Quem sabe um dia eu Volto a te Encontrar

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Andando pra sempre sozinho
E agindo pra sempre
Como se eu fosse sempre
Muito mais que um
Obedecendo a lei que determina
Que o dia termina pra sempre
E que indeterminadamente
Sempre há de nascer mais um
E se juntar pra sempre o hoje
Com todos os outros
Que nasceram antes de anteontem
Não tenho nenhum
Eu venho de lugar distante
Que fica adiante de onde nasce a Lua
Mas como sempre o mundo gira
A Lua queimou numa pira
Perdida na esquina que vira
Desce a rua e chega
Em frente à colina
Onde a noite termina e sempre nasce o Sol
Mas esse Sol também se despede
E o tempo concede mais um dia
E mais um e mais um
E eu
Andando pra sempre sozinho
E agindo pra sempre
Como se fosse eu pra sempre
Sempre mais que um.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu
Procuro urgentemente
Um coração sincero
Pra guardar lá dentro este poema
Que escrevi na folha de papel
Da folha de papel
Eu fiz um avião
O vento veio e o carregou
Saiu em busca
De amor inteiro
E não de meio amor
Alguém que me faça sentir
Vontade de lembrar
Das coisas que falamos ontem
Alguém pra eu poder
Pensar o dia inteiro
Ser dono da saudade que ela sente
E a causa do sorriso em seus olhares
Procuro um coração que também voe
Eu busco urgentemente
A alma inteira e boa e verdadeira
Que queira de verdade
Ser a alma companheira
Dessa metade de alma
Que, feita de papel
Flutua ao léu
Pra andar de mãos dadas na rua
Escrever seu nome junto ao meu
Em algum lugar lá do céu
Pra nunca mais viver à toa
Procuro alguém
Que nada e nem ninguém
Jamais a separe de mim
Alguém que queira alguém assim
Desse jeito que escrevi
Pois o poema
O vento há tempos que o levou
Mas eu ainda estou aqui.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Talvez a ninguém interesse
Creio que não vale a pena
Eu sou apenas um velho tronco
Um pedaço de árvore
Que um dia existiu
Só semente que cresceu aos poucos
E os lugares onde eu fui
Foi seguindo o mundo
Conforme o tempo flui
Eu viajei no tempo
Vendo irem-se os dias
Assim como vão as montanhas
Assim como as pedras
Porque nada é eterno
E tudo é sempre
Sempre louco
Não andei como andam as nuvens
Mas as nuvens também se vão
Sempre se vão
E eu não sei pra onde é que elas vão
Pois duram pouco
E eu só sei que todas se foram
E eu aqui parado
Fui vivendo ao lado de estrelas
Fui vivendo ao lado do Sol
Penso até que o Sol seja uma delas
Penso que tudo flutua
Flutua junto ao rio do tempo
O rio do tempo ruma
A caminho de lugar nenhum
E eu, por não ser nada
Não sou nada
Como nada são as montanhas
Como nada são as pedras, as nuvens
Estrelas e as gentes
Sou somente um velho tronco
De outra árvore que existiu
Que outro dia era semente
E foi crescendo
Cresceu em direção ao Céu
Não sei meu nome
Não me lembro se gravaram
Nome em mim
Só sei que o Céu se move
E move as nuvens e elas chovem
E molhavam minhas folhas
Que secaram, porque tudo chega ao fim
Assim se foram
Como tudo sempre vai
Se vai sem rumo
Destino a lugar nenhum.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Creio eu
Que talvez, o segredo
A bem viver a vida
É guardar sempre pra si
Um pouco de coragem
Misturada ao medo
Saber viver as alegrias
Mas só um pouco dela a cada dia
Penso
Num momento de silêncio
Em meio ao caos
Nem todo mal
Nem todo bem com muito afã
Pra que a vida seja bela
Deixe um pouco da tristeza
Para vivê-la também amanhã
Feche a janela para o Sol
