Reflexão Antes de Dormir
Estevão & Esther
— nomes que ainda moram no amanhã, mas já respiram no meu peito como promessa viva.
Antes mesmo dos seus passos ecoarem pela casa,
meu amor por vocês
já aprende a existir.
Se um dia o mundo pesar,
segurem na minha voz,
ela vai lembrar que vocês
nasceram de um sonho bonito.
Não de perfeição,
mas de verdade, de entrega,
de um amor que decidiu ficar mesmo sem garantias.
Quero ser abrigo quando
a chuva vier sem aviso,
e também vento leve quando precisarem voar.
Ensinar sem prender,
cuidar sem sufocar,
amar de um jeito que nunca falte, mesmo em silêncio.
E quando crescerem e seguirem seus próprios caminhos,
levem com vocês a certeza que sempre terão um lar.
Porque antes de serem meus filhos…
vocês já eram meu motivo de acreditar.
Quando o ontem fica aberto como ferida mal costurada,
o amanhã vira palco de ensaio —
não porque superamos,
mas porque ainda tentamos entender onde sangrou.
o ontem não admite recurso.
O amanhã não oferece garantias.
Só o hoje sustenta a prova viva da existência.
O País do Amanhã Que Nunca Chega
O brasileiro é uma criatura fascinante.
Possui sonhos grandiosos, planos extraordinários e uma habilidade impressionante de adiar ambos para a próxima segunda-feira.
Quer a casa própria.
Quer o carro novo.
Quer viajar.
Quer empreender.
Quer mudar de vida.
Quer aprender outro idioma.
Quer emagrecer.
Quer economizar.
Quer investir.
Quer tudo.
Só não quer, às vezes, o compromisso diário que transforma desejo em conquista.
Existe uma diferença enorme entre querer possuir algo e querer construí-lo.
Muitos desejam a colheita.
Poucos se apaixonam pelo plantio.
E assim seguimos vivendo no país do "depois eu vejo", do "semana que vem eu resolvo" e do famoso "deixa comigo", que normalmente significa exatamente o contrário.
A enrolação tornou-se quase um patrimônio cultural.
Há quem passe mais tempo explicando por que não fez do que realmente fazendo.
E o curioso é que essa mania não prejudica apenas a pessoa.
Ela atinge a família, o trabalho, o sistema e, de certa forma, a própria nação.
Afinal, um país não é feito apenas por governos.
É feito também pelos hábitos de quem o habita.
Mas talvez a parte mais engraçada seja o discurso moral.
O brasileiro adora falar de honestidade.
Principalmente quando o assunto é a honestidade dos outros.
Critica a corrupção em Brasília enquanto procura um jeito de não emitir nota fiscal.
Indigna-se com os desvios milionários enquanto assiste televisão por uma ligação clandestina.
Condena os políticos por esconderem patrimônio enquanto mantém um dinheiro reservado que nem a esposa conhece.
Fala sobre transparência, mas possui segredos suficientes para preencher um arquivo inteiro.
Alguns levam uma vida matrimonial.
Outros levam uma vida paralela.
E há aqueles que conseguem administrar duas ou três versões de si mesmos ao mesmo tempo.
Uma verdadeira empresa de personalidade limitada.
O mais curioso é que todos conhecem a solução para os problemas do país.
Pergunte em qualquer esquina.
O especialista surgirá imediatamente.
Resolverá economia, educação, segurança, saúde e relações internacionais em menos de quinze minutos.
Mas quando chega a hora de organizar o próprio guarda-roupa, a consultoria encerra suas atividades por tempo indeterminado.
Existe também uma paixão nacional por observar a vida alheia.
O gramado do vizinho é sempre assunto.
A pintura da casa ao lado.
O carro novo da rua.
A promoção do colega.
O casamento dos outros.
Tudo desperta interesse.
Enquanto isso, o próprio quintal continua esperando uma limpeza prometida desde o verão passado.
E reclamar...
Ah, reclamar talvez seja o esporte mais praticado do país.
Se faz calor, o sol exagerou.
Se chove, a chuva não dá trégua.
Se esfria, o inverno passou dos limites.
Se melhora, certamente há algo suspeito acontecendo.
Nada parece suficientemente bom.
Ao mesmo tempo, pouco é feito para melhorar aquilo que está ao alcance das próprias mãos.
E quando finalmente realiza algo positivo, por menor que seja, inicia-se outra tradição nacional.
A divulgação.
O anúncio.
A cerimônia.
A autopromoção.
O cidadão troca uma lâmpada e quase espera receber uma medalha por serviços prestados à humanidade.
— Viu o que eu fiz?
— Percebeu minha contribuição?
— Notou meu esforço?
E assim, aquilo que deveria ser um gesto simples transforma-se em um documentário de longa duração.
Os anos passam.
As promessas envelhecem.
Os planos acumulam poeira.
As desculpas ganham experiência.
A esposa se cansa de ouvir que tudo mudará no próximo mês.
Os filhos crescem escutando projetos que nunca saem do papel.
Às vezes o casamento termina.
Às vezes a paciência termina antes.
Mas certas manias permanecem firmes e fortes.
O discurso continua.
As justificativas continuam.
As reclamações continuam.
As promessas continuam.
E o amanhã segue lotado de intenções que jamais chegam ao presente.
Talvez por isso o brasileiro seja, ao mesmo tempo, motivo de preocupação e de admiração.
Preocupação pelas oportunidades desperdiçadas.
Admiração pela capacidade de continuar acreditando que tudo pode melhorar.
Mesmo quando insiste em repetir exatamente os mesmos hábitos.
No fundo, somos um povo que sonha grande, trabalha muito, reclama bastante, improvisa demais e muda menos do que promete.
Talvez a verdadeira transformação comece no dia em que passarmos menos tempo observando os erros do mundo e mais tempo corrigindo os nossos.
Porque nenhum país se torna melhor apenas apontando defeitos.
Mas pode começar a melhorar quando cada cidadão resolve limpar o próprio quintal antes de fiscalizar o jardim do vizinho.
Até lá, seguiremos fazendo planos para segunda-feira.
Mesmo sabendo que hoje já é quinta.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
A beleza do amanhã mora nas tarefas invisíveis de hoje. Enquanto espero milagre, faço as coisas pequenas com exatidão. Lavo pratos, escrevo bilhetes, rego vasos sem testemunhas. Pequenos atos acumulam-se e, sem barulho, erguem futuro. E o amanhã, quando chega, parece menos miragem e mais casa.
Sinto falta de uma infância que talvez nem tenha existido, um tempo de barro e sol onde o amanhã era apenas uma hipótese irrelevante. Hoje, o futuro é um monstro que se alimenta das minhas horas de sono, sussurrando que o tempo é uma ampulheta cheia de vidro moído.
Não deixe que nenhum problema seja maior que a sua fé. O que hoje parece um gigante, amanhã será apenas uma lembrança da força que Deus despertou em você.
Confie, e não desista.
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