Recados de Amor
Não dá pra amar alguém que se esconde dentro da própria alma. Eu tento, juro que tento, mas é como abraçar fumaça. Você me escapa até nos sonhos. Tem gente que ama de peito aberto. Você ama de trincheira.
A atenção plena aquele estado glorificado é apenas o veículo. Amar completamente é direcionar toda a atenção plena para um único objeto. Sofrer completamente é o que acontece quando essa atenção, agora aguçada ao máximo, registra cada minúscula oscilação, cada sombra, cada afastamento ínfimo do objeto. Você não sofre apesar de amar. Sofre com a resolução de alta definição que o amor obriga você a usar para observar tudo, inclusive a própria possibilidade da perda. O amor não cria a faca. Apenas a afia até que seu fio seja atômico.
Odeio amar você
Odeio olhar e imaginar tudo com você
Odeio te sentir em cada gesto que faço
Odeio saber que você também sente o mesmo
Odeio que te quero, mas preciso me posicionar
Odeio saber que não me escolheu para vivermos nossa intensidade
Odeio ter esse sentimento que te ama e te mata todos os dias
Odeio olhar para as fotos e ter saudade do que não vivemos
Odeio saber que ia ser bom ter você
Odeio ficar imaginando você na minha casa, ou eu na sua é isso nunca ter acontecido
Odeio saber que queria ter filhos com você
Odeio ter que apagar da memória nossa vida no sítio de paz
Odeio ter prazer em você, pensando em te odiar, amando.
“A ciência suave de amar”
Amar é um estado químico que aprende a ser humano.
Começa no corpo antes de virar escolha.
No início, o amor é dopamina em festa: euforia, foco absoluto, aquela vontade quase infantil de estar perto, de repetir o encontro, a conversa, o cheiro. É o cérebro dizendo “mais disso, por favor”. A pessoa vira ideia fixa, não por fraqueza, mas porque a serotonina cai e a mente passa a orbitar um só nome — como se pensar nela fosse um hábito involuntário.
Aí vem o frio na barriga: a noradrenalina e a adrenalina aceleram o coração, suam as mãos, deixam tudo mais vivo. O amor, nessa fase, é risco gostoso. É expectativa. É o corpo em alerta, como quem sabe que algo importante está acontecendo.
Com o tempo — se houver cuidado — a química muda de tom.
A paixão barulhenta aprende a falar baixo.
Surge a ocitocina, que não grita, mas fica. Ela constrói confiança, abrigo, vínculo. É o conforto do abraço que acalma, da presença que não exige performance. O amor amadurece quando deixa de ser só fogo e vira lareira: menos urgente, mais constante. A vasopressina entra em cena e sustenta a ideia de “nós” ao longo do tempo.
Então, pelas experiências humanas, amar é isso:
Um processo onde o corpo se apaixona primeiro
e o coração aprende depois a ficar.
Amor não é só química — mas também não existe sem ela.
É quando os hormônios acendem a chama,
e as escolhas diárias decidem mantê-la acesa.
Nosso trabalho é amar a realidade, e tudo que a compõem. A profunda aceitação, sem o desejo de modificar nada, nos coloca em harmonia com o universo.
Romance: Antes que o pó volte à terra: nunca é tarde para amar
A incerteza do quanto ainda nos resta em nossos relógios internos é um chamado para abraçar cada momento, cada fôlego, como um tesouro precioso.
Para amar não precisa de par perfeito, nem precisa ter medida. Não existe tempo certo. Simplesmente amamos, independente disso tudo. E aceitamos, por não saber como evitar.
Romance: Antes que o pó volte à terra: nunca é tarde para amar
"Não é uma questão de fazer as dores desaparecerem, mas de aprender a carregá-las de maneira que você possa continuar a viver.É sobre encontrar significado e propósito, mesmo nas situações mais difíceis".
Sim, vamos todos morrer e ser esquecidos. Mas entre agora e a morte, podemos amar, criar, lutar, construir. O niilista enxerga só a morte. O humanista enxerga o "entre".
A humanidade é a única espécie capaz de amar e destruir o que ama, e ainda chamar isso de progresso.
Negar verdades absolutas é fácil; difícil é amar a realidade o suficiente para não mentir sobre ela.
