Quase
O homem moderno colocou uma máquina entre si e quase tudo, mas ainda não inventou uma tecnologia capaz de separá-lo de sua própria vaidade.
Quase toda tirania começa pedindo uma exceção e termina explicando por que a exceção sempre foi necessária.
Na era em que quase tudo desaparece no excesso de informação, permanecer é transformar presença em pensamento.
Pensar profundamente é descobrir que quase nenhuma coisa permanece isolada quando suas relações são suficientemente examinadas.
Em tempos de estranho relativismo, a autocontenção judicial, quase sempre invisível aos olhos da mídia e da sociedade, ainda é a regra, que não pode se deixar seduzir pelos encantos traiçoeiros da seletiva exceção ativista, para o bem do próprio Judiciário, do pluralismo político e da democracia
... muito
retemos do que nos fere
e desacata; e quase nada
do que nos corrige e, ao nos
corrigir, nos guia ao que de fato
importa: superar
e seguir!
Essa história já tem quase onze anos, e sempre me abala muito ver certos casais da ficção. Há cenas que sempre me pegam emocionalmente. Acho que isso nunca vai deixar de ferir.
Meu medo é que nunca mais a veja, porque apesar da gente, tecnicamente, ao menos, ainda se falar, ela vive fugindo, e eu sempre sinto que é a última vez. Que o futuro já não nos tem nessa mediocre e indesejada existência.
- Marcela Lobato
Na escola eu era um erro, em casa eu sou um erro, amando eu quase sempre fui um erro.
Talvez eu seja mesmo um erro.
- Marcela Lobato
Sou sensível, atento e me solidarizo com quase todas as dores do mundo. Muitas das vezes, entristeço me, suspiro e sofro emudecido mas sem aparentar. Por que a vida, como ela é desde muito cedo, me roubou para o bem das continuidades, que estão sempre a frente bem mais que as saudades, todos os meus choros com lagrimas.
O grande problema hoje, dentro da maioria das sociedades, é que quase todo mundo se acha muito importante, mesmo não significando em si, quase nada. Afinal, não existe pessoas importantes, isoladamente, existem sim alguns que transitoriamente ocupam cargos de grande importância dentro do governo, da religião ou da sociedade civil. No entanto, o destaque que pode vir por um tempo mais permanente refere se a suas obras, seu legado social que impactaram para melhor qualidade de vida a um maior numero de pessoas. Seres generosos que espalharam e semearam o bem para o momento que vive e para o futuro. Aqueles que honram a camisa da humanidade.
Boa tarde, é quase Natal!
Que nada te impeça
de se ficar em paz com
si mesmo se reconciliando
mesmo com aquele que
não te permite diálogo,
a oração é a chave desta
e de qualquer situação.
A Gentileza do Olhar
Rua quase deserta debaixo da escuridão celeste, sem luar, nem estrelas, que poderia ser vista facilmente como um lugar de solidão, triste e arriscado — uma impressão muito negativa.
Entretanto, se for observada por um olhar mais atento, logo será percebida a sua beleza admirável, que de alguma forma está viva: um lindo cenário, nada hostil.
Ornada por algumas luzes artificiais bem posicionadas, que trazem um aspecto muito receptivo, apaixonante, num ar de romantismo sereno e marcante.
Caminhar por ela durante a noite, deve ser bastante aprazível, inclusive na companhia da pessoa certa, dando passos tranquilos, sem nenhum motivo para se ter pressa.
Portanto, a gentileza e a calma também se fazem necessárias para uma observação mais completa, que não permita que as coisas significativas sejam ignoradas.
“Todas as mentiras contadas, servem para nos alegrar, só que momentaneamente. Já as verdades, quase nunca nos deixam felizes.”
“Esperar no sentido ter esperança, faz parte de uma vida de preparação, e quase sempre vale a pena. Esperar no sentido de apenas uma espera em algum acontecimento, sem que tenhamos feito nada isso, quase sempre não vale a pena.”
“Nem todos sabem abraçar afetuosamente, nem todos sabem receber um abraço cheio de conforto e quase todos necessitam ser abraçados de todas as formas.”
Pais que educam para agradar quase sempre desagradam o futuro. Pais que educam para o futuro quase sempre desagradam o presente. A diferença entre um e outro chama-se caráter.
O futuro também pode aprisionar
Falamos muito sobre pessoas presas ao passado, mas quase nunca percebemos aquelas que se tornaram prisioneiras do futuro.
Há quem não viva porque ainda sofre pelo que aconteceu.
Mas há também quem não viva porque está permanentemente esperando aquilo que ainda não aconteceu.
