Quero Ficar Contigo
veneno.
Sei como ele desce pela garganta e como parece ficar preso no meio do peito antes de chegar no estômago. No começo é quase nada, só um gosto amargo na boca. Depois vem o calor. A barriga começa a apertar, como se tivesse alguma coisa se espalhando por dentro, queimando devagar.
Eu sei que ele está ali porque começo a pensar diferente.
Qualquer coisa ganha outro peso. Uma coisa pequena fica grande. Um silêncio parece esconder alguma coisa. Uma ausência começa a incomodar. Uma conversa que eu nem ouvi parece ter mil possibilidades dentro dela. E eu fico tentando descobrir o que aconteceu sem ter como saber.
Quanto mais eu penso, mais ele queima. Quanto mais tento entender, mais parece que preciso entender outra coisa antes. Eu volto para os mesmos pensamentos, lembro de coisas que já aconteceram, misturo com coisas que poderiam acontecer e, quando percebo, já estou sentindo no corpo alguma coisa que ainda nem aconteceu de verdade.
Minha boca fica seca. A respiração muda. O estômago fecha. Fica aquela sensação quente e ruim, como se eu tivesse engolido alguma coisa que meu corpo sabe que não deveria estar ali.
E eu não sei exatamente do que tenho medo.
Eu tenho medo do que não conheço, do que não consigo ver, do que acontece quando não estou perto. Tenho medo das coisas que não consigo controlar e das coisas que não consigo perguntar sem parecer que estou procurando um problema onde talvez não exista nenhum.
Mas o corpo não entende muito de talvez.
Ele sente primeiro.
Sinto, eu.
Sinto mesmo quando uma parte de mim sabe que pode não significar nada. Sinto mesmo quando não tenho uma resposta concreta. Sinto porque existem coisas que já vivi, coisas que ficaram em mim de algum jeito, e quando alguma coisa toca nesse lugar o gosto do veneno volta.
Eu não escolho sentir isso.
Queria conseguir simplesmente olhar para alguma coisa e deixar passar. Não ficar imaginando, não procurar significado, não sentir aquela pressão no estômago. Só que eu não consigo mandar a sensação embora só porque sei que ela pode estar errada.
Eu sei o quanto esse veneno pode me fazer mal, mas não sei se vou conseguir impedir que ele entre.
Porque não é só uma coisa que eu penso.
Eu sinto no corpo.
Sinto a garganta fechar um pouco, o peito pesar, a barriga queimar. Sinto vontade de me afastar, de ficar quieto, de não falar enquanto tento entender o que está acontecendo dentro de mim.
Guerra interna e é só dentro que acontece tudo.
Eu não quero viver assim. Não quero transformar tudo que não conheço em alguma coisa que preciso temer. Não quero que o medo faça com que eu enxergue perigo onde talvez exista apenas uma coisa que eu ainda não entendo.
Mas também não consigo fingir que não sinto.
Então acho aue é isso que eu ainda não sei fazer, sentir o gosto do veneno sem deixar que ele me convença de que tudo ao redor está contaminado.
Porque algumas vezes ele vai voltar.
E eu ainda não sei quanto tempo vou levar para aprender a sentir a queimação sem precisar descobrir de onde ela veio.
"Se você só defender a verdade, é extremismo, polarização. Se ficar do lado da mentira, é extremismo, polarização. Segundo os que se julgam 'racionais', você tem que ser o equilíbrio...
Chamo isso de ser conveniente, falso e oportunista.
Quem fica em cima do muro está apenas observando e aguardando o momento conclusivo para descer sem danos e tirar vantagem da situação oportuna.'
A omissão é o ato mais vergonhoso do ser humano;
é o fundo do poço da covardia, do oportunismo e da indiferença.'"
Na festa você tem forças para ficar horas; no estudo bíblico, cinco minutos já parecem peso.
Você ama o banquete do mundo, mas rejeita o pão do Céu. Depois pergunta por que vive fraco.
