Quanto mais me Conheco Fernando Pessoa
A verdade triunfará
mesmo que dependa
que não olhemos
mais para trás;
ela é indomável
por mais que a
tornem represada.
O sangue do povo
originário derramado
não há como apagar,
A exaustão da tropa
e a desconsideração
com a fragilidade civil
não há como ignorar.
Ciente disso não
necessito lançar
nenhuma maldição,
Pois o destino não
nega à ninguém
a compensação,
por isso prefiro
a reconciliação.
O cansaço dos olhos
do General injustiçado
já faz parte dos meus,
e não há como apagar,
mas ainda há tempo
de colocar a verdade
no lugar e o libertar.
Está bem
na nossa
cara que
o Brasil
nunca mais
foi o país
de antes.
Não sei
sei o
porquê
disso,
mas
a cada dia
estamos
distantes
de um país
que penso
que nunca
mais vamos
reencontrar.
Não sei
quem foi,
da onde
surgiu,
Só sei
que virou
notícia,
porque
interrompeu
a Missa,
e o motivo
que o levou
até a Igreja
da pior
maneira
possível
mais
desconhecido
impossível,
é preciso
investigar.
Ele atirou
contra
o povo,
tirou a
própria
a vida
e levou as
dos outros,
só Deus
para perdoar,
porque
nesse país
pelo jeito
nem mais
em paz
se pode rezar.
Quando você pensa
Que não há mais saída,
Você é muito maior
Do que você imagina.
Do passo do imigrante
És o caminho de volta,
Do coração do povo
És a fé de virar o jogo.
Do grito do preso
És o eco que contagia,
Da canção noturna
És a doce melodia.
Da resistência és
A força que não se dobra,
És a caneta e o papel
Porque és capaz
De escrever a boa nova.
Não adiantou dizer
Por mais de duas
Vezes que não
Quer o meu mal:
Nada tens a querer.
Quem diz ter
Causa na vida
Deve olhar
Bem adiante
Sem pausa
Buscando a
Real chance.
O seu egoísmo,
Que não deixa
Enxergar o 'porquê'
Da bandeira erguida,
Virou uma tentativa
De me fazer retraída.
Quem diz ser em prol
Da liberdade não
Deve escolher
Seletivamente
A quem defender,
E ainda mais
Se o motivo
For o mesmo
Em nome da Pátria
Não deve se render.
A juventude
de idade sempre
é o lado mais
fraco da corda
por ser o lado
mais forte
que pode
forjara mudança.
Não se deve
ajoelhar para
quem quer
destruir a esperança.
A juventude
da alma deve
ser cultivada,
para resgatar
a que está
quebrantada,
e por ser a única
que força política
alguma não
tem condições
de represar.
Não se deve
parar de pedir
a liberdade
a quem se deve
o direito de restituir.
Não há nada mais
Sagrado no peito
Do que essa liberdade
De um oceano inteiro.
As ondas acariciam
As douradas areias,
Cantam as aves
No firmamento,
E reverenciam as sereias.
Não há mais tempo,
Em nem maneira
De conter as correntes
Da fé que nasceu perfeita.
O guerreiro sentou
Na praça na paz,
O quê está escrito
Ninguém mais desfaz.
Talvez não sejam
os versos
mais bonitos,
Porque são
os versos
mais difíceis
da minha vida
já reconhecidos,
Porque estou
habituada
a escrever sobre
romantismo,
e não sobre
autoritarismo;
Enquanto com as
crueldades não
pararem,
notícias tuas
não chegarem
e a ti não libertarem,
Todos conviverão
com estes versos
por todos os lugares.
Buscando uma saída
tenho escrito
os versos mais difíceis
da minha vida,
Não há como não
seguir sem
saber o porquê,
aonde
e como está você.
Não há mais como
disfarçar o espírito
hostil que possuis,
pois a sua ideologia
serve só a vontade
de roubar o sorriso
de quem lhe cerca.
O seu radicalismo
na verdade é para
mascarar a sua
índole perseguidora
que serve a um plano
que não lhe pertence.
Na nossa terra ser
dessa sua maneira
já se convencionou
como grave rotina,
é gente como você
que agride no meio
da rua a Maria Corina.
Colocaram as armas
em plena campanha,
e não estão respeitando
nem mais as crianças
bem nas nossas caras,
derreteram a moral.
