Reflexão de Vela
A chuva ensaiou
Flutuante
Eu abri minhas janelas e cortinas
Acendi meus abajures
e uma vela para agradecer
Convenci flores ausentes a ficar
Recolhi correntes
Pus meus dentes num sorriso
Ensaiei minha melhor risada
Pois a chuva é quase nada
Nada, quando ela chove
Deitei vinho à taça
Ele não veio
Vinha a chuva que passou
Porque toda chuva um dia passa
E ela passou
Infértil...meio indiferente
Sem sorriso e folha nova
Eu chorei
Pois o tempo ensina e prova
Compreende quem quer
Aprender não é preciso
A lágrima é.
Terra e chuva são dois
Pra depois serem uma coisa só
Pois a terra inválida, invalidada
Compreende a dor de ver-se abandonada
Sem laços, desatados nós
Mas depois que um rio flutuante
Impávido e ausente
Num dia qualquer
Passar pelo espaço infinito
Vazio e bonito e distante
Ali, bem diante dos olhos
Pra depois, num mero instante
Dar adeus, partir e não chover.
Edson Ricardo Paiva.
Liberdade
Andar descalço ao entardecer
Caminhar no mesmo passo
Içar a vela
Perfume de outrora
Hoje é pranto de estrelas
Saudades são vagalumes
E sorrir sem vontade
Estrelas que brilham porque a luz mandou
Te parecem ser bem mais felizes
Navega perdida a verdade de agora
Só o tempo é livre
Arguto, ele passa sem te olhar
Calçar os sapatos, pisar diferente
Fui olhar a flor que foi bonita
Na leveza do vento
Como quem caminha lento agora
Gruda na roupa da gente uma luz de garoa
Uma gota a mais, transborda
Acorda tua eterna vontade
Não sabe de quê
Qual canoa se afasta a vagar
Essa estrada que se vive, ela tem fim
Não se pode segurar o tempo, ele não fica
Só que isso não significa
Ao tempo que ele seja livre.
Edson Ricardo Paiva.
à tarde o vento empurra a vela
Vejo o mar pela janela
Se à noite o vento apaga a vela
Mesmo assim, no escuro, és bela
Te vejo passando e pergunto
Meu Deus, o que foi que te trouxe?
Quisera fugir de presença tão doce
Quem sabe se ao menos
Tão bela não fosses
e quando não estás
vou pra janela
olhar as estrelas pulsando
teu nome e teu sorriso
brilham no Céu
de vez em quando
Lembranças que se acendem
e esperanças que se apagam
Qual lume, dos insetos
que à noite vagam
dá até pra sentir o perfume
que emana da tua presença
posso até parecer triste
sou mais feliz
que você pensa
Seu cheiro tua ausência compensa
e meus sentidos embriagam
embriagado então
grito baixinho
que é pra não acordar
minha tristeza adormecida
que existe por não poder
estar em você
nem na sua vida
e isso torna a minha
sem sentido
se cego e surdo
fosse eu, de fato
quem sabe a sorte permitisse
ver-te bela
pelo tato.
Eu queria tanto, tanto vê-la na sua forma mais pura e uterina para agradecer o forno que se esconde no ventre da sua mãe.
A lua hoje está bela
Esvoaçante prata em lampejo
Posso vê-la da janela
E alegria pulsa áquele ensejo
Foi um ensejo real e tão brando
Te conhecer assim do nada em noite de lua estrelas dançando
QUIETUDE DA NOITE
Aqui com a noite calada
No breu da imensidão
Permita vê-la estrelada
Dando brilho à escuridão
Medita: afasta a cilada
E ofusca a sofreguidão!
INCERTEZAS
Que bom vê-la coagida
Em voltar brincar com a vida
Assim, meio na chibata
No açoite que arrebata
As incertezas do medo
Permitindo um novo enredo
Deixando o que não importa
Virar chave à outra porta!
"Um timoneiro que se preze continua a navegar mesmo com a vela despedaçada."