Ficar bajulando quem tem unção e azeite não acende lâmparina nenhuma.
Azeite não é contágio, é construção.
Não adianta negociar agenda, acesso, foto ou proximidade.
Unção não se transfere por convivência,
nem se herda por “panelinha”. miriamleal
Às vezes, oferecer a outra face é ficar em silêncio.
Outras vezes, é se afastar.
E em alguns momentos, é confrontar com verdade, sem ódio no coração.
miriamleal
Amar a misericórdia é escolher perdoar, mesmo quando a dor insiste em ficar. É olhar para o próximo com compaixão e valor, lembrando que também vivemos da graça do Senhor. miriamleal
Aprendi a ficar onde Deus me colocou sem transformar a saída em condição para continuar confiando nEle.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo.
Salmo 23:4
A santidade bíblica não é uma plataforma para ficar acima dos outros.
É uma cruz que nos chama para baixo, aos pés de Cristo.
Amor de verdade não procura alguém perfeito. Procura alguém por quem ainda valha a pena ficar, mesmo nos dias difíceis, nas diferenças e nas imperfeições. É escolher a mesma pessoa de novo, e de novo… porque, no fim, nenhum orgulho deveria ser maior que a vontade de continuar amando.
Amar dói, sim. Dói porque amar é se permitir ficar vulnerável diante de alguém, é baixar as defesas, abrir o peito e deixar que o outro conheça lugares dentro de nós que quase ninguém alcança. Machuca quando os sentimentos não caminham no mesmo ritmo, quando um sente mais depressa, quando o outro não consegue compreender a intensidade daquilo que carregamos, quando faltam palavras, quando sobra distância ou quando a saudade deixa de ser apenas ausência e passa a pesar fisicamente no peito, como se também tivesse corpo, presença e voz. O amor assusta porque nos tira a ilusão de controle, desmonta certezas, expõe medos, inseguranças, expectativas e todas aquelas pequenas rachaduras que passamos tanto tempo tentando esconder do mundo. Amar alguém de verdade é aceitar que essa pessoa terá acesso às nossas partes mais sensíveis e, justamente por isso, também terá, mesmo sem querer, a capacidade de nos ferir. E talvez seja esse o preço inevitável de sentir algo tão profundo. Mas, apesar de todo o risco, dos tropeços, dos desencontros e das dores que aparecem pelo caminho, amar ainda é uma das coisas mais bonitas que podem nos acontecer. Porque, junto com o medo, existe o acolhimento; junto com a saudade, existe a alegria do reencontro; junto com a vulnerabilidade, existe a liberdade de poder ser quem somos sem precisar esconder cada imperfeição. Existe o riso frouxo que nasce sem esforço, o abraço que parece colocar o mundo em silêncio por alguns instantes, os pequenos gestos de cuidado, os olhares que dizem mais do que qualquer palavra e aquela sensação rara e insubstituível de encontrar em alguém um lugar seguro para descansar o coração. Talvez amar seja justamente isso: aceitar que algo tão bonito também pode machucar, compreender que não existe entrega verdadeira sem algum risco e que não existe vínculo profundo sem vulnerabilidade. No fim das contas, a gente se machuca um pouco, aprende, cicatriza, se reconstrói e, mesmo sabendo que amar nunca vem acompanhado de garantias, continua querendo sentir tudo outra vez. Porque, por mais assustador que seja entregar o coração e correr o risco de vê-lo ferido, viver tentando protegê-lo de qualquer sentimento seria um estrago ainda maior. Talvez seja por isso que continuamos escolhendo o amor: porque algumas dores passam, algumas cicatrizes permanecem, mas aquilo que sentimos quando encontramos alguém que nos faz sentir acolhidos, compreendidos e inteiros é grande demais para ser trocado pela segurança de nunca sentir nada.
As promessas podem ficar indisponíveis no decorrer dos dias,
Então, vamos viver o que pode ser aproveitado no hoje.
