Refletindo sobre a Vida
"Os atalhos que a vida nos direciona"
Posso viver uma verdade
que, no hoje, julgo ser inquestionável,
amanheço suscetível
à acreditar em um caminho
que me leva ao oposto do que eu defendía,
pois a vida tem os seus atalhos
que nos conduz
para a fortaleza de nosso ser,
o qual se constroi a cada amanhecer.
Seria incrível se pudéssemos mudar um ciclo como o da vida. Pra mim já é maçante a ideia de nascer, crescer, reproduzir e morrer. Na prática não é tão simples assim, os intervalos entre esses momentos são assustadoramente complexos. Algo que me sufoca, além de me deixar com uma sensação de incapacidade, é ouvir que a vida é breve. Mas é fato, então vamos simplificar - sugiro tornarmo-nos ainda mais limitados. Já que não se pode ter mais de uma vida, vamos dividir os dias em vidas. O sol me inspira a fazer isso. Vou dar-me a chance de nascer, crescer, brilhar, diminuir e morrer todos os dias. Se assim fizer, a pureza e a inocência sempre me acompanharão. Se assim fizer, descobrirei coisas novas todos os dias. Se assim fizer, serei sempre o melhor, o maior. Se assim fizer, nunca deixarei de notar o brilho dos outros. Se assim fizer, colocarei todos os dias, a sete palmos da terra, as coisas que não me fazem bem. Nunca vi o sol “triste” por ter morrido no dia anterior. Às vezes ele até se esconde atrás das nuvens, mas está sempre lá, vivo um dia após ter morrido. Nunca percebi a soberba do sol por estar acima de todos – talvez porque ele já tenha experimentado estar por baixo. E ele não permite que essa “instabilidade” atrapalhe o seu brilho-de-cada-dia. Parece que temos muito que aprender com o sol.
A gente passa quase toda a vida
Cuidando das coisas que acredita
E medindo a passagem do tempo
Como se o passar do tempo
Aliado à nossa capacidade
de estar consciente dessa passagem
Nos trouxesse alguma vantagem
E fosse uma espécie de conquista
Esquecendo
Que conforme o tempo passa
Sem que nada se faça
Além de somente medí-lo
Sem crescer, evoluir e aproveitá-lo
simplesmente observando
Como passou depressa
Esse trem que corre lento
O mundo gira
O Universo se move
O relógio não pára
e o tempo passa
Não existe nenhum dinheiro
Que compre e que traga de volta
A vida que correu
Quase que inteira
Existência tão cara
Que a gente recebeu de graça.
Edson Ricardo Paiva
Já pensou
Se a imperfeição
Que se enxerga na vida
E em tudo que se vê
Pode ser simplesmente
A inversão refletida
do espelho da mente
Desvendando
Que na verdade era você
Se mirando ao contrário
E que o fim
Nem sempre precisa
Ser cinza
Se ... das cinzas ao pó
E do pó ao ser vivo
O nada ecoando
No silêncio que se escuta
Pense
Que em termos absolutos
Tudo é relativo, sempre
Inclusive o pensamento negativo
Que a tudo corrompe
E que a tantos atormenta
Quando de passagem
Pela ilusão desta vida
Um novo engano
Provisoriamente eterno
E que nunca funcionou direito
E pode ser que ela
Esteja sendo vista
Ao contrário
Como a tudo que se vê
Quando a gente olha no espelho
Sem saber
Que não se olha
Sua mente somente reflete
A imagem à sua escolha
E seu ser verdadeiro
Está do outro lado do espelho
Mirando você
Viva miragem
Vivendo iludida
E vendo a imperfeição
Em quase tudo.
Edson Ricardo Paiva.
Eu fico aqui pensando
Pra onde será que vai
E de onde será que veio
Aquilo que compõe a vida
Pois a cada instante que passa
A gente tá sempre
em meio a dois tempos
Não há nada que nos faça
Nem ir junto e nem voltar
Um dia acaba, outro começa
O horizonte sai do prumo
Os assuntos tomando outros rumos
O vento sopra, a folha cai
E qual fosse uma espécie de magia
Haverá de nascer amanhã
Outro e outro e outro dia
Sem se dar conta ou atenção
A gente vai vivendo isso
E, enquanto vivo
Nem tenta entender o motivo
Simplesmente vai vivendo
Com tristeza ou alegria
Tudo depende
Se aprendeu
A enxergar o que olha
Quando vê que lá vem outro dia
Simples e prosaico
Rotineiro e nem por isso, menos raro
Raro, porque não volta
A vida parece
Nem sair do lugar
Mas a cada uma
dessas voltas que o mundo dá
Conta outro dia vivido
Você simplesmente o vive,
mas não compreende a vida
Num momento
Está de chegada
E num instante
Está de partida
Maldito presente
Sempre a dividir o nosso tempo
Em antes e depois
Além desses dois
Há outros dois milhões
de pedaços do seu coração
Que você despedaçou
Ao tentar juntar
As peças que não se encaixam
Tamanha pressa de viver
Os dois tempos
Trocando de lado
Você perdido lá no meio
Sem saber se vai ou já veio
No âmago da questão
Se esconde o encanto, o triste encanto
Em saber que a vida existe
Mas passa depressa como um relâmpago
Um raio que cai distante e de madrugada
Sempre na hora
Em que a janela estiver fechada
E quando decide olhar
descobre que não viveu
E nem há mais tempo pra nada.