Deixe entrar a escuridão do dia
E você sorrirá
Pra luz do Sol de amanhã
Não se come todo o almoço
Numa única garfada
É preciso tempo pra esfriar
Consolidar, brotar, crescer
Secar e até morrer
Não sinta pressa em livrar-se de nada
Cedo ou tarde as coisas se vão
O tempo é que rege essa vida
E é sempre bom ter lágrimas nos olhos
Pra que se contenha as risadas
Mesmo que elas venham
Vão passar
Pois tudo passa
Tudo e nada
Solidão também faz companhia
Penso eu, que a graça da vida
É saber dividi-la
Não se vive tudo de uma vez
De um fôlego só
Uma só voz
É preciso guardar sempre um pouco
de lágrimas e de sorrisos
E, quem sabe, a presença
de alguém que seja louco o suficiente
Para estar
Sempre presente em nossas vidas
E queira estar com nós.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Sonhei comigo
Onde eu me via
Como um velho abrigo
Cuja companhia
Há muito que eu não tinha
Sonhei comigo
Onde eu me vi
Como jamais pensei que eu era
E percebi que sem atentar
Eu sempre havia sido
Aquela cara era minha
Perguntei por mim
Com certo medo
Assim
Como quem jamais tinha me conhecido
Como alguém que nunca mais eu vi
Mas era eu
Meu velho amigo estava ali
E eu era alguém
Que pensei
Que nunca mais veria
Assim, pela primeira vez na vida
Chorei de alegria
Por uma espera
Que havia chegado ao fim
E era por mim.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Eu tanto pensava em colher em vida
Um espaço entre quatro linhas
Linhas tortas, quiça tivesse
Uma horta de flores que Deus me desse
Regadas da dor doída, ao longo de uma jornada
Eu tanto quis, de querer
Um querer que me foi verdadeiro e existe ainda
Um simples canteiro de céu
Daqueles que nos ensinaram que existia
Desses, que eu tanto ensino a quem puder
Que eles existem
Um pedaço qualquer entre algumas linhas
Daqueles, com nome da gente escrito
Que ao longo do tempo é que se descobre
O quanto era pobre esse nosso pensar
Sobre dor doída ou de sofrimento
Não era, essas coisas não eram minhas
Era apenas sobre toda raiva
Que não fosse devolvida
Era sobre deixar aqui, quando voltar
A todo pedido de desculpas
Que devia ter pedido e que não foi pedida
Era sobre aprender a enxergar
Uma grande conquista
Um tanto assim de céu que já temos
Todo dia sobre as nossas cabeças vazias
Repletas de atmosferas
Era sobre saber ver apenas
Pequenas coisas que estão bem diante das nossas vistas
Pouco importa as flores que cresçam lá
Que nem cresçam, que nasçam mortas
Gira sobre a complexidade das coisas simples
Que tanto nos esforçamos em torná-las complicadas
E, no final, o mais nos interessa
Não passa de um monte de nada, de todo sinceras
É a surpresa de perceber
Que agora, quase nada mais nos surpreende
São as dores que não mais queremos
É o amor que nos ensina a não querer deixar elas aqui
Pra que outros também as sintam
E essa forma sucinta e profunda de viver a vida
É que haverá de regar ou não
Os jardins da outra vida
Porque tudo sempre recomeça
No lugar exato onde termina
Esquecer a pressa de sentir-se
Triste ou feliz
Essas coisas vem
E são sempre mais pesadas para quem não quis
Quando tudo volta e se mistura
E nada mais se encontra
É ali que se acha o segredo
As flores, canteiros, os medos da vida
Uma orquestra de letras e notas misturadas
Volta tudo pro universo enorme
Com o nome da gente escrito
Onde tudo é mais pleno e bonito
Quanto mais pequeno
E sereno é o pranto
Se eu pensar menos em mim
A vida é mais simples assim.



Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Eu tenho um coração tão livre
Que tem horas que sinto
Apesar de não saber voar
Ainda dá tempo de aprender
Pois eu tenho a alma solta
E vem do tempo que eu sonhava
Eu tive um tempo de sonhar
Só não consigo te explicar como é se sentir assim
Saber que o tempo é breve
E eu tenho um coração tão leve
Como num circo de domingo à tarde, cujo ingresso é livre
Mas que é preciso um par de asas para entrar
Porque ele voa ao vento
Voa lento e espera uma notícia boa
Mas há momentos em que ele se fecha
Quem quiser sair, ele deixa
Quem não quer entrar, não precisa
Pois a vida é tão breve; um sopro...uma brisa
Leve como a sensação de liberdade
Que não se sabe que tem e deixa ir num medo que sonhou
Não guardo o peso de nenhum segredo
Nem medo de batalha ou de acordar mais cedo
A vida é um folguedo que passa depressa
Um fogo que se apaga
Eu tenho um coração bem livre e só
Isso é tudo que eu tive.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Os Felizes.

Eu atravessava um mar de verdades
Embarcado numa nau de fantasias
Sendo apenas um cara comum
Assim era a rotina
Eu assim cuidei de mim
Deixando a alma lá no alto da colina
Descia pra vida
Eu era só mais um
Num mar de avenidas
Um avião de papel
Num céu verdadeiro
carregado de mentiras
Esse era o segredo
Era assim que eu vivia
E chegava inteiro, lá no fim do dia
e voltava pro mesmo caminho
Repleto de maldades e inverdades
No íntimo, outro nenhum
Eu tive que aprender a diferença
Entre concreto e quimera
Caminhar descalço e sem nada nas mãos
Somente o latido de um cão eu sabia legítimo
Primaveras verdadeiras
Flores falsas. sóis fingidos
Qual de nós soubera
Decifar seu brilho entre os olhares
Se eles foram milhares?
Subir no trem devaneio
Deslizar em meio aos trilhos
Assim, quando o dia termina
Regresso à minh'alma, lá no alto da colina
Sem pressa, dormir
Comigo ao meu lado
Repleto de calma
Sonhar um mundo perfeito
Nas ruinas do ruido do silêncio
Do imperfeito que me atinge
Saber que é apenas um sonho
Que me aflige e não me fere
Todo dia era do mesmo jeito
Hoje eu vejo olhares vivos
Ativamente em desacordo
Conhecem os segredos do mundo
Tem até vontades próprias
Pensam preferir
Preferem
E seguem sendo enganados
Fingem de outro modo
Atolados no lodo
Felizes
Perdidos na vida.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu queria ter um casaco grande
pra sair à noite no sereno
meu pai me trouxe um que não servia
mas eu ainda uso ele todo dia
casaco pequeno é
que nem casaco grande
só que pequeno
eu quis viver uma grande alegria
e eu ainda a vivo todo dia
vida feliz ou vida triste
depende de quem avalia
eu quero escrever um poema
e não sei fazer direito
escrevo este
não saber fazer
não é problema
poema ruim é melhor
que nenhum poema
escrever coisa bonita
não se compara a dar presente
pois não tem aonde
amarrar aquela fita
assim eu posso estar presente
na vida de quem lê
apesar de quase sempre
parecer estar ausente
e se eu não te contar
você nunca vai saber
que talvez este poema malfeito
tenha sido escrito
enquanto eu pensava em você
queria que você soubesse
que apesar das coisas que digo
no fundo, de verdade
nem ligo
mas não encontro outro recurso
pra te fazer pensar
em mim por um instante
pensamentos que permanecem
distantes o resto do dia
queria apenas te dizer
que acordar não significa
por cor em nada
mas sim, estar de acordo
mesmo não
estando acordado

Inserida por edsonricardopaiva

Uma vez eu te pedi
um par de sapatos marrons
que você não podia comprar
eram os sapatos dos meus sonhos
mas nem tudo estava acabado
voltando pra casa eu ainda tinha
você sempre aqui, ao meu lado
o chão da cozinha, de jornais forrado
pra meus pés descalços
não pisarem chão gelado
apesar dos percalços da vida
a vida, que hoje analisando
faz todo sentido
um dia os sapatos marrons
estavam nos jornais e nos meus pés
eu chutei todas as pedras que pude
mãe, me perdoe se falhei
na infância, hoje em dia
ou talvez na juventude
viveria tudo de novo com você
os tempos ruins
hoje lembrando, foram tempos
muito bons
enfrentaria o mundo de novo
com meus velhos sapatos marrons.

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje eu acordei sem saber ao certo
Se eu pertenço mesmo a este mundo
Ou fazia parte de um sonho
do qual fugi, do qual eu desertei
Recordando a mim mesmo,
nos últimos anos
ficou ainda mais difícil saber
Se estava certo
se aquela sensação
era somente um triste engano
Abro a caixa do correio
Nenhuma mensagem
Saio à rua e me sinto
Como se eu fosse apenas
Um despercebido pedaço da paisagem
Em casa, há tempos sou um móvel
Um quadro na parede
Patética imagem imóvel
Minhas mensagens poéticas
Carecem de estética, de forma, justeza
Minha vida, há muito tempo
vou vivendo sem certeza
Mesmo os sonhos mais sem lógica
Como mágica me fazem sentir
Como se eu fizesse parte
daquele mundo distante aonde vou
sempre que a inconsciencia vem buscar
e parece me dizer
Não acorde, filho
fique aqui com a gente
pois aqui é teu lugar

