo se avizinha
No seu lado o tempo é uma ilusão
Cada segundo é uma nova constelação
Meu mundo gira e nem a luz escapa
No seu beijo o universo se apaixona e me agarra
Horizonte de eventos
Sou refém dessa magia
Do seu perfume nasce minha galáxia vazia
"O relógio marcava cinco e trinta da tarde e o sol logo desapareceria mais uma vez sobre o oceano. A cor intensa e profunda do azul do mar reforçada pela luz solar evocava sentimentos de confiança e estabilidade. Uma paz, nunca sentida antes, invadiu os corações dos dois apaixonados".
CARTAS DO ATLÂNTICO
Tony Oliveira
A cada dia é um dia a menos, é o relógio perdendo a força, moremos um pouco mais a cada segundo que passa, e você ai gastando tempo com bobagem... aprenda a morrer bem.
