Quanto Vale um Abraco
Há que se pensar na literatura como um agente cultural da sociedade.
Os livros revelam os nossos modos de viver, valores, crenças e costumes.
A escrita é, portanto, uma parte substantiva da sociedade.
E o meu irmão
sabe
muitas coisas.
Sabe, por exemplo,
que um grama de pólen
é como um grama de si mesmo,
docemente predestinado ao lodo germinal,
ao mistério daquilo que se erguerá vivo de ramos,
de frutos e de filhos, com a bela certeza das transformações,
do começo inevitável e do necessário final, porque o que é imutável
encerra o perigo do eterno, e só os deuses têm tempo para a eternidade.
Eu fecho os olhos e estou andando, sabe? É um lugar escuro, frio, e no chão há muita água.
E sabe que eu, quando suspiro, escuto o eco do meu vazio, e é DE UMA IMENSIDÃO TÃO EXTENSA que chega a ser reconfortante estar em um lugar onde o vazio parece ser menor que o meu. Fecho os olhos e percebo que os meus pensamentos me consomem, que sentimentos me levam a caminhar cada vez mais por um caminho escuro, ao invés de procurar um apagador e acender a luz.
Estou sentada à mesa, cercada por um mar de papéis — folhas pálidas que se acumulam diante de mim como fragmentos de pensamentos mortos. Afundo-me entre papéis espalhados, como se cada folha guardasse um pedaço esquecido de mim. A madeira permanece em silêncio, testemunhando o caos que lentamente me engole. Me sinto completamente soterrada por papéis que parecem lápides de pensamentos que nunca encontraram descanso.
AVISO⚠️
não tire nada do lugar
estamos falando da minha mente, ok?
sei onde cada coisa está.
Parabéns pelo seu dia. O dia do aniversário é um acontecimento pra lá de especial. Você chegou a esse mundo para fazer a diferença. Ninguém vem sem uma missão. Descubra a sua e a vida fará sentido para você! Deus abençoe sua vida 🙏
Dê valor no que você tem,talvez seja oque muitos querem,poucos terão e por um descuido você nunca mais o terá!
Em um degrau acima da preservação, há também o desejo de felicidade, que representa a aquisição de um conjunto de realizações individuais e algumas realizações coletivas. Na grande festa da vida, ninguém quer ficar o tempo todo sentado.
A descoberta de que somos um resultado de reações orgânicas bioquímicas poderia nos fazer questionar a nossa pretensa superioridade em relação às demais formas de vida da natureza.
O corpo humano é um verdadeiro poço alquímico de estruturas que regulam nossas emoções e que orquestram os nossos movimentos físicos.
O caráter de um pensador consiste em conservar a curiosidade da infância, a vivacidade de impressões, a tendência em enxergar tudo sob o ângulo do mistério e, ainda, em encontrar em qualquer parte surpresas a serem fecundadas.
Brincante
Fez-se luz onde era sombra
Fez-se festa onde era tédio
Foi um lapso de esperança
Que brotou em meio à seca
Feito riso de criança
(Fernanda Santoro)
Sou um negro septuagenário e periférico, ignorante em formação e movimento constante no combate a epistemicídios.
Da corrida, do poder e da miopia oligárquica: um ensaio Geleiocratico de fomento ao uso do dicionário!
Acompanho, com não dissimulada estupefação, a celeuma que se erige em torno de um ato tão comezinho quanto o de um aspirante ao governo potiguar que, no curso de suas caminhadas eleitorais, se permite correr e pular. Sim. Correr. Há quem interprete esse gesto de trivialidade atlética como uma espécie de transgressão inominável, uma quebra dos protocolos tácitos que regem a liturgia da política tradicional, como se o ímpeto de acelerar o passo, transpor uma via ou adentrar um terreiro para um cumprimento constituísse um desvio comportamental merecedor do mais agudo escrutínio.
Ora, essa reação, longe de significar mero escárnio, revela-se sintoma caudaloso de uma miopia estrutural — e, quiçá, de um mal-estar muito mais profundo, que reside não no ato em si, mas naquilo que ele simboliza. A vitalidade de um postulante é execrada precisamente no instante em que ele ousa disputar os proscênios do poder, espaços historicamente reservados a estirpes que nele adentram já revestidas de sobrenomes ilustres, patrimônios vultosos, capital social consolidado e uma aura de mando que se pretende incontrastável. É sintomático, outrossim, que os mesmos círculos que toleram com complacência quase obsequiosa a ostentação do privilégio mais inquinado se mostrem visceralmente incomodados diante da pujança física e da energia desmedida de alguém que construiu sua trajetória a contrapelo das circunstâncias adversas.
Duas experiências civilizacionais, pois, se contrapõem: a daqueles que aprenderam a caminhar pelos corredores do poder, amparados por estruturas de proteção que lhes suavizaram a jornada; e a daqueles que, desprovidos de tais muletas, precisaram correr para alcançar os mesmos patamares. Não se trata de erigir a pobreza em virtude ou a riqueza em vício — simplificação tosca que repudio —, mas de reconhecer que a origem social produz repertórios, sensibilidades e temporalidades distintas. Quem germinou em solo fértil de privilégios dificilmente compreenderá, em sua plenitude, a urgência de quem conhece o preço de cada degrau conquistado. E é precisamente essa incomensurável distância ontológica que parece atormentar os detratores.
