Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra

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Choro e perco o sono
Num desespero afônico
Abandono-me às horas, sentindo o calor de uma ferida acesa.
Em mim, o precipício entre sim e não faz-me sentir desejos interinos.
Perco o tino, desafino sem clareza; sem espaço.
Num compasso, desafino e divago sobre meus desejos mais censurados.
O poeta, disse, outrora: ''Viver é melhor que sonhar''.
Mas o que seriam os sonhos senão uma coleção em desvãos daquilo que não tenho coragem de viver?⁠

⁠"Tal como o homem que enriqueceu não deve esquecer seus dias de pobreza, para não se tornar arrogante e insensível, aquele que se tornou um letrado, um intelectual, não deve desprezar a miséria espiritual e existencial que lhe serviu de ponto de partida e que será sempre, por contraste, a sua medida da escala humana."

⁠A sorte quer que eu tenha mais liberdade para filosofar.

⁠Dizer bom dia, boa noite, por favor, obrigado são habilidades sociais básicas. Elas favorecem os vínculos. Além disso, ser gentil e educado não custa nada. Aposte nesta ideia!

É mais fácil ignorar, cancelar, não tratar as próprias sombras. É mais fácil julgar que compreender e o homem sempre opta por aquilo que lhe poupa energia. E assim, os seres humanos vão ficando cada vez mais superficiais, pois aos poucos vão desprendendo a ouvir. São insensíveis à voz de Deus, à voz dos seus semelhantes, à própria voz. Por falta de conhecimento do Divino e de si mesmos, optam pelo caminho mais fácil, pela porta mais estreita e se destroem.

A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.

Carolina Maria de Jesus
Quarto de despejo. São Paulo: Ática, 2014.

⁠Preste atenção aos que te cercam... Quando a brincadeira acaba é hora de cair, um por um... Hora de plantar e hora de colher, passou a hora de rir e agora chegou a hora de chorar, olho por olho, dente por dente.

⁠Muita gente que não deseja um bom dia, querendo receber boa noite!

⁠Há casos em que a indignação silenciosa é o mais eloquente comentário.

Machado de Assis
Obra completa. São Paulo: Nova Aguilar, 2021.

Tudo o que vivenciei até aqui, foi um presente Divino, até mesmo os momentos ruins, pois todos eles contribuíram para o meu crescimento espiritual, emocional e pessoal.

⁠O mal só vai prevalecer se o bem não fizer nada.

Se você ainda não se orgulha do lugar em que está, se orgulhe por não estar onde estava.

Estou buscando algo que justifique minha existência, meu desinteresse, minha dor...
Olho a minha volta e nada faz sentido, nada me arrebata.

⁠Sabe porque a representatividade é importante? Porque impede das pessoas se sentirem uma aberração, e fazem elas se sentirem amadas e acolhidas

⁠A solidão é oficina de ideias.

Machado de Assis
Obra Completa. Rio de Janeiro : Nova Aguilar 1994.

Nota: Trecho do conto Teoria do Medalhão.

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⁠Teu olhar me faz enlouquecer. O azul dos teus olhos forma uma combinação perfeita com os meus olhares castanhos, são como as águas dos mares que se misturam com o marrom dos grãos de areia.

⁠Não sei se você já se deu conta, mas você vai ter que se aguentar até o fim. Você será espectador de você mesmo. Você vai ser observador das próprias condutas até morrer. É bem mais legal se você se encantar com você mesmo.

Soneto de Natal

Um homem, – era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno, –
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca.
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
“Mudaria o Natal ou mudei eu?”

Machado de Assis
Ocidentais (1901).



Mais uma madrugada
Em que a insônia
O abismo sem fim me engole,
Mais um finito tempo .

Entre espaço e pensamentos
Corroe, roendo
As minhas borboletas no estômago
Que hoje não passam de cinzas .

Que amargam a minha boca
Que me causam enjôos
Mais um dia em que a única coisa que muda
É o meu humor.

⁠O branco é que diz que é superior. Mas que superioridade apresenta o branco? Se o negro bebe pinga, o branco bebe. A enfermidade que atinge o preto, atinge o branco. Se o branco sente fome, o negro também. A natureza não seleciona ninguém.

Carolina Maria de Jesus
Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014.