Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra
Despeço-me da roupa
como quem abandona o dia
e encontro-te na sombra macia do quarto.
Os teus olhos percorrem-me devagar,
com a saliva tranquila de quem sabe esperar. Sinto o teu toque subir pela minha pele como um fogo lento que acorda cada nervo.
A tua boca aproxima-se do meu pescoço, quente, demorada —e o ar entre nós torna-se
mais pesado, carregado de desejo.
A minha boca perde-se
nos teus famintos seios
descobre os caminhos que o corpo guarda para noites em que a razão adormece.
E quando finalmente me puxas para ti, pele contra pele, respiração contra respiração, o mundo encolhe até caber entre os nossos corpos.
Ali ficamos, presos um ao outro,
num ritmo antigo e secreto,
onde cada suspiro diz
aquilo que as palavras
nunca ousariam dizer.
Quando entro no fundo de ti,
o mundo afina
o seu próprio silêncio,
como quem encosta a alma
a um grito no precipício
para ouvir se ainda ecoa.
Há instantes que nos escolhem
antes de sabermos o nome deles
e tu és esse instante:
a forma mais suave
que o destino encontrou
de me tocar.
Há encontros epidérmicos
que não passam,
ficam suspensos,
como lua cheia
a reconhecer o próprio destino
no rosto de alguém.
Há quem carregue no coração a ternura das flores e isso, por vezes, pode ser maior do que o jardim inteiro.
Quem caminha para dentro
aprende que cada caminhada é: uma amputação do vazio onde o universo nos quer por inteiros.
Coraçãmo-te
Coraçãmo-te como quem
guarda um voto de silêncio:
não por renúncia,
mas por reverência.
Quando te aproximas,
o mundo reorganiza-se:
linhas invisíveis alinham-se,
portas internas giram,
e o destino lembra-se da sua
própria geometria.
Quando te penso, o mundo suspende-se,
como se a própria existência
aguardasse instruções.
E descubro que o amor é isto:
uma inquietude tão profunda
que já não precisa de nome.
Carrego-te como quem leva pedras e flores no mesmo fôlego.
No peso que me curva, há um rumor teu, uma memória que se acende entre as rochas, como se cada grão de pólen soubesse o teu aroma.
As flores presas à minha mochila interna respiram contigo, frágeis e obstinadas, lembrando que até o que pesa pode ser ternura.
Caminho, e o vento toca o que não ouso dizer, esse quase‑toque que vive entre o ombro e o mundo.
E no silêncio da marcha, o desejo é só isto:a beleza que insiste, mesmo quando dói, e o caminho que se torna pele quando penso em ti.
P(R)O(B)(L)EMA
Este poema encosta‑se
a ti devagar,
como quem sabe
a melodia
da tua respiração.
Fica ali, no espaço pequeno
entre o teu peito e o silêncio,
onde guardas o que não dizes.
E quando o lês,
ele abre uma porta
dentro de ti:
toca-te sem tocar,
acende-te sem lume,
e fica a respirar
no lugar onde
a tua alma o guardou.
Hoje eu já nem sei quem sou
Procuro dar uma direção a minha alma perdida
Eu penso num instante o que passou passou
Mas não consigo trazer isso para minha vida
Quem deseja ouvir apenas o que lhe convém não possui compromisso com a verdade e viverá cercado por falsos e bajuladores, em um mundo de ilusão.
Os espinhos só ferem os pés de quem caminha; quem procrastina mantém pés e pernas ilesos, mas morre no mesmo lugar."
O reconhecimento, é a moeda com que a vida recompensa quem caminha com verdade, constância e caráter.
"A prova de fogo de uma garantia fundamental não é resguardar quem nos convém, mas assegurar quem nos contraria. Negar o direito alheio hoje é renunciar à própria defesa amanhã."
Sempre fui porto seguro, mas a galera curte mesmo é mar revolto. Então demorô: quem quiser atracar aqui vai ter que saber remar no compasso.
#sambaeumabrejagelada.
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