Thamyres Mayrink
Eu fecho os olhos e estou andando, sabe? É um lugar escuro, frio, e no chão há muita água.
E sabe que eu, quando suspiro, escuto o eco do meu vazio, e é DE UMA IMENSIDÃO TÃO EXTENSA que chega a ser reconfortante estar em um lugar onde o vazio parece ser menor que o meu. Fecho os olhos e percebo que os meus pensamentos me consomem, que sentimentos me levam a caminhar cada vez mais por um caminho escuro, ao invés de procurar um apagador e acender a luz.
Estou sentada à mesa, cercada por um mar de papéis — folhas pálidas que se acumulam diante de mim como fragmentos de pensamentos mortos. Afundo-me entre papéis espalhados, como se cada folha guardasse um pedaço esquecido de mim. A madeira permanece em silêncio, testemunhando o caos que lentamente me engole. Me sinto completamente soterrada por papéis que parecem lápides de pensamentos que nunca encontraram descanso.
AVISO⚠️
não tire nada do lugar
estamos falando da minha mente, ok?
sei onde cada coisa está.
