Querer bem e uma Prece que se Reza por Alguem

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Ela é feita de um silêncio que não está vazio.


O silêncio dela é uma semente enterrada, esperando a chuva certa, a chuva que não vem para molhar a superfície, mas para descer fundo, até o lugar onde as coisas realmente crescem.


Ela escreve poemas em cadernos que ninguém vê. E, neles, ela não escreve sobre o amor. Ela escreve dentro do amor. Como quem escreve dentro de uma caverna, à luz de uma vela, escutando o eco das próprias palavras.


Ela tem o dom terrível de saber o que sente. E o fardo de ter que traduzir esse saber para quem não fala a mesma língua.


Ela é a terra. Não a terra que se pisa. A terra que se cultiva. A que devolve o que recebe, multiplicado. Ela recebeu gestos práticos e devolveu poesia. Recebeu presença e devolveu significado. Recebeu desejo e devolveu alma.


Mas a terra também cansa.


Cansa de explicar por que precisa de chuva. Cansa de ensinar que o sol, sozinho, não faz florir. Cansa de ser olhada como paisagem, quando o que ela quer é ser o lugar onde alguém escolhe morar.


Ela quer ser descoberta. Não explorada, não mapeada, não resolvida. Descoberta como se descobre um caminho que não estava no mapa: sem pressa, com os olhos, com os pés descalços, com a curiosidade de quem não tem medo de se perder.


Ela gosta do fogo. Ah, como ela gosta do fogo! Ela se aquece nele, se encanta com ele, se entrega a ele. Mas ela sabe que o fogo que não respeita a terra a transforma em cinza.


Ela quer um fogo que seja cúmplice. Que entenda que a terra precisa de tempo para absorver o calor. Que saiba queimar devagar, sem pressa de incendiar.


Ela já cansou de partir. Por isso, ela fica. Mesmo quando o silêncio aperta, ela fica. Porque ela acredita que o amor é uma construção lenta, como as raízes que abrem a pedra sem fazer barulho.


Ela acredita que o amor não é o que se fala. É o que se lembra. É o que se sente falta. É o que permanece mesmo quando a pessoa não está.


Ela é uma mulher que aprendeu a ser inteira sozinha. Mas ela quer, um dia, ser inteira acompanhada.


Ela não quer um herói. Ela quer um parceiro de silêncio. Alguém que sente com ela, não só ao lado dela. Alguém que não tenha medo de olhar para o fundo do poço e ver que, lá no fundo, não há monstro.


Há apenas mais ela. Esperando. Plantada. Viva.


Seu nome, em latim, significa "vazia". Mas que ironia. Porque ela é tudo o que há de mais cheio. Cheia de palavras não ditas, cheia de histórias não contadas, cheia de um amor que ainda espera ser alcançado.


E, enquanto espera, ela escreve.


Porque escrever, para ela, é o jeito de não secar. É o jeito de continuar sendo terra, mesmo quando a chuva demora.


... coisas sobre Ela

Não se engane com a delicadeza dela. Ela não é frágil. Ela é uma mulher que sobreviveu à própria profundidade. E isso, meu bem, isso é a coisa mais corajosa que existe.

Ele nunca teve uma árvore para chamar de sua.


Enquanto as outras crianças aprendiam a subir nos galhos, ele aprendia a amarrar cordas. Enquanto aprendiam a cair e serem apanhadas, ele aprendia a cair e se levantar sozinho.


Não havia braços esperando por ele no fim da queda.


Então ele fez das mãos a sua casa.


Ele descobriu cedo que o amor não é uma palavra que se diz. É um nó que se faz. E ele se tornou um artista dos nós — dos nós que seguram, dos nós que protegem, dos nós que salvam.


Mas há um nó que ele nunca aprendeu a dar: o nó que prende uma pessoa à outra sem corda.


Ele olha para Ela e vê uma mulher que ele ama com a força de quem nunca teve certeza de que o amor fica. Cada vez que Ela se aproxima, Ele sente o cheiro do que poderia perder. E ele aperta os punhos, como quem segura uma corda que pode se romper.


