Quem
De quem será que foi a ideia
de inventar a morte
dividindo assim a vida em dois
Será que pensou antes no "antes"
Para que o suspense, chamado existência
lhe desse a grata satisfação
de fazer a gente aguardar tanto tempo
Pra saber o que existe depois
Será que vai causar decepção?
Então
Quem foi que inventou a vida
E jogou tanta gente no Mundo
Sem ao menos dar preparo
Quem criou o desamparo
o desespero
a espera
o inverno e a primavera
eu já sei
que quem inventou a distância
queria vender saudade
mas achei muita maldade
alguém ter criado a infância
e outro ter feito dela
uma coisa assim, tão curta
a criança inocente e absorta
não percebe que o tempo lhe foge
não vê que perde tanta coisa
enquanto brinca de querer crescer
sem saber que a discrepância
entre o ser e o querer
é uma linha muito tênue
e que ela a embaraça, ingênua
perdendo assim o lado bom
da parte que vale à pena
viver assim, sem perceber
é muita falta de sorte
Quem será que inventou a Morte?
Talvez seja verdade
Que eu e você sejamos
Apenas mais um
Apenas um, num Mundo cego
Ou, quem sabe
Eu não chegue nem ao menos
A Ser Um
Antes, Metade
Mesmo assim
Eu não me entrego
Pois eu sou Um
do qual se pode, realmente
Extrair tão somente a verdade
Não sou uma gota d'água na chuva
Uma areia na praia
Ou mais um Inseto na Terra
Eu sou mais uma Estrela
A brilhar no Infinito
Eu sou um Astro no Universo
E, mesmo que você
Pense o Inverso
Meus Versos são Escritos
Para ser lidos por Deus
E Ele Lê, tenho Certeza
Talvez, por isso
Você não enxergue a Beleza
Neles contida
É preciso saber
Enxergar muito além
das coisas que vão e vem
É preciso ver a Luz
Na Luz contida,
Que apesar de proeminente
Tem sempre o poder
de permanecer escondida
Para aqueles, cujos olhos
Só aprenderam a ver
As coisas
que vemos em vida.
Antes de dizer coisas que realmente vale à pena ouvir, verifique se as pessoas a quem você pretende dizer não estão usando fones de ouvido, conversando com o umbigo, contando dinheiro ou admirando-se diante do espelho. Às vezes também pode acontecer de elas ouvirem mas não estarem preparadas para compreender.
No fundo do coração
Nada irrita mais a quem te odeia
do que te ver feliz.
E a quem diz que te ama, também.
Amor não domina, subjuga ou discrimina
Amor não é possessivo
Amor não é possessão
Amor não coloniza ou escraviza
Amor não exige escritura
Apenas se esconde
No fundo do coração
Amor verdadeiro
Não exige nem amor
Amor, quando existe
Nem liga de te ver
Alegre e nem triste
Quem ama se contenta em ver
Fica feliz em lembrar
Se satisfaz apenas
Em saber
Que ainda está lá
Amor não faz nem bem
E também não faz mal
Tirando isto
Todo falso amor
É sempre igual.
Sabe quem são as pessoas que tem presença marcante? São aquelas que fazem falta quando estão ausentes.
Até quando há de durar
Quem poderá dizer
Aonde morrem os ventos
Será que é la no lugar
Onde nascem os sonhos?
Os momentos vão passando
A vida corre
Em passos lentos
A vida passa
Esquecemos impulsos contidos
Doutros tempos
há muito idos
Novamente se descobre
Não saber
O que se achava que sabia
Aonde tudo haverá de, finalmente
Dividir-se em dois
Quando é que termina o "antes"
Pra fatalmente vir o "depois"?
Será que estarão presentes
Aqueles sorrisos isentos
Sempre ausentes
Aqueles em que a gente vê
todos os dentes
Invento motivos
Procuro razão
Arranjo uma desculpa
Pra continuar seguindo
O caminho que a vida aponta
Vou contando o tempo
E vivendo além da conta
As maiores dores do Mundo são as minhas
Pois sou eu quem precisa sentí-las
Os maiores problemas do Mundo são os meus
pois sou eu quem tem que resolvê-los
ou conviver com a ausência de solução
As noites mais escuras e solitárias
São as que eu vivo
Pois sou só eu quem vive a minha vida e tristezas
Mas eu não as divido com ninguém
Carrego meu fardo
Suporto as minhas decepções
Aguardo que o tempo as cure ou amenize
O que eu dividi com o Mundo
Foram as minhas vitórias
Alegrias e coisas que venham à somar
E mesmo assim encontro
Falsas amizades e amores
Gente que procura desfazer essas alegrias
Destruir essas vitórias
Tirar de mim aquilo que eu tenho
E elas se incomodam em ver
Que seja sempre entre Eu e Deus
Não espero nada das pessoas
E não divido as minhas derrotas
Minhas derrotas podem ser vitórias para elas
Mas eu sei melhor do que elas
Transformar cada derrota atual
Numa vitória futura
Cada derrota passada
Numa vitória presente
E não houve nesta vida, ainda
Quem tenha me preterido
E não tenha se arrependido
O tempo é Senhor da razão
E eu ainda estou vivo
A cada vez que eu penso
Em deixar de ser quem eu sou
Imagino então outros três
A viver o que eu vivo
e fazer o que eu faço
Um deles não fala, nunca tem vez
O outro não pensa, tampouco se abala
e o terceiro tem nariz de palhaço
Acho que na verdade
Eu já sou os três
Em um concentrado
Ou um quarto
Que é sempre deixado de lado
Portanto
Se ninguém se importa com o que sinto
tanto faz
Vou deixar de lado o Mundo
e transmutar-me
em um quinto homem
daqueles que somem
naquelas horas em que o procuram
Aqueles que dele precisam
Vou tornar-me somente
O Mudo e esquecido
Homem invisível
Um nariz de palhaço flutuante
e seguir adiante
Nesta vida
Que dizem ser uma festa
Onde me oferecem aquilo que resta
Quando alguém me convida
"Quem ama tem paciência!
