Quem Nao da Audiencia Abre Concorrencia
Poesia-me,
mesmo sendo xucro
ludibriado pelo sonho roto
transcreva, que seja escroto
abduzido e saudoso
meio vivo, meio fogoso
poesia-me.
Italiana
Maria, una donna bella
vai a cozinha, pega a panela
acende o fogo, ferve a água
avisa ao moço, vai ter tortellini
para o almoço
e fala com as mão, gesticula os braços
quase alça voo pela janela,
mesa posta e Maria, tagarela, tagarela
mostra a padella
é o tortellini? Indaga o moço
pappardelle com mozzarella.
Suplício
O seu pensamento me apavora
Paralisa o coração
Cabisbaixa vou passando
De soslaio miro os cantos
Com os nervos contraídos
Pulsa o pulso por clemência
Insuportável malevolência.
Romaji
Bitaa, tão disperso e imaturo
ostenta através da criatividade e sociabilidade
o que lhe é superficial
Bitaa é de inútil discussão
precipita-se pela certeza de opinião
escoa a sua energia e vitalidade
sendo contrário à razão
Bitaa, privilegiado de imaginação
pura intuição
trabalho duro, não
Bitaa, exotérico
tem um número certo
2130409670
faça a combinação
é a certeza do euromilhão.
Inalcançável
Sou uma bela flor
Pequenina e delicada
Sou a flor mais isolada
formosura do inóspito
Sopra o rigoroso vento
na haste do cacto imponente
protetor das pétalas plumas
dessa fina flor
que se enleva no movimento
Sou a flor mais difícil
a mais desejável
a que nunca será vista
em nenhum inanimado vaso
ordinário.
Infrassom
Se existe silêncio?
Sim, existe à boca fechada
na taciturnidade dos atos
E quanto ao silêncio da alma?
Quem pode responder?
O vento, no sutil movimento
desnudando a mudez
ao eriçar os pelos
da sua cútis rosada.
Favoritismo
Ah! Tenho todo o direito
de defender a moral política
do meu belíssimo país
Tenho sim o direito, sem doutrina partidária
estou a favor de uma Nação
libertária, expositiva
sem necessidade do dedo que tenta a mim
rotular e influenciar a minha ética ordenada
Tenho sim essa liberdade
a mesma que dou a todos e sem preconceito
porém, longe do fanatismo
do profundo egoísmo
com o propósito do poder individual
gritando aos quadro cantos
que é pelo objetivo social
Isso é nacionalismo extremista
é poderá ser o caos
Seja justo, faça a sua própria cabeça
não preconize um ritual
liderando ovelhas moucas
só instigará parvoíce
sem sentido, fatal
Para ter senso de liberdade e democracia
saia da sua zona de conforto
dispa-se do pensamento infértil
ande sobre a ardente fogueira do miserável
assim será douto para manifestar opinião.
Dualidade
Poesia e fraqueza
a primeira, o medo, a utopia
a outra, covardia
Ao medo, a minha estima
à covardia, antipatia
Obra poética divina
temor, fantasia
revelada na emblemática pintura
da Capela Sistina
à irreverência do grafite
não menos belo
não menos poesia
Caída no abismo, a fraqueza
o lado obscuro da dicotomia
o veneno? A covardia
ocultando a dor
realçada na pupila
picha, rasga, queima e ridiculariza
o medo, a poesia.
Quando sonhadora
Quando sonhadora
prescindo de tudo
eu me aventuro
me divirto
estudo
trabalho
talvez até, amo
Arrasto para as minhas fantasias
pessoas que se iludem
das minhas peripécias
Nossa! como fico ideal
Quando me induzo sonhadora
sou egoísta, até covarde
mas, como não poderia ser?
O sonho é somente meu
no meu sonho
posso tudo
de resto
o problema é seu.
20 de agosto de 2016
A maioria das agressões mascara o medo. A pessoa chega a tornar-se violenta em nome de ocultar o medo que sente, que a torna vulnerável e cheia de fragilidade. A atitude da pessoa em querer provar alguma coisa para mim, fez com que não sobrassem olhos para perceber os milagres que acontecem o tempo inteiro por aí e ao redor.
No dia 20 de agosto de 2016, algo oculto, libertou a pessoa desse medo. Percebeu então, que vida é muito maior do que os relacionamentos viciados. Nesse dia obtive o consentimento para viver o que eu realmente sempre desejei - LIBERDADE SEM CULPA.
Despedida
A luta foi grande, a esperança também
mas, o que tentei fazer certo
foi danoso
Persisti, afundei no lodo
Em cada luta uma derrota
Em cada ponta de esperança
apreciei inenarrável promiscuidade
Segregada e ferida, foi-se a ilusão
Hoje, mais velha e sábia
permito-me caminhar sozinha
como apoio, uma bengala de madeira
que a minha mão com delicadeza abraça
um busto masculino entalhado
no mais precioso marfim.