Inserida por edsonricardopaiva

Primeiro o tijolo
tijolo por tijolo
E eu faço a parede
depois ponho um gancho
no gancho eu ponho a rede
depois vem o cansaço
e ali me desmancho
e faço meu ninho
o sono vem devagarinho
no sono tem sonho
viagem sem tamanho
e eu posso sentir a alegria
de me ver
vivendo um lindo dia
Um dia de Sol
Brilhando no Céu
No Céu tudo se move
As nuvens de algodão
então precipitam
E gotas prateadas
na terra tilintam
escorrem na terra
terra e água formam barro
alguns fazem jarro
e outros tijolo
eu olho o tijolo
e questiono
Será que sonhamos a vida
que vem antes do sono
ou será que a vida
é um sonho?

Inserida por edsonricardopaiva

Se Deus me permitisse
e prometesse ser atendido
eu lhE dirigiria hoje
um único pedido:
Pediria somente que somasse
os dias que ainda me restam
E dividisse ou doasse
Entre as pessoas que ainda precisam
ver prolongados seus dias
Neste mundo
E que depois me recolhesse
Agora, neste segundo
A outro lugar, aonde eu sentisse
Necessária a minha presença
Pois eu ando
tão cansado desta vida
Cansei-me
e meu cansaço ultrapassa
as ilusões desmedidas.
escondidas sob imensas
cortinas de fumaça
Te peço hoje, Meu Pai
Escute teu filho
e se eu merecer
Por favor
Faça.

Inserida por edsonricardopaiva

Ontem eu comecei
a cultivar um jardim
Um roçado
Ou algo assim
Plantei verdades
das mais diversas
variedades
Nasceu discórdia
em formato de pimenta
A terra onde plantei
Não era boa
As pessoas se alimentam
de ilusão
Verdade dá indigestão
E hoje de manhã
Plantei meias-verdades
Qual não foi minha surpresa
Ao ver que ao final da tarde
Havia brotado tristeza
Com cheiro de hortelã
Mas o formato
daquilo que nasceu
Tinha assim,
Uma certa beleza
Que nem sempre
A gente enxerga na franqueza
As pessoas não gostam muito
do sabor da sinceridade
Preferem viver à toa
Uma vida vã
Pra amanhã
Já deixei aqui separado
Vou plantar
Um monte de mentiras
Com sementes
da pior qualidade
que encontrei
Vai nascer felicidade
Com aroma de canela
e sabor acentuado
de Glória vermelha
As abelhas virão ajudar
E então vai dar
Favos
Com gostinho de ilusão
Daqueles que a gente
tanto quer
e sonha
Um dia mastigar no pão
O triste pão da vergonha.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu queria escrever um poema simples
Que falasse um pouquinho só
De coisas que a gente, normalmente
Tem deixado sempre de lado
Eu queria dizer coisas
Que te fizessem perceber
Ou que talvez me acordassem
E fizessem olhar
Pro ar
Pro Mar
Olhar para o Céu
Parar de olhar somente
Para as coisas que definitivamente
Não valem
Por mais que, de repente
Me calem
E que mais tarde
Olhando direito
Não convencem
Muito menos
Impressionam
Pois, na verdade
Nada me impressiona tanto
Quanto os raios do Sol
A fugir por detrás das nuvens
Irradiando Luz prateada
Eu queria só saber
Por que é que não consigo
Te convencer
Por que é que você
Olha, ouve... diz que pensa
Faz cara de paisagem
Mas nunca, porém
Entende nada
Continua vivendo ensimesmada
Parada, julgando o que não viu
Chorando o que não sentiu e nem viveu
Por que é que eu não consigo
Num simples poema simples
Fazer-te entender
As coisas que digo?