Edson Ricardo Paiva.
Num momento qualquer
Dessa vida
Que a gente vive
Muitas vezes sem querer
Acontece de pensar na morte
Não na morte como um final
Porém como uma mudança
A Música acabou
Troca o passo da dança
E naquele pedaço
De tempo que passou
Numa tarde qualquer, a gente pensa
Nas muitas caras da morte
Pense em tudo que matou na sua vida
Antes que a vida acabasse
O que será que você faria
Se tivesse
Pelo menos mais um dia?
Edson Ricardo Paiva.
"Voando de cara para o vento a vida inteira não se ocupa em pensar se a vida ela é boa ou não é a vida é só vou voar é momento que se vive à toa"
Edson Ricardo Paiva
Tem dias em que a gente
Simplesmente pensa
e pensa sinceramente
Que não compensa
Olha a vida pelo lado de fora
e dá vontade de ir embora
Pois ela parece apenas
Um absurdo que deu certo
Uma coisa passageira
Que dura uma eternidade
carente somente
de motivo concreto
haja visto
Que não dá pra entender
e nem mudar pra melhor
tudo isto
tem dias em que eu
Simplesmente
Quase desisto
Eu pensava
Que tudo na vida
Podia fazer sentido
Conforme a vida vai passando
A gente percebe que não sente
Que aos poucos vai perdendo
Muita coisa que realmente interessa
O tempo passa
E apesar de passar
Sem nenhuma pressa
Quando a gente olha os tempos idos
Percebe que a vida passou
Rapidamente
A vida passa de repente
Repentinamente
Sem fazer sentido
Ela te escapa e passa
pelos cinco sentidos
Sem ao menos ser sentida
Inesperadamente
a gente olha e sente
Que a vida passa
e Parece que passou por mim
Com muita pressa.
Tenho um dos pés na Terra
O outro pisa a Lua
A cabeça não pensa
O coração sempre erra
A vida tem sido assim
de tanto pensar em mim
não quero esquecer você
tenho a alma no presente
e os olhos no infinito
esculpo palavras de amor
num monolito escondido no peito
preservo meu amor assim
quase perfeito
e a saudade se acentua
Ás vezes ela continua
mesmo quando
o coração pára
Tento pensar em algo bonito
e imagino a sua cara
Brilhando mais
que o Sol da tarde
se me permitir pedir-te algo
peço que guarde
nas asas de um vaga-lume
em forma de perfume violeta
esta lembrança
que voa como nave
e chega como um beijo
levado
por suave borboleta.
Vida
Mera ilusão
Esperança perdida
Sonho que não se realiza
Onde a ilusão mais precisa
Está na mente daqueles
Que se veem realizados
Reles miseráveis
Pobres coitados
Orgulhosos, por ter vivido
uma horrenda vida suja
Cofres abarrotados
de metais,
que o tempo enferruja
A noite abraça o Mundo
Imundos seres
sob holofotes
Gente de alma vendida
Seres da escuridão
Montados em seus Cavalos
Estão chegando
E seus olhos piscam mil vezes
Por não crer
Que vieram buscá-lo
Teu reino
De orgulho e Ira
Cessa com muito barulho
Vem à tona tuas mentiras
Subiste a escada
sem pensar em ninguém
e nem em nada
Que os anjos digam Amém
Está em andamento
a luta do mal contra o bem
Bem diante das suas vistas
só os alheios e alienados
não veem.
A vida passa
E voa ao vento
Voa leve
como algo escrito
Numa folha de Papel
Seus pensamentos
Feios ou bonitos
Assim como seus atos
Alcançam a Estratosfera
Assim como os Meus
Ai, Meu Deus
Quem dera
Viver apenas coisas boas
E permitir
Que meus pensamentos impressos
Voassem à toa
E pudessem espalhar
Ao longo de todo o Universo
Versos Felizes
Colorindo
Com todas as Matizes
Alegrias
Multicoloridas
Ornamentar a minha
a sua
E todas as Nossas vidas
Presentes e Futuras
Transformar em Arco-Íris
As agruras existentes
E ver a flutuar no ar
A Solução
De todas as tristezas
Que neste momento
Estão presentes
Em todas as nossas mentes.