Sêneca
O TIMONEIRO, A NAVEGAÇÃO, A VELA DESPEDAÇADA são apenas ilustrações para dizer que na vida, mesmo diante das percas, da dor, da tristeza, da desilusão e do coração despedaçado, sempre haverá forças para aqueles que se dispõem a continuar seguindo em frente, e assim não se deixar afundar em meio às turbulências que as vezes a vida nos impõe.
A deriva muitos provavelmente se encontram, mas não poderão continuar assim por muito tempo. As vezes a vida nos ajuda colocando em nossos caminhos os ventos da boa amizade, da boa base familiar, das aparentes coincidências e do restabelecimento da lucidez, nos levando a um porto seguro para a restauração de nossas energias, para reformulação de novas idéias para que posteriormente possamos seguir novamente rumo ao nosso próprio destino.
A vida é como a vela
Frágil, serena, silenciosa.
Sua chama dança ao sabor do vento, iluminando caminhos por onde passamos, aquecendo corações por onde tocamos.
E quando a noite se alonga
e o mundo parece frio demais, ela insiste em brilhar, mesmo que tremulante, mesmo que pequena, como quem diz que a esperança
não precisa ser grandiosa —
apenas viva.
Há momentos em que o vento se enfurece, tentando apagar o fogo que guardamos.
Nessas horas, a chama recua, encolhe-se em si mesma, mas não se entrega:
espera o sopro calar,
espera o silêncio voltar,
para então erguer-se de novo com a mesma humildade luminosa.
E quando enfim a cera finda
e a chama se inclina ao descanso, o que permanece não é o brilho,
mas o rastro de calor deixado nas mãos, nos olhos, na memória.
A sabedoria sempre respeitou a ignorância, afinal de contas, em determinado momento uma vela acesa tende a perecer se sua chama não for renovada em meio a mais profunda escuridão
Ao vê-la deste jeito, linda, instigante, sorridente com este sorriso sincero e tão reluzente, é compreensível deduzir que houve um caminho árduo até chegar nesta fase de ter amor por si mesma, de saber nutrir frequentemente a sua felicidade.
E que desde então, ela apresenta uma postura autêntica de quem busca viver verdadeiramente, sem fazer questão de mascarar seus sentimentos, sua calorosa intensidade, tirando o máximo de proveito de suas vivências de acordo com cada oportunidade.
Assim, tem seguido corajosamente com sua natureza intensa, saboreando um regozijo valioso, o qual Deus tem lhe permitido, evitando certos desperdícios de tempo, não apenas existindo, mas vivendo, resistindo e sempre aprendendo.
A dificuldade em compreender a Felicidade nos leva a vê-la apenas no que passou ou na fantasia do que virá, esquecendo que entre um e outro existe toda a densidade do Agora.
Se você é uma vela acesa o vento poderá lhe apagar, agora se você for um incêndio o vento apenas lhe deixará mais forte.
Sem vela
Nem flores
Um pouco de vinho
E sorriso tímidos
É só um jantar
Eu estou sozinho ...
Espero a lua
Um sussurro
Um convite
Acho que devo ser ilha deserta
Ficar sozinho pra sempre
Com o lixo da minha cabeça
Felicidade
A felicidade é abstrata, ninguém pode vê-la, tocá-la, nem mesmo defendê-la, ou condená-la.
210822II
A DONA DO CAIS.
Tú és lírios dos vales flores do campo,sol de verão,a vela da escuridão perfeita são as curvas do teu corpo,lindo e o céu da sua boca,suave são os toque das suas mãos doçura é o gosto dos teus beijos.
Tú és dona da perfeição a dona dos meus sentimentos,um minuto ao seu lado seria uma eternidade,tú és o gosto do pecado,um cálice feito pelas mãos divina.
Teu olhar fascinante teu corpo seduz tuas unhas fere feito navalhas navegantes em meu mar tú és singela,a minha atração,a dona do meu cais.
Tú é a mulher que despia suas vestes e satisfaz a minha vontade,tú é simplesmente a dona do cais,onde estaciono meu barco