Divagação
Eu quero uma cadeira
quero uma escrivaninha
quero uma folha de papel em branco
quero a folha de papel sem pauta
sem pauta por não gostar de escrever em papel pautado
escrever?
eu quero uma caneta
quero uma caneta da marca BIC
BIC transparente, tinta azul, ponta grossa e com tampa
a tampa da caneta é importante
entre o ócio e o criar
tira clipe é até cutícula
coça orelha, limpa cantinhos
entre um gole e outro do chá
a minha exigência é muita
não é fácil de realizar
mas, quero mais
quero um cesto de lixo
para dispensar o maldito rabisco.
É triste lembrar da quantidade de idiotas que existem no mundo. Mais triste ainda é saber que do nosso lado existe alguém que não faz parte da exceção.
Entrave
Por que tenho essa ansiedade?
Por que a espera me consome?
Já é madrugada
e continuo com esperança
que o tempo adiante
o que está com a hora marcada.
Sutil artesã
Este livro que com os olhos abraço
vagando entre linhas e espaços
me comoveu ao encontrar uma fotografia
apreciei um rosto
não sei bem se plebeu ou nobre
não me interessou
o que me encantou
estava atrás, o encosto
a almofada colorida
amarela, cor de ouro
com florzinhas de vergel amanhecido
O meu peito de orgulho, inflou
era ela
a almofada resguardada, sem desgaste, impávida
ela, tão distante, tão antiga e tão bela
que cosi e talhei por puro gosto.
O silêncio que esconde
Há perigo no silêncio,
na fala que nunca cresce,
no olhar que se acomoda,
no sim que nunca desce.
A mansidão disfarça o vago,
um abismo oculto e frio,
onde a voz não faz eco
e o coração é vazio.
Aceitar o tudo sem luta,
sem sequer respirar o não,
é como caminhar nas sombras
sem saber a direção.
Quem nunca levanta a voz
nem questiona o caminho,
talvez se perca na ausência
ou se esvazie sozinho.
Medo me dá essa calma,
essa paz sem fundação,
pois no fundo do silêncio
mora a sombra da omissão.
TELEFONE
Estou concentrada e, num disparate, o susto
Um trim, trim, trim
É o telefone a tocar
Esvazia-se momentaneamente o meu cérebro
Inusitadamente, inconscientemente
Como um afogamento é a sensação
Raiva, ódio, sofrimento
Mas tenho que falar
Alô, Oi, Sim, sei lá o quê
Do outro lado, um “como vai você”?
Então reflito, falar
Como vou? Nada mudou
Vou indo, sem pensar
Num presente indecente
Com um muro a minha frente
Mas o que interessa, como vou?
Vou a pé, de trem, de ónibus
Vou como bem me apetecer
Como posso também, não ir
Vou bem, vou mal
Que diferença faz
Que farás por mim
Independente da resposta que receber?
Mas depois que me deixou por um momento, no vazio
Minhas respostas se tornam monossilábicas
Como tu queres ser perfeito
Com seu tosco telefonema?
Atrapalhando o meu estado criativo
Minha concentração perfeita
Meu invólucro intransponível
Quebrado por um telefonema inútil.
Ódio II
ÓDIO II
Amo alimentar o meu ódio
Quero beber deste ódio eternamente.
É ele que nutre a minha existência
Sem essa lâmina não consigo enxergar a indiferença.
Na indiferença dos outros
Encontro a minha sensatez
A minha filosofia do amor que pensa
Na ciência que investiga
No estudo que analisa.
Ao me alimentar do ódio
Estudo a paixão que desequilibra
O orgulho que enlouquece as pessoas
O sensualismo que envenena.
Necessito do ódio para saber
Lidar com a indiferença.
Pode vir de terno, vir com olhos, boca, coração e cérebro
Nada, nada mesmo dará conta dessa presença
Muito menos da ausência.
Por isso preciso de beber mais ódio
Pois é neste ódio que preciso de um coração
De uma frieza, de um raciocínio
Mesmo que doente.
Preciso aprender, e o ódio é a matéria-prima dessa ânsia que alimento.
Este alimento está no objeto do ódio
Alimenta o meu rancor, a minha ira
O meu pouco humor e
A minha pouca sabedoria para entender
E aturar.
Quero o ódio para mim, dessa forma
Nunca serei indiferente.
Paixão
Sê como amigo,
O mais verdadeiro.
Sê por gratidão,
com a maior vontade.
Sê por justiça,
bem feita.
Sê por teimosia,
com orgulho.
Sê por caridade,
de coração.
Sê por ganância,
para valer o esforço.
Sê por obrigação,
para o certo.
Sê por paixão,
a mais intensa.
Sê por impulso,
sem arrependimentos.
Sê por amor,
irás ao céu
Sê assim,
que com o manto de minha paixão
te doutrinarei.
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