Ele saiu de casa
Antes mesmo que o Sol nascesse
E nesse afã de conhecer a vida
Queria vivê-la toda e à toda
Depressa, antes que acabasse o dia
Mas ao poucos foi descobrindo
Que o mais lindo, em toda ela
É adquirir o poder
de enxergar beleza
Em coisas que a maioria
despreza e não acha bela
Aprendeu a importância
de esquivar-se
Dos olhos que o espreitavam das janelas
Que a mentira e a verdade
Às vezes vêm de mão dadas
Teve sempre o cuidado
De não passar por sob escadas
Aprendeu o valor
Que pode ter um tostão
E a falta absoluta de teor
Que pode haver em Um Milhão
O mal e o bem
São questões pura e simplesmente
Variáveis;
Depende sempre
de onde a gente está quando olha
Aprendeu que não há como explicar
Um dia, a chuva vêm e molha
Por absoluta falta de escolha
Todo Mundo acaba compreendendo
Aquilo que todos olhavam
E ninguém estava vendo.
"Pesadelos não mudam sua vida
Mas te fazem aceitar com alegria
A realidade que te entristecia
Antes da noite mal dormida."
Edson Ricardo Paiva.
Não me iludo
Já cometi grandes erros na vida
Agora eu não mais me iludo
Desisti de pensar que as coisas mudam
Aprendo a cada dia
Que vou errar e me iludir de novo
Aprendi que pra isso é que existe
O arrependimento
E me arrependo
Aprendi que os erros
Não foram feitos para errar
E muito menos pra aprender
Eles existem pra não ser cometidos
E nem sempre o perdão
Alcança os resultados que se deseja
Por mais belas sejam
As palavras que se ouve na esquina
A conversa termina sempre lá
Não é preciso trazer pra casa
Muito menos guardar na alma
A bonita filosofia
Que resulta pouco mais que nada
E que fiquem no passado
A tantos erros alheios
Hoje eu vejo que devia
Ter mudado a direção
Ainda no meio de muitos caminhos
Sempre existem novos erros
e ilusões se evitar
Aprendi somente a não me iludir
E pensar que vou saber
Quando é que eles vão chegar
Nunca aprendi direito
O melhor jeito de olhar pro Céu
E dizer se vai chover
Mas com o tempo a gente sabe
Olhar a tempestade iminente
E decidir nos cabe ou não
Molhar-se na chuva que ainda não caiu
Mas iludir-se
Pensando que não vai molhar
Depois de tudo que já viu
Eu bem queria acreditar
Que em pouco tempo
Não há de formar-se
Outro rio nessa avenida
Então me apresso
em voltar pra casa em paz
Assim a vida ensinou a gente
Pois hoje, sinceramente
Eu olho pra esse Céu de ilusão
E fujo dessa velha mesma chuva
Que já me enganou muitas vezes
Mas agora
Ela não me molha nunca mais.
Sobre as Gentes Superiores.
A coisa mais impressionante
Que se pode conhecer na vida
É a inteligência humana
Basta olhar pela janela
E lá se vê caminhando
Aquela alma arguta,
desprendida e astuta
Atenta pra toda malícia
Ciente
da própria inteligência adquirida
Nos livros, nas peças teatrais,
nas viagens, na poesia
...e no seu fácil dia-a-dia
Plenamente senhora
de tanta sabedoria
Que sabe aprender
com quem sabe menos
Ou que pelo menos
Em sua pretensa vivacidade
Essa pobre alma humana
Tem certeza que sabe mais
Conhece toda verdade
E demonstra isso a cada vez que diz
Não existir certeza de nada
Mas ela sempre sabe mais que o padeiro,
que o mecânico, que o vizinho,
sabe mais que seus próprios pais,
que o trouxeram ao mundo,
sabe mais que O próprio Deus
... e por isso tornou-se ateu.
Defensora das coisas corretas
Compromissada com a boa ideologia
Coisas que aprendeu nas conversas
Que teve com outras pessoas inteligentes
Que conheceu numa festa outro dia
Protesta contra todas as guerras
Mas jamais enfrentou batalha
Sabe todas as respostas
E gosta de apontar a direção dos trilhos
Porém .... não deseja ter filhos
E se algum dia teve, não criou
Apesar de não ter medo de nada
É contra qualquer ação violenta
desde que praticada pelos mais fortes
e tem certeza
de estar em favor dos certos
Não foge jamais à morte
de sorte que também não se arrisca
pra não ser preciso vê-la de perto
Sabe falar bem sobre tudo
E fala e fala e fala, contudo
Tenta estar bem com os dois lados
Quando estiver diante de ambos
Pois a lealdade nunca foi coisa importante.