Ele cresceu aprendendo que o mundo é um lugar onde as pessoas somem. Não por maldade — por gravidade. Elas se vão como a neblina que ele vê das montanhas: estão ali, e de repente não estão mais.


Então ele segura.


Segura o trabalho, segura os projetos, segura o corpo dela na cama, segura a mão dela na rua. Segura como quem segura a própria existência.


Mas ele não segura as palavras.


As palavras, para ele, são como pássaros que ele não aprendeu a domesticar. Elas voam para longe antes que ele possa nomear o que sente. Porque nomear o que sente, para ele, é abrir a porta do quarto onde a vida já morreu. É lembrar que o colo que teve foi tirado dele.


Ele não fala sobre a ausência que o formou.


Não fala sobre a infância sem porta, sem quintal, sem o som de uma voz chamando pelo seu nome à noite. Não fala sobre o instante em que descobriu que o mundo não tem dívida com ninguém — que o amor não é um direito, é uma aposta.


Talvez Ele aposta n'Ela. Mas aposta com o medo de quem já perdeu a aposta mais importante da vida.


Ele não sabe que o amor não é uma corda. Que não precisa ser segurado com tanta força. Que o amor é como o vento: a gente não segura, a gente sente. E, sentindo, a gente não precisa ter medo de que ele vá embora — porque, mesmo quando vai, ele deixou marcas.


Ele tem marcas.


Cada gesto de cuidado que ele tem por Ela é uma marca da vida que ele perdeu. Cada vez que ele estende a mão para ajudar alguém, ele está repetindo o gesto que a vida não repetiu por ele.


Ele é um homem que aprendeu a ser pai e mãe de si mesmo.


E isso, meu amigo, isso é a coisa mais solitária que um ser humano pode ser.


Então ele não sabe como responder a perguntas. Quando Ela pergunta o que aconteceu, ele responde com o que acontece. Não com o que se sente.


Ela quer o sentimento. Ele oferece o fato.


Ela quer a presença. Ele oferece o corpo.


Ela quer a alma. Ele oferece o que tem: a corda, a proteção, o café quente, a carona, o abraço firme.


Mas não é suficiente. E ele sabe que não é suficiente. E isso, isso o faz sentir-se como um menino novamente: pequeno, incapaz, com as mãos vazias diante de uma mulher que merece mais do que ele sabe dar.


O que ele não entende é que ela não quer mais. Ela quer diferente.


Ela quer que ele se sente no chão com ela. Que ele não tente consertar. Que ele apenas fique. Que ele confie que ficar é suficiente.


Ele nunca aprendeu que ficar é suficiente.


Porque, na vida dele, ficar sempre foi o prelúdio da partida.


Mas agora, com Ela, ele pode aprender. Se ele tiver coragem de desaprender o que a sobrevivência ensinou. Se ele conseguir soltar a corda por um instante e sentir que o vazio não vai engoli-lo. Se ele conseguir acreditar que o amor não é uma coisa que se constrói para não cair — mas uma coisa em que se cai, e se é apanhado.


Ele já foi apanhado por Ela.


Agora, ele precisa aprender a se deixar cair.


... coisa sobre Ele

O menino que cresceu sem árvore aprendeu a ser o próprio tronco. Mas agora há uma mulher que quer ser o chão onde ele pode finalmente deitar. Ele não precisa mais segurar o mundo. Ele pode, pela primeira vez, ser segurado.

Ele construiu uma vida inteira sendo forte. Ele salva pessoas. Ele segurou o mundo com as mãos.


Mas o que ele está aprendendo agora é que o amor não é um resgate. O amor é um lugar onde a gente pode finalmente descansar.


Ele nunca teve um lugar assim. Não na infância. Não na vida.


Mas Ela está te oferecendo esse lugar. E ela não está pedindo que Ele seja perfeito. Ela está pedindo que apenas tente.


Que Ele se permita. Não para agradá-la, mas para e por Ele mesmo. Simplesmente porque merece saber o que é ser amado sem precisar segurar o mundo com as mãos.


