Quase
A dor é muito grande, a ansiedade é quase demais pra suportar...
Mas você insiste em me sufocar com seu ódio. Eu já cansei de ser o vilão que não sou.
Meus instintos me insistem nesse espírito quase que extinto.
Minha alma só paira quando a forte energia a acalma.
Insanos proibidos, do real ao imortal, sobrevivo sem final.
Conspiração cruzada, ação não pensada, coração na função.
“Hoje te reconheço nas sombras do que foste. Doaste tanto que quase não restou nada. Agora, ao me preencher, percebo teu vazio. E nele, tua força.”
I. O fio invisível entre a razão e o abismo
Há um fio quase imperceptível que separa a sanidade da loucura. Ele não é feito de lógica nem de evidência. É tecido em silêncio, por forças que a consciência não domina e o juízo não decifra. Às vezes firme, às vezes tênue como névoa, esse fio nos atravessa. E todos nós, em algum momento, já o sentimos estremecer.
A sanidade é frequentemente confundida com controle, previsibilidade, coerência. Mas há loucuras que são apenas formas radicais de sentir. Sentir demais. Sentir o que o mundo não suporta nomear. Sentir o que escapa às categorias da razão domesticada. E há insanidades que nascem não do caos, mas do excesso de lucidez, quando a realidade se mostra em sua nudez crua e insuportável.
Nem toda loucura é ruína. Algumas são defesa. Outras, travessia. Há quem precise se despedaçar para sobreviver à rigidez do que é dito normal. E há quem se esconda atrás da sanidade como quem se fecha numa prisão segura, mas estéril.
A lucidez não é ausência de delírio. É a capacidade de dialogar com ele sem se perder. De acolher o que se rompeu sem rejeitar o que ainda sustenta. De habitar a própria mente como um território sagrado, mesmo quando os mapas falham.
No fundo, talvez sejamos todos dançarinos à beira do abismo. E o que nos salva não é o equilíbrio perfeito, mas a graça com que aprendemos a cair e voltar.
Intensa. Oito ou oitenta. Quase nenhum equilíbrio. Às vezes, eu me canso de ser eu. Às vezes, eu me aceito exatamente como sou.
Amor é uma decisão, não um sentimento. Os sentimentos afloram quase que inexplicavelmente, como a paixão, e oscilam constantemente. O amor não; ele é estável. Os sentimentos dependem do que recebemos. O amor reflete sempre o desejo de dar algo de nós, independente de qualquer coisa ou retribuição. Os sentimentos se acabam com o tempo, enquanto que o amor permanece para sempre!
Quando se é jovem, tem-se a absoluta certeza de quase tudo. À medida em que envelhecemos, passamos a não ter a certeza absoluta de mais nada!
Quase sempre estou em silêncio. Aos sábios e inteligentes, dedico os meus ouvidos e toda a minha atenção; aos imbecis e idiotas, o meu descaso absoluto.
Quase todos os homens podem se sentir gênios quando estão sonhando, porém a genialidade não está em sonhar, mas sim em colocar em prática o que se sonha. Isso é para poucos gênios!
No Brasil, um país terceiro-mundista, Allan Kardec é quase leitura obrigatória (e Chico Xavier um “Deus”). Na França, onde ele nasceu, viveu e implantou suas teorias (de ficção), nem os presidiários franceses querem saber, não figurando nem entre os 15 finalistas.
“Há quase um século que a Parapsicologia desafia dois médiuns a psicografar, cada um, cinco linhas alternadas de um mesmo texto. Um escreve a primeira linha, o outro escreve a segunda, depois o primeiro escreve a terceira linha, e assim sucessivamente, até que cada um tenha escrito cinco linhas.”
É quase como se eu pudesse viajar no tempo
Fecho os olhos e consigo estar lá
Quando ainda não era
Quando ainda não havia deixado de ser
Louco pensar no conceito de passado
No futuro que parece tão distante
E no presente que muitas vezes julgamos insignificante
A única coisa que não podemos mudar é o tempo
O ponteiro do relógio está regendo as leis do universo
E nós o contamos como fazemos com todo o resto
Quantificando sem entender
Sem perceber
O tempo está passando
E nada permanece o mesmo
A pele tende a se enrugar
Pessoas, ora ou outra, vão nos deixar
A comida vai esfriar
A bebida, esquentar
Vai restar no fim de tudo
Bem vagamente
A lembrança como resquício histórico
A saudade vai apertar no peito
Mas nada mais poderá ser feito
Somos quase perfeitos para uns
Cheios de defeitos para outros
Somos arredios para alguns
E só gratidão para tantos...
Não importa o que façamos
Será sempre assim!
O que importa, é que seja você,
Do início ao fim.
As vezes a sanidade me foge
- a pouca que me restou -
e fico alheio, quase mudo...
como um cão faminto,
que revira o lixo e se alimenta,
apesar de tudo.
A saudade, é mesmo essa busca insana, quase desesperada, de encontrar no presente o que ficou perdido na estrada.
Sildácio Matos
Ao navegarmos no barco da vida, podemos nos deparar com aqueles que são quase sempre tempestades que causam desconfortos, inibem a felicidade, que trazem insegurança, algumas feridas no corpo e na mente, dessarte, presenças muitas vezes desagradáveis.
Encontramos também outros que normalmente são brisas, benquistos que aparecem acompanhados da preciosa tranquilidade, que instigam a vivermos felizes, a sermos gratos, admirando a riqueza da simplicidade, que nutrem fartamente o nosso entusiasmo em cada detalhe.
São marcantes e inevitáveis estes encontros e desencontros com posturas imponentes tão distintas, que causam um certo clima de instabilidade que é capaz de afetar o nosso agir e os nossos ânimos, entretanto, certamente, são necessários de vez em quando.
Pondero que é sensato lembrarmos que não somos os únicos a navegar e que todos podemos ter os dois humores, mas é possível tirarmos proveito, aproveitando o máximo da calmaria antes da tempestade e lembrando da suavidade da brisa para enfrentarmos a tempestade.