Perante os erros da humanidade
A sua participação foi mínima
A sua autoria ou influência são anônimas
Pois esteve sempre um passo à frente
E a sua mente sempre acima
das gentes comuns e mundanas
A sua presença emana paz
Apesar de jamais ter acendido o fogo,
Perdido no jogo da vida
ou contado uma mentira por maldade
Enganou de boa intenção
pra obter o melhor resultado
Pois a luz e a verdade
Estiveram sempre ao seu lado
E como todo sábio que se preza
Conhece as orações, as ladainhas e as rezas
E se alguma coisa der errado
Se ajoelha, pra que a gente se espelhe nela
E a culpa será sempre sua
E também será minha
Pois a gente não deu atenção
Ás sua sábias elucubrações
E suas verdades de mentirinha.
Edson Ricardo Paiva.
Eu não gosto nem de lembrar
do dia que conheci a vida
Eu fiquei assim, meio na dúvida
Se vida era um lugar
uma pessoa
ou um pensamento pensado à toa
enquanto na sala de espera
Não sei nem se bem vida ela era
Me lembro que ouvia falar
Que era linda
Mas isso dependia
de que forma a gente a olhasse
Acho que foi por isso
Que no dia em que a olhei
Face a face
Percebi que nela havia
uma certa graça
Mas nada que não se desfaça
Com o correr dos dias
Enquanto ela se revela
Hoje eu penso que ela podia
Ser tão bonita
Mas eu sinto que ela se irrita
Quando ouve alguém dizer
Que a vida é bela
Essa vida irritada, agora
Me faz olhar pra ela e sentir
Vontade de dizer
Que por ela não sinto nada
Talvez, quem sabe
Uma ponta de saudade
do tempo que ouvia falar
Mas não a conhecia de verdade
É por isso que agora
Nada me dói saber
Que por mais ameaças
de ir embora, ela faça
A maior parte de mim
Já passou pela porta
E a parte que ficou
A bem da verdade
Nem se importa.
Edson Ricardo Paiva.
"A vida passou tão depressa
Que só nesta fase da vida
É que me ocorre o pensamento
Do quanto teria sido inútil
Ter tido o medo que quase senti
Pois a vida não parou pra ser perfeita
Por isso foi sendo refeita todo dia"
Edson Ricardo Paiva.
A razão da vida
São as diferenças
Vivemos distraídos
Em prol de quem pensa igual
O grande mal da vida da gente
É que morremos sem ter conhecido
A opinião de quem pensa diferente
Ou que tenha outra crença
Ou que se mostre propensa
A discordar da gente
Vivemos querendo agradar
E querendo ser agradados
Muita gente vive sem viver
Pois os Universos mais imensos que existiam
Não estavam além da estratosfera
Nem nos livros
No olhar desperto ou na alma deserta
Não estavam depois do horizonte que o olhar alcança
Estavam em tudo isso
E estavam em quem sempre esteve perto
Sempre estiveram no compromisso que assumimos
Muito antes de ter nascido
Pois a vida é um grande aprendizado
Mas pouco se aprende
Quando as palavras só concordam
Pois palavras são só palavras
Não dizem nada
Não tem medo e nem coragem
São só coisas inventadas, muitas vezes para inverdades
A grande marca que se deixa, são sempre atitudes
Para aprender com a vida
É preciso chegar lá no fim
Satisfeitos com nossa casa
Em paz com as pessoas
E agradecidos pela mesa e a comida
Um sorriso no coração
Vale também uma oração, com palavras boas
E o aprendizado adquirido
Nas verdades que não eram nossas
Pois qualquer um que disser para a própria consciência
Que cometeu mais acertos do que erros
Viveu errado
Mente
E não tem consciência
Pra bem viver a vida
É preciso chegar lá na hora da morte
E sentir-se feliz, porque vai ver a Deus
Ao invés de sentir-se assustado e com medo
Pois não existem segredos
Que pra sempre permaneçam ocultos
O segredo era a mente tranquila
Um coração sincero
E a certeza de ter aprendido alguma coisa
Com quem tivesse dentro de si outro Universo
Diferente do nosso
Pois a vida não é uma festa
Em que a gente vai embora com a mesma roupa que chegou
Infeliz quem busca ouvir apenas
Opiniões que sejam belas e iguais às suas
Chegaram na vida sem nada
No final, partiram dela, nuas.
Tudo um dia se desmonta
Exceto as contas, que serão prestadas.
Edson Ricardo Paiva.
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