... mas talvez Ele só não queira mesmo. Talvez, não com Ela.




... coisas sobre Ele

Como explicar o coração de uma mulher?
Helaine Machado
Dificilmente existe uma explicação.
O coração de uma mulher é como um oceano,
imensamente profundo,
inexplicavelmente grande.
Dentro dele cabe o infinito:
cabem a beleza, a brisa suave
e também as tempestades.
O coração de uma mulher
é como uma orquídea delicada:
capaz de fincar suas raízes
em troncos firmes,
sem perder a delicadeza,
o perfume
e a alegria de viver.
Ele precisa de carinho,
de abrigo
e de cuidados.
Mas quando ferem seu orgulho,
quando tocam em sua dignidade,
ela pode tornar-se uma leoa —
e dificilmente alguém consegue
conter sua fúria.
A mulher também é como um rio:
há momentos de calmaria,
de águas serenas e silenciosas.
Mas não subestime sua força.
Em instantes ela pode se transformar
em correnteza poderosa,
avassaladora como um furacão,
capaz de levar tudo ao seu redor.
E mesmo depois das tempestades,
ainda deixa vida por onde passa.
É também como uma onda:
vai e volta,
se renova,
mas jamais deve ser ignorada,
pois sua força
nunca deixa de existir.
O coração de uma mulher
é um mundo em constante transformação.
Nele nada permanece estático:
ele se reinventa,
se reconstrói,
renasce.
E esse,
é o meu coração de mulher.
Helaine Machado
✨ Se quiser, também

de um Coração de Mulher
Helaine Machado
Dentro do peito de uma mulher
existe um universo inteiro,
um silêncio que grita,
um sorriso que às vezes esconde
tempestades.
Seu coração
não é apenas feito de amor,
mas também de cicatrizes
que o tempo deixou
como marcas invisíveis.
Há dias em que ele floresce
como um jardim na primavera,
cheio de sonhos,
de esperança
e de luz.
Mas há noites
em que tudo se transforma em caos.
As pétalas caem,
os sentimentos se confundem,
e lágrimas silenciosas
molham a alma.
O coração de uma mulher
é forte como rocha
e frágil como cristal.
Ele ama,
perdoa,
se quebra
e mesmo assim continua batendo.
Porque no meio do caos
sempre existe algo
que a faz renascer:
a esperança
de que um dia
seu coração volte a florescer. 🌸
Helaine Machado

Ser Mulher, não é ser apenas uma maçã
Helaine Machado
Ser mulher não é apenas uma simples maçã,
não é fruto frágil ao toque do mundo,
nem sabor que se prova e se esquece.
Ser mulher é raiz que insiste na terra,
é flor que nasce mesmo entre pedras,
é força que dança entre dor e beleza.
É carregar universos no peito,
mesmo quando o mundo pede silêncio,
é ser tempestade e abrigo ao mesmo tempo.
Ser mulher não é ser metade —
é ser inteira, mesmo quando partida,
é ser luz… mesmo quando ninguém vê
Helaine Machado.

O coração de uma mulher
não cabe em qualquer lugar,
é feito de vento e silêncio
que aprende sozinho a cantar.
Helaine Machado

Pensar se torna um ato de sobrevivência. Questionar, uma forma de não aceitar o absurdo como normal.
Não se acostumar com o errado. Não silenciar diante do que fere.
Porque “não pirar” não é ignorar —
é entender, sentir, refletir… e ainda assim escolher não se perder.
Helaine machado

Respeite a voz de uma mulher,
porque nela mora o equilíbrio do mundo.
É canto que acalma, é grito que desperta,
é força que sustenta o que muitos não veem.
Helaine machado