Talvez passado e futuro possam produzir a mesma prisão quando retiram nossa presença do único lugar onde a existência realmente acontece.
O passado aprisiona pela lembrança. O futuro pode aprisionar pela expectativa.
Entre os dois existe o presente — frequentemente abandonado enquanto lamentamos aquilo que fomos ou imaginamos aquilo que seremos.
Planejar é necessário.
Sonhar é importante.
Ter propósito nos direciona.
Mas existe uma diferença entre construir o amanhã e hipotecar o hoje para consegui-lo.
Quem vive exclusivamente para o futuro transforma o presente em pagamento de uma vida que talvez nunca consiga usufruir.
Talvez tenhamos confundido evolução com chegada.
Queremos chegar.
Ao reconhecimento.
Ao sucesso.
À estabilidade.
À realização.
À felicidade.
Como se existisse algum ponto da existência em que finalmente pudéssemos declarar: agora tudo está resolvido.
Mas toda chegada inaugura alguma nova partida.
Toda resposta produz outras perguntas.
Toda conquista modifica o horizonte daquele que conquistou.
O horizonte não se afasta de nós. Somos nós que, ao avançarmos, passamos a enxergar mais longe.
Talvez seja por isso que algumas conquistas que pareciam enormes antes de acontecer se tornem pequenas depois que acontecem.
Não necessariamente porque perderam valor.
Mas porque aquele que chegou já não possui exatamente o mesmo olhar daquele que desejava chegar.
E aqui existe algo que raramente percebemos:
não conquistamos apenas coisas; somos modificados pelo caminho utilizado para conquistá-las.
Por isso, nenhum objetivo deveria ser avaliado somente pelo lugar ao qual poderá nos levar.
Precisamos perguntar também:
quem precisarei me tornar para chegar até lá?
Porque algumas conquistas custam exatamente aquilo que pretendíamos conquistar através delas.
Há quem procure sucesso e perca a própria vida tentando alcançá-lo.
Há quem procure reconhecimento e deixe de reconhecer a si mesmo.
Há quem procure liberdade tornando-se escravo daquilo que acredita que poderá libertá-lo.
Nem toda conquista representa crescimento. Algumas são apenas perdas socialmente aplaudidas.
Talvez desenvolvimento não seja acumular cada vez mais.
Talvez seja desenvolver consciência suficiente para distinguir aquilo que acrescenta à nossa existência daquilo que apenas ocupa espaço nela.
Porque também existe excesso na falta.
Podemos ter muito e continuar sentindo que falta alguma coisa.
Podemos conquistar aquilo que desejávamos e descobrir que o desejo era maior do que a necessidade.
Talvez exista uma pobreza produzida justamente pelo excesso:
quando precisamos possuir cada vez mais para sentir cada vez menos.
E não estou falando apenas de coisas.
Acumulamos títulos.
Funções.
Relacionamentos.
Compromissos.
Informações.
Opiniões.
Personagens.
Até que um dia podemos descobrir que construímos uma vida tão cheia que já não existe espaço para nós dentro dela.
Há pessoas que não precisam encontrar alguma coisa. Precisam se desocupar daquilo que as impede de se encontrar.
Talvez por isso evoluir também seja subtrair.
Retirar ruídos.
Abandonar excessos.
Rever necessidades.
Encerrar ciclos.
Desocupar espaços internos.
Nem toda ausência é vazio.
Algumas ausências são espaços finalmente disponíveis para aquilo que ainda poderá nascer.
E talvez seja essa uma das formas mais profundas de discernimento: compreender não apenas o que devemos buscar, mas aquilo que já podemos deixar de carregar.
Porque o peso da vida não é determinado somente pela quantidade de problemas.
Também somos pesados pelas expectativas, personagens, culpas, comparações e futuros imaginários que carregamos diariamente.
Talvez leveza não seja ter uma vida sem peso.
Leveza é parar de carregar aquilo que nunca precisou fazer parte da viagem.
No final, talvez a pergunta mais importante não seja:
“Até onde quero chegar?”
Mas:
“Quando chegar, ainda reconhecerei quem chegou?”
Porque nenhuma conquista deveria exigir como preço definitivo a perda daquele que pretendia conquistá-la.
O futuro merece ser construído.
Mas não às custas da inexistência do presente.
Afinal, talvez o maior fracasso não seja chegar ao fim sem ter conquistado tudo aquilo que desejávamos.
Talvez seja chegar exatamente onde queríamos…
E descobrir que, enquanto construíamos a vida que sonhávamos viver, esquecemos de viver a vida que estava acontecendo.
Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026
