Que Saudade dos meus 15 anos
Curvo sob a penumbra ante a luz da lamparina
tateando as emoções tecendo o soneto
meus versos desfilam com clareza alpina
sentimentos que eu julgava obsoletos
a noite me conduz sob uma bruma
a estrofe é o meu próprio dissolver-se
em cada verso minhalma espuma
no rubro sangue de mim faz verter-se
ETERNIDADE
A noite ouço sons de violino,
passarinhos e a brisa abre meus caminhos
há muito tempo eu fui livre...
tipo de ícaro e astronauta
tocando flauta...
um dia empunhei a espada,
peguei meu escudo, montei raio de luz,
alazão branco, romântico...
eu galopei e de tanto sonhar
eu aprendi que eternidade é esta fantasia
que só dura um instante,
então acontecem todos os nascentes
e todos os poentes,
os pássaros cantam a profusão de luzes
ao tom de tua silhueta, sons de violinos...
CAPITAL DO MUNDO
Quando olhei as escadarias da penha,
Nos meus delírios
O mundo lá de cima seria meu
Os lírios do campo e todos os lírios da minha rima
A contemplar o mundo como um deus
Meu Deus que povo feliz,
Que vê o mundo sempre de cima
Da Penha, dos olhos do Cristo,
Da Tijuca, do Pão de Açúcar
E todos os manjares que a gente degusta...
Por isso bahias, paraíbas, e pernambucos
Sejam brancos ou mamelucos
Falam como eles, se vestem como eles...
O Rio é a capital do mundo,
O mundo quer ser carioca
Esse povo relaxado e feliz
Que manga das dificuldades
Gargalha com as necessidades
E brinca de guerra nas favelas
Morre de balas perdidas
Ou se suicida mas vai pro céu...
MINTO
A noite chega trazendo os meus medos
Confusos, diluídos pela idade de profusos segredos,
um galopar voraz a consumir-me olhares,
paisagens tenho, olhares sutis e rápidos nas tardes mornas,
tenho mentiras cambiantes coordenando palavras,
dizem que sei sonhar em forma de sonetos,
sei que minto há muito morreu o deus do olimpo...
esse pégaso pisoteia as pétalas perfumadas
, o passado surge desfolhado e desflorido,
outono das paixões onde passeiam
visagens enrugadas, embrutecidas...
minto é o que me resta
é a minha meta
a vida é linda e infinda
minto porque sou poeta
AUSÊNCIAS DE TODA UMA VIDA
Eu empacotava os meus olhares, guardava bem no íntimo tudo de lindo que ia além do verde das colinas, acalmava a ansiedade que começava nos teus colos, nos teus lábios, eu empacotava as horas, a vida, era o trabalho; depois planejava algumas rimas iluminadas pelos teus dentes, aquecidas pela tua pele; era passional ou fascínio pelo perigo; afora isso o desejo de documentar a inspiração: era fácil ser poeta, tanto que a solidão doía conduzida por um corredor à suburbana fascinante e perigosa. A noite doía nos ossos com o frio de junho e as ausências de toda uma vida, então eu revivia nossos melhores momentos. Planos? Por mais que os fizesse ao amanhecer dissolviam como sorvete com os primeiros raios da manhã, era a pressa incessante de viver que compõe a juventude compassada pelos hits do blacak que mencionavam as despedidas mais tristes, as incertezas mais certas, o ponto mais sensível dos nossos espíritos juvenis desamparados por seres supremos que movem o universo. Quantos sorrisos belos, quantos belos sorrisos; depois do expediente brilhantina e contouré depois de um banho rápido eu ainda me apaixonaria umas três vezes até a meia noite, depois sonharia com a “dentes de madrepérola” ou com o busto de Brigitte, qualquer musa... era fácil ser poeta só faltava-me tempo para observar o nascente, e o crepúsculo se perdia atrás de torres de concreto ou nos corredores frios de olhares perdidos em faturas e memorandos; uma rotina só abalada por um ou outro suicida que ousaria resolver a vida com o voo de alguns segundos, mas nada que obstaculizasse o cotidiano, o IML era prestativo e rápido e os curiosos se dispersavam com ares de impotência diante da morte. Uma ou outra mancha de sangue permaneceria como prova inconteste de como a vida pode ser cruel, no entanto o amor se sobrepõe, a poesia flui e assim, sem fatalidades e desesperos de um suicida; voamos...
Tu és o fulgor inesperado que ilumina meus dias mais cinzentos, transmutando o efêmero em eternidade.
Mergulho no sangue que sai dos meus olhos já mutilados
Uma dor que já não cabe mais na alma e me afoga, me sufoca
Como a mão do próprio diabo espremendo meu pescoço para a sua limonada matinal.
A cura está dentro de mim? Talvez estivesse, antes dessa lâmina me dilacerar por dentro.
Se o inferno existe... é o respirar, é o levantar, é o falar, é o ouvir, é o viver. É acordar e querer dormir de novo. É esse grito enjaulado que NUNCA vai sair. São os pensamentos esmagando o meu cérebro Esse é o inferno
Meus amigos de verdade são uns gênios, pois eles percebem quando a pergunta não pede resposta. Eles apenas concordam, complementam e rimos.
- Viu, por que as árvores crescem para cima?
- Pois é, e as pessoas deitam.
Ter te ao meu lado foi o meu sonho da infancia, beijar-te, tocar-te, amar-te foram os meus desejos desde o dia em que te conheci...entao imagina se nao existisse o dia em que te conheci e se nao tivesse infancia...?
Meu corpo contorce no ritmo da cantiga, percebo meus dedos esfarelar e virar pó, meu rosto é um oco sem fim, eu não tenho nome, sou apenas uma parte deste mundo sem voz, partículas do meu ser são grandes constelações, estou lá e cá, sou a insignificância de uma pedra na altura atmosférica, sou o canto do bosque, tenho fome de sede e sede de fome, vivência enganosa, cá sem querer, querer sem poder, apenas respirando, nas profundezas do meu ser, sem salvamento e sem esperança, só quero me libertar e voar tão alto onde sei que posso chegar, viver conturbadamente viva.
Cogitei hoje cedo ao acordar, a cerca dos meus lares mais privativos; complexos e profundos, reprofundei ainda mais, então tive a sensação de percorrer vários vestibulos cromados que refletiam-me como poeira, lembranças e clarões, então reuni em mim minha grandeza, pra não ruir e findar-me ao acaso, e cair no mesmo despenhadeiro do autodesprezo.
Caminhando pelos meus próprios passos, tento decifrar quem diabos eu sou. Escrevo tanto, mas às vezes parece que tô só dando voltas, sem chegar a lugar nenhum. Será que perdi o fio da meada ou nunca soube mesmo qual era? Às vezes, parece que tô flutuando entre querer e ser, como se tivesse esquecido onde me encaixo nessa bagunça toda. Talvez tenha me perdido no meio do caminho, ou quem sabe tenha percebido que não tem um destino certo pra tudo isso. Eu sou tipo uma sombra, só dando uns passinhos na beirada do meu próprio ser. Às vezes, me sinto um rascunho mal acabado, uma música que não consegui compor. As páginas em branco parecem pedir um desvendar, um jeito de desembrulhar o mistério que me habita.
Embora meus sonhos se voltem para o amanhecer, minha existência permanece envolta em sombras. Minha razão de respirar é tão fugaz quanto a essência do vazio, um enigma inconstante. A cada reflexão, sinto o tempo deslizar como areia, uma contagem regressiva é o que me parece, como segurar uma vela na escuridão, sabendo que sua chama se extinguirá, é o reflexo da minha mente em constante jogatina.
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