Vasco
No peito do Rio, nasce uma cruz de coragem,
não é só time — é herança, é viagem.
É Vasco da Gama cortando o mar da dor,
levando no escudo a luta, o suor e o amor.
Nas arquibancadas, a voz vira tempestade,
cada grito é memória, cada passo é verdade.
Preto e branco se misturam com a fé da nação,
um povo inteiro batendo dentro do coração.
Quando a maré sobe e o jogo parece perdido,
o Vasco resiste, nunca está vencido.
Porque em São Januário o tempo aprende a esperar,
que até na queda existe um jeito de levantar.
E se a vida aperta como marcador sem perdão,
a torcida responde com alma e emoção:
“Avante, Gigante!” ecoa sem fim,
como se o impossível dissesse: “não é pra mim.”
No fim, não é só futebol no gramado em brasa,
é um povo que luta, é um lar, é uma casa.
Vasco é mais que clube, é chama no olhar:
um jeito de nunca, jamais, deixar de sonhar. HELAINE MACHADO

Tem uma música dentro de mim
G
Que eu tento calar, mas não tem fim
Am
Ela cresce, me toma sem pedir
F
Quando eu vejo, já fez eu sentir
C
É chama viva, não dá pra esconder
G
É como um grito querendo viver
Am
Se eu me entrego, eu volto a ser
F G C
Tudo aquilo que eu nasci pra ser
Helaine machado

Chega
Chega.
Já extrapolou.
Foram segundos…
mas custaram uma vida.
Uma mulher não perde só o tempo —
perde pedaços de si
cada vez que é calada, ferida, ignorada.
Uma hora passa,
mas o que foi tirado
não volta no relógio.
Há silêncios que gritam,
há dores que ninguém vê,
e há histórias interrompidas
antes mesmo de florescer.
Chega de normalizar o que machuca,
chega de aceitar o que diminui.
Porque quando uma mulher perde,
o mundo inteiro perde com ela.
Helaine machado

São 24 anos de espera,
de esperança no coração.
Cada Copa uma promessa
renascendo na nação.
O povo veste verde e amarelo,
leva fé em cada canção.
Porque o sonho nunca morre
dentro da seleção.
Helaine machado

eleição, o povo vai carregando mais uma decepção. Na Copa ou na política, a cobrança vem depois, quando a esperança se perde e a realidade corrói.
Promessa sem resultado não enche a mesa de pão, não leva remédio ao posto nem melhora a situação. Quem sofre é quem espera por alguma solução, e continua enfrentando a mesma condição.
Verso 10
Tem hospital sem médico, remédio em falta também, e o povo se pergunta: "até quando vai ser assim?" A campanha passa rápido, a cobrança fica no ar, porque quem recebeu confiança tem que trabalhar.
Não basta fazer discurso nem aparecer na televisão, é preciso compromisso com a população. Pois quem sente o peso da dificuldade no chão, sabe que promessa vazia não traz transformação.
Refrão
Na Copa e na política existe uma lição: não basta só promessa, tem que ter realização. O povo quer respeito, trabalho e dedicação, porque esperança sem resposta vira frustração.
Helaine Machado 🎤🏙️⚽🗳️🔥

Quis Ficar
Helaine Machado
Quis ficar onde ninguém quis que eu ficasse, como uma raiz insistindo em nascer na pedra. Enquanto muitos diziam "vá embora", meu coração procurava um motivo para permanecer.
Quis ocupar espaços vazios, sentar à mesa onde não havia lugar marcado. Não por teimosia, mas porque acreditava que também merecia ser lembrada.

O zero dividiu dois mundos como uma moldura eterna que não precisa de tela, pois o novo mundo nasce quando o nada decide se medir.
Reno Fioraso

"Viver é uma arte que pintamos a cada desafio."⁠

Soneto por uma Estrela
Francisco Fernandes Torres




Sentado no cais, admirando a bruma,
um vento suave a tocar meu rosto,
o brilho do Sol, em todo o esplendor,
brinda a paisagem; é o mês de agosto.


Surge você, como próprio a uma Estrela;
seu cheiro me toca, como uma pluma;
ondas nos cabelos, nuvens nos pés,
lembrando-me, incauto, quem de fato és:


és mulher, és poder, és a dona da situação;
o Universo se curva a cada passo teu;
somente tu subvertes a Lira de Orfeu.


És mãe, és filha, és amor, és perdão;
criatura divina, replicante da vida,
aos olhos do mundo serás sempre querida!