Alysson Bezerra — e aqui o tomo como paradigma do que se discute — não emerge da política como produto acabado de uma engrenagem oligárquica. Sua trajetória, forjada em uma casa de taipa na zona rural de Mossoró, constitui uma ruptura simbólica com a vetusta noção de que os espaços de mando possuem donatários naturais, ungidos por berço ou por batismo social. Essa origem não o torna automaticamente superior a ninguém, mas tampouco o desabilita a ocupar qualquer posto de relevância. Distinção elementar, mas que insiste em ser repetida, pois o Brasil ainda é uma sociedade onde a desigualdade não se manifesta apenas no patrimônio, senão também na permissão tácita — ou na interdição velada — que diferentes indivíduos recebem para ocupar determinados lugares.
Quando o debate se desvia dos escólios técnicos — planos de governo, indicadores fiscais, projetos estruturantes, política orçamentária — para concentrar-se no corpo, no gingado, no fôlego ou na origem do candidato, estamos diante de um fenômeno que exige nomeação precisa: a indigência argumentativa sendo compensada pelo expediente torpe da desqualificação ad hominem. Há nisso uma sofisticação da arrogância — não a espalhafatosa, mas a mais insidiosa, aquela que se traveste de superioridade cultural ou intelectual e que, em sua essência, não passa da tacanhez de quem não suporta ver o "outro" adentrar o sancta sanctorum do poder sem haver solicitado a devida licença histórica.
É o velho pressuposto, ainda sobrevivente em nossas endogâmicas elites, de que certos indivíduos parecem predestinados a mandar, enquanto outros deveriam contentar-se em assistir, mudos e obsequiosos, ao espetáculo. Quando um desses "outros" transpõe a porteira, galga o tablado central e ainda ostenta a pujança de correr de uma residência a outra para aproveitar cada átimo de sua agenda extenuante, a reação de alguns oscila entre o riso mofado e a crítica olímpica. Talvez porque estejam diante de uma coisa que não se aprende nos manuais de administração pública: a premência de quem sabe, com todas as fibras do espírito, o peso de uma oportunidade.
Não se trata, aqui, de desmerecer a carreira pública sólida, a formação acadêmica elevada ou a estabilidade funcional de quem quer que seja. O problema germina quando o privilégio de origem é sublimado em pretensa superioridade de essência, como se o acaso do nascimento conferisse ao indivíduo um atestado de capacidade inata. Ora, ninguém escolhe a família em que nasce, mas cada qual elege, em alguma medida, o uso que faz dos dotes ou das penúrias que recebeu. É por isso que me causa estranheza ver determinados segmentos políticos, tão ciosos de suas credenciais, recorrerem a expedientes retóricos tão comezinhos para diminuir alguém. Se a crítica é política, que se exerça no terreno das propostas; se é administrativa, que se funde em dados; se há incompetência, que se demonstre; se há irregularidade, que se prove. Mas transformar o vigor físico, a origem social ou a maneira de se movimentar durante uma caminhada em instrumento de ridicularização é atestado de pobreza crítica — e não daquele tipo que dignifica.
Prefiro, pois, a política que se movimenta, que suarenta e ofegante alcança o povo, àquela que, enclausurada em sua ufania estática, contempla o próprio umbigo enquanto a realidade se esvai em desigualdades. Não é a corrida, em si, o pomo da discórdia; é a quebra do protocolo invisível que ancora a crasta endogâmica do poder. A democracia possui essa característica subversiva e ingente: permite que pessoas oriundas de lugares que jamais frequentaram os salões áulicos adentrem pela porta da frente. E, quando adentram, não precisam assimilar os trejeitos, os vícios e os tiques daqueles que estavam lá antes. Podem continuar sendo o que são. Inclusive correr.
Ao fim, a diferença monumental reside entre quem corre para chegar mais longe e quem precisa correr apenas para não ser alcançado e tragado pela própria história. Eu, particularmente, alinho-me com os primeiros — com aqueles que, em vez de se imobilizarem na contemplação narcísica do poder, preferem o fôlego, o suor e o movimento perpétuo de quem sabe que o chão se conquista com os pés, não com os títulos. Porque o corpo em movimento é, em última instância, a única antítese possível à estagnação do espírito e à paralisia das estruturas que teimam em permanecer imóveis enquanto o país corre — para trás ou para frente, conforme o vento da história.
Não há maturidade. Em vez disso, há um processo de maturação em constante evolução. Pois, quando há uma maturidade, há uma conclusão e um final. Este é o fim. É quando o caixão está fechado. Você pode estar se deteriorando fisicamente no longo processo do envelhecimento, mas o seu processo pessoal de descoberta diária continua em andamento. Você continua a aprender mais e mais sobre si mesmo todos os dias. Você é o resultado das suas maturações: suas vivências, experiências, decisões e conclusões tomadas.
Homens prudentes podem habitar zonas cinzentas. A prudência é a virtude que permite a um homem ser senhor de dois mundos.
Essa é a dinâmica da vida: ela é iterativa.
Você nunca parte do zero — sempre parte de um ciclo que acabou de se fechar.
Somente através da prudência é que um vício ou mesmo pecado pode se tornar útil ou quiçá até mesmo uma “virtude”.
A ambição de um homem existe, antes de tudo, para tornar suportável o ato de se olhar no espelho após uma derrota.
A generalização é uma ferramenta retórica útil. O problema é a totalização. Um bom aforismo, por vezes, usa a generalização, mesmo correndo o risco de soar como uma sentença totalizante. Para dar à luz boas frases, é preciso coragem.
AMOR DE TODAS AS ESTAÇÕES
Com o passar do tempo, aprende-se que amar não é olhar um para o outro como que em um transe permanente, mas com o olhar amoroso e consciente daqueles que escolheram caminhar lado a lado.
O segredo dos amores que duram habita nos pequenos gestos do cotidiano, nas infinitas formas de dizer "eu te amo", sem pronunciar uma única palavra. É manter acesa a centelha dos primeiros tempos. CRÔNICAS DO AMADURECER, Papo de Gente Grande - Valéria Leão
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