Coleção pessoal de sildacio_matos_filho
Se algum sentido nessa vida existiu,
deve ser como uma pérola bem escondida, numa ostra que jamais ninguém abriu.
Hoje a morte me abraçou,
mas não me tirou pra dançar,
apenas se aproximou
e pediu pra conversar.
Deixei que desabafasse
- aprendi a não odiá-la -
sei que cumpre a sua missão
não cabe a ninguém julgá-la.
Me falou das suas angustias
que nunca foi feliz de verdade,
pois sempre que levava alguém,
morria em deixar tanta saudade.
Os Tic-taques de nossos relógios, apenas acrescentaram uma fúnebre trilha sonora às nossas idas.
Sildácio Matos
Os filhos nunca morrem
Não, para suas Mães...
Quando um filho se vai
A Mãe se veste de luto.
Seu universo se desfez
Os dias parecem morrer
As lágrimas parecem congelar
Também parou de viver.
Sua dor é lancinante
Estampada em seu semblante
Tatuada em seu olhar.
A morte levou o seu filho
Ela não pôde evitar
Mas seu amor infinito
Jamais mudará de lugar.
Sabiam que já fui Deus? Na minha infância: sorria, corria na chuva, tomava banho de rio, brincava com os animais. Se isso não é ser Deus, não sei o que é ser um.
Não estamos prontos pra dor
não importa o que se faça
ou pelo o que se passou.
A vida vai te destroçar
e só o poder de tolerar
pode mitigar essa dor.
Mas tua hora vai chegar,
não há como desviar
nem como se proteger.
Pode-se agarrar a fantasmas
rezar em todos os idiomas,
nada vai acontecer.
Cedo ou tarde você desaba
a armadura arrebenta
e a dor vai flechar você.
Podemos não entender,
mas o sofrimento é um legado
que só espera crescer.
Todos serão "sorteados"
há dores de todos os tipos
há dores por todos os lados.
Se a vida desmoronar
E ainda assim não te abalar
Esteja pronta pro jantar.
Se boas novas anunciarem
E os bons ventos soprarem
Esteja pronta pro jantar.
Quando a vida escassear
E em saudade se transformar
Esteja pronta pro jantar...
Agarro-me ao fútil, por vezes,
Numa tentativa quase inútil
De encontrar vãs respostas.
Encontro apenas escombros
De vidas atrapalhadas
Que não criam seus próprios caminhos
Preferindo as mesmas estradas.
Vivem num mundo de sombras
Criado com muitos cuidados,
Para não incomodar os fantasmas
Que os mantem comportados.
Sildácio Matos
Como, quando e onde, nos tornamos tão pobres, diria até, paupérrimos? E não me refiro a posses nem dinheiro.
Quando morre o apego
Que pouco nos tem falado,
Nasce um novo sentimento
Sem amarras, e alado.
É a centelha da liberdade
A verdadeira riqueza
Um despertar de verdade
Um "choque" da natureza.
Um universo novo se mostra
Sem angústia, sem pressão...
O que te oprimia e cobrava
Não fala mais, ao coração.
Morreu tarde, o apego...
Não deixou nenhuma saudade
Pois onde foi sepultado
Nasceu um pê, de liberdade.
Ante o fim inevitável de um verdadeiro amor, a expectativa do que poderia ser vivido, dói tanto, quanto a saudade do que foi.
Há uma paz imorredoura
que não se consegue explicar
uma alucinação "consentida"
difícil de interpretar.
Experiência diária
delírio particular,
mostra de realidade
desejo de sempre pulsar.
A direção, não se conhece
a viagem é particular...
não há bagagens, ou malas
nem estação aonde embarcar.
Vc é seu próprio destino
o único a viajar...
se há uma hospedaria?
Ninguém nunca, voltou de lá.
É a normalidade que me espanta...
a passividade, ante o caos iminente
a esperança aniquilando a realidade
a hipocrisia deslustrando nossa mente.
O disfarce diário, o equivocado...
o desviar do sentimento aparente
sorrateiramente nos matamos,
sem nenhuma resposta convincente.
Buscamos muito pouco, nessa vida,
e muito pouco, já nos é suficiente...
somos prisioneiros de seres miseráveis,
vivendo, miseravelmente.
A marca dilacerante
Da perda, num ínfimo instante,
Que acaba de acontecer.
A dor, de agora em diante,
Será companhia constante
Insistindo renascer.
Jamais seremos os mesmos
Os fantasmas, agora respiram,
E quase podemos os ver.
A vida tomou novo rumo
Perdemos o norte, o "prumo"...
O luto acabou de nascer.