Inserida por edsonricardopaiva

Faz um tempo que
eu não sei o que é chorar
Não por falta de motivo ou dor
Vejo estrelas prateadas
Vejo o Céu azul
Que filtradas na tristeza das retinas
de meus olhos
fazem tudo parecer tão incolor
E eu não ligo
Meu amigo
Faz um tempo que eu queria
Transformar
toda esta dor
em gotas lacrimais
que eu as derramasse
por caminhos
Onde não haverei de retornar jamais
Não consigo
A saudade conseguiu fazer
de meu coração
Seu abrigo
E ele agora
encontra-se
Fechado
Até pra mim
Eu desaprendi
ou simplesmente
não notei
que nunca consegui
abrir meu coração
pra libertar
esta tristeza
que nem sei se sinto em vão
tento então,
te dizer
isso que eu digo
Meu amigo.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu tive um pensamento
Um sonho ou algo assim
Lá num canto da cabeça
Eu achei por um momento
Que nesta Estrada
Estrada que não tem fim
A gente precisa, sim
Caminhar para algum lado
Lado certo ou lado errado
Sempre juntos
Porém, separados
Pensamento talvez
Arcaico
Pouco preciso
Precioso
Pensamento talvez
divino, talvez laico
Que surge às vezes
intensos
Às vezes brando
Sempre surgem
Ou surgem de vez em quando
Eu tive um pensamento
Num cantinho da cabeça
Ou sonhei
Com a intensidade da alma
Alma que não se acalma
Alma singela
Que me diz coisas tão belas
Alma grande, talvez miuda
Alma tudo
Exceto muda.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu pedi a Deus
Um pouco de alegria
E Deus deu-me uma folha de papel
Eu pedi a Deus
A alegria de vislumbrar um pouco o Céu
E Deus deu-me uma folha de papel
Eu pedi a Deus
Uma maneira de dizer aquilo que eu queria
E Deus deu-me uma folha de papel
Eu pedi a Deus
Que minha vida não fosse perdida
E Deus deu-me uma folha de papel
Eu pedi a Deus
Asas para voar
E Deus deu-me uma folha de papel
Eu pedi a Deus
Olhos com visão além do alcance
E Deus deu-me uma folha de papel
Eu pedi a Deus Sabedoria
E Deus deu-me uma folha de papel
Eu pedi a Deus
Que após minha partida
Todo Mundo procurasse entender a vida
Que vivi aqui um dia
E Deus deu-me uma folha de papel
Pra eu poder escrever poesia

Inserida por edsonricardopaiva

Acabou-se o mês de janeiro
As contas que eu paguei dão a impressâo
Que já passou-se um ano inteiro
Em fevereiro acabam-se as férias
Fizeram o mês com menos dias
Que alegria!
Para aumentar a miséria
O brasileiro, sem rodeios
Tratou de colocar um carnaval alí no meio
Em pouco tempo chega março
Em menos tempo o correio traz as contas
Eu me embaraço e vou pagando
passo a passo
Passa-se o mês e a gente nem viu
Já é abril
Que já começa com mentira
de um jeito ou de outro
todo mundo se vira
Só eu que me atrapalho
Ainda bem que já é maio
Comemoramos o trabalho e as noivas
Que no final
São a mesma coisa
Chega junho e a gente nem viu
Simbora fazer fogueira
Comemorar a colheita do milho
Meu filho
Estamos em julho
Que desgosto!
Tem hidrofobia em agosto
Passam-se setembro, outubro e novembro
de janeiro?
Nem me lembro
Mês que vem já é dezembro
E assim a vida vai passando:
Praia, carnaval, quentão
fome, miséria, corrupção
violência, ignorância
Um dia a vida acaba mesmo;
pra quê dar tanta importância ?

Inserida por edsonricardopaiva

Eu tenho uma caneca de café
Que traz um sorriso pintado
Se eu me sinto aborrecido
Olho pra ela; não há como ignorar
É um sorriso daqueles sem paga
Parece até que perdi o juízo
Mas é que sou tradicional
sou fiel, metódico e sistemático
Gosto de ler os mesmos jornais
As mesmas revistas e todas as bulas
Preservo há anos o mesmo emprego
Os mesmos amigos e o amor da mesma mulher
Faço as coisas do mesmo jeito
Toda semana
E tomo sempre outro café
Na mesma caneca que traz
Um diferente sorriso
Estampado na mesma porcelana
Um sorriso meio de lado
Meio ingênuo e meio malandro
Meio bucólico e meio assim...
rindo de mim
Mas ainda é um sorriso
Quando ninguém sorri pra mim
Ela está lá
Me esquecem os amigos
Briga comigo a mulher
Tenho problemas no trabalho
Ficam com raiva de mim
aqui em casa
Eu abro o armário
E ela está lá; sorrindo
Minha única amiga de fé
Me estende sua única asa
E me convida pra um café.

Inserida por edsonricardopaiva