Rabisco
Escritas no Papel
Escritas que rabisco, as dores que o tempo impõe,
O delírio de ter nascido, o ar que me asfixia,
A vida que, lenta, me esgota.
Estou despedaçado pelo próprio amor.
Por pensar em quem virá a me amar,
Por um ser que nunca me amou.
Aflito, degenerado, como cacos espalhados ao chão;
O sangue que escorre dos meus olhos, clamando por um perdão que não virá.
O coração aperta, o ar me falta...
Eu a desejo, mas em meu peito habita o medo:
O medo de que, no lugar onde estou, haja outro.
E que, ao fim, eu seja traído, esquecido...
Como restos de lixo descartados ao relento.
Será que um dia serei amado?
Rabisco as palavras que expressam muitas vezes o que eu não consigo dizer. Rasgo as folhas que ecoam os meus anseios e conjugam o meu medo de arriscar com a impossibilidade de largar. Esqueço que tudo o que foi liberado de mim assombra o meu reflexo no espelho. Até se eu aprender como esquecer o que eu me tornei a ser, eu ainda a mesma serei.
Sem estilo
Eu não tenho estilo
Rabisco o que quero
E como quero
Não me prendo a estilos
Até tentei ter um
Mas não tenho nenhum
Minha mão é livre
Discorre sem cabresto pelas palavras
Não se deixa dominar
Não se prende, só escreve
Tem seus dias de lirismo
Dramatiza meus momentos
Decanta amores e amigos
Inferniza quem se opõe no caminho
Eu não tenho estilo
Sou indefinido
E sem esse tal de estilo
Eu escrevo com estilo
Meus rabiscos descabidos
Acredito que,
O que engrandece o artista não é a obra
Mais seu rabisco...
Pois é no rascunho mal feito que se encontra
A emoção da inspiração
A verdadeira face do poeta!
RABISCO DE AMOR...
Rabisco fantasias
Para enfeitar os dias
Rebusco atalhos
Pra andar na lua
Saltitando entre as estrelas
Sapeca e faceira
Vôo alto na imensidão do céu
Pra ver o sol nascer
Empresto os raios dourados
Faço um laço perfumado
E mando recados
De amor...pra você
desculpe amigo,Mas eu não sei conviver contigo
somos diferentes até no rabisco
não iria dar certo isso comigo
.Desculpe amigo !
Ela é uma deusa desenhada a mão sem nenhum rabisco.
Que coisa linda inspiração dos céus já virou meu vício.
“ Rabisco linhas incertas e vejo borrões no meio de traços incompletos, são rascunhos do meu destino incerto”.
Na perfeição da pele seja ela qual cor for. O traço, o risco, o rabisco, das cores não inibem a dor. O olhar atravessado daqueles que se dizem tolerantes, mas no fundo do mais profundo abismo do consciente, reina nos cômodos periféricos das mentes, todo e qualquer tipo de preconceito frequente.
Rabisco nas nuvens
pensamentos absortos
pequenos relâmpagos faíscam
e abraçam o imponderável.
Toda palavra é precipício e salvação
chuviscos dentro da alma
invadindo o porão de lembranças.