Está escrito na Bíblia que Deus ama a Humanidade; mas nem por isso Ele deixa de mandar raios sobre a Terra o tempo todo"
Edson Ricardo Paiva.
"Penso que quem não conhece
Pode ser que pense que era e compre
Pois o som não se propaga no silêncio, o rompe."
Edson Ricardo Paiva.
(Sob o silêncio da lua)
Como criança
Você lança a pedra pro alto
E ri de alegria incomum
Aquela que só tem quem desconhece
Taca fogo na floresta imaginária
E pula de felicidade e dança
Dança como quem dança na chuva
Chuva cai como uma pedra
Apaga a chama da floresta
Lança pro alto a fumaça
Qual criança, desconhece a direção
Deixa por conta dos ventos que levam palavras
Elas vão como a fumaça
O destino da pedra era o chão
Quem sabe, uma vidraça
Não te cabe a direção dos ventos
Não se sabe a profundeza da lagoa
Onde se lança a pedra a saltitar mil vezes
As águas sempre se evaporam
E as nuvens choram de comum tristeza.
Edson Ricardo Paiva.
Somos humanos
Fazemos planos que não dão certo
desejamos ter por perto
Quem já não nos quer
Desejamos coisas impossíveis
E temos sentimentos mundanos
Isso é perfeitamente normal
Ainda não alcançamos a Divindade
Aceitamos ver crianças
Vivendo sem dignidade
E gostamos de pessoas desprezíveis
Não temos como saber
Mas a cada vez que cometemos erros
Que não sabíamos ser errado
Aprendemos algo novo
Cada vez que alguém nos nega um sorriso
Evita nosso abraço
ou se recusam a apertar a nossa mão
Sem motivo justo
Deus nos sorri, nos cumprimenta
e nos abraça
Se a coisa que você faz hoje
e amanhã houver de ser retribuída
Com ingratidão
Não faz mal; faça
Se amanhã lhe virarem as costas
agradeça
Agradeça a Deus
Por poder viver distante delas
Mas não precisa odiá-las
Elas já odeiam você
E querem, desejam muito
Que você se torne um ser desprezível
Igual a elas
Pois elas sabem
que ainda não podem te alcançar
Tenha piedade daqueles
Que compensam o fato de serem
Pessoa vazias
Ostentando coisas visíveis e brilhantes
Os olhos delas
Ainda não conseguem
Enxergar o brilho do invisível
O valor da paz
a alegria de compartilhar
E a companhia que nos faz a solidão
Não peça a ninguém
que interceda por você
Interceda você por elas
Esteja um passo adiante
Não para vê-las tropeçar
Mas para impedir que tropecem
Pois agindo assim
Mesmo que não seja este teu desejo
Um dia estará tão distante
Física e espiritualmente
Que elas vão tropeçar
cair e se machucar
e se lembrarão de você
Um dia o brilho efêmero
das coisas que elas ostentavam
há de se tornar muito fosco
E elas desejarão ter você por perto
Pra descobrir com você
Como viver sem aquilo
E como adquirir o brilho
das coisas invisíveis
Que elas não enxergavam
Mas nesse dia
Você não poderá ser encontrado
Eu sonho em um dia
Ser e poder ser quem eu sou
E não apenas este
Que o Mundo me obriga a ser
Por menos que eu queira
Me obrigam a interpretar
e não me permitem viver
Eu tenho hora pra sorrir
e não posso conversar com qualquer um
Eu tenho hora pra dormir
Eu tenho hora pra falar
Eu não posso
Não me permitem amar a quem me odeia
E eu sou obrigado a amar
Quem me despreza
Eu tenho hora pra passar fome
Mesmo que eu nunca reclame da comida
Eu sou obrigado a viver esta vida
todo dia
Eu tenho que vestir o que eles mandam
Eu tenho que gostar do que eles gostam
Eu tenho que sonhar o que eles querem
Se eu gostar
Preciso gostar em segredo
Não posso apontar nenhum dedo
e dizer
Que era esta que eu queria
E não há nada que eu possa fazer
Além de sonhar escondido
Com um dia, que eu sei
Não vai haver.
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