Cada cabeça a
sua santa sentença,
aprenda a respeitar
a minha presença
que segue em greve
em tempo fome,
e não estou na
situação do Jorge.
O meu continente
é farto de tudo:
de sanções, tramas,
conspirações,
e de perseguições;
mantém um General
inocente na cadeia
em nome de gente
cheia de alucinações.
Amanheceu
mais um dia
sem notícia,
Exatamente
como eu
imaginava,
É por causa disso
que não mais
não me permito
não tocar
neste assunto,
O silêncio
tem sido
indecente
e abusivo
e não está
parando
de transbordar,
é de direito divino
não parar de falar.
Desde o dia
13 de março
sem nenhum
contato,
Correram
três semanas
e amanhecerá
mais um dia
sem nenhuma
notícia,
Não vou buscar
conformação
porque enquanto
houver
necessidade
serei poesia
até por
precipitação;
Porque se você
nasceu
para ficar
calado,
Tenha a total
certeza,
que não é para
permanecer
ao meu lado.
Quando se é da
terra nesse mundo
o julgamento sempre
acaba sendo mais
pesado para deixar
a cada dia mais o
povo amendrontado,
e nunca o direito
receber crédito
e ser reclamado.
Sempre quis saber
de Milagro por
ser ciente de que
quando ocorre
perseguição política
o mal humano não
elege nenhum lado;
nunca me esqueci
que até assinei um
abaixo-assinado.
Passaram mais de
mil dias e até agora
nenhuma convincente
resposta de liberdade
chegando no caminho,
todo preso político
tem o meu amor
materno como se
fosse meu filho;
porque a vontade
de mudar o mundo
corre direto nas
nossas veias
como cachoeiras
nos meus poemas.
São bem mais que
quatro semanas,
Neste dia que
antecede o Santo
Milagre do Sol,
Falta pouco
para relembrar
o dia e as horas
da injusta prisão
do General,
Não são sete horas,
farão sete meses;
O coração não
está sereno,
o meu Universo
em Abya Yala
a injustiça não cala
por ser de caridade
e herança ancestral.
Colocar a história
no seu devido lugar,
e não abandonar
a memória de quem
jurou a vida pelo povo
para sempre entregar,
é essa a herança
continental na veia
que faz grande
o orgulho que carrego.
A Defesa incansável
vem invocando
o respeito ao Estado
que é de Direito,
a memória sobre leis
especiais e tratados
internacionais,
e a saúde do General
vem se deteriorando
a cada dia mais,
pois o Governo finge
que não escuta mais.
Evidentemente
no mesmo
destino,
partilhando
da exata
agonia de mais
um dia,
por não saber
mais notícia,
escrevo para dizer
o quê sinto,
porque quem disse
o quê pensa
está preso,
não nasci para
me calar,
e nem para ser
escrava do medo.
Não sei mais como
falar ao meu povo,
estou o desconhecendo,
ele luta por um projeto
de poder e ignora que
vive bem abaixo dele.
Não foi por falta de luta,
falei tanto e constatei
que ninguém me escuta,
onde foi que eu errei?
Não foi por falta de aviso,
mas quando alertei que
o sentimento pátrio havia
se esvaziado já imaginava
de que estávamos em risco,
e a democracia em perigo.
Não sei o quê fazer,
antecipo o meu desterro,
e a única coisa que fica
deste presente é o medo.
Não sei o quê fazer,
só sei que povo que
não age com civilidade
entre si colabora para
que tiranos se instalem
e se perpetuem no poder.
Não sei por onde começar:
mas sei que terei de algum
dia na minha vida recomeçar,
mistério do tempo samovar.
Os mais altos
índices de preços
da luz alcançarão
o Brasil e o Panamá,
e isso é só o começo:
do escuro nunca tive
e jamais terei medo;
o autoritarismo roubou
há muito tempo
o meu santo sossego.
O meu ombro dói igual
ao ombro do general,
o meu tornozelo dói como
o braço do Arcebispo,
quero chegar ao ponto
de me esquecer o quê
é sentir como doí isso.
O quê tenho para fazer
ou deixar de fazer,
não te interessa!
Só sei que sempre
que houver um fato novo,
prosseguirei a escrever,
porque não sou importante,
e não tenho o porquê
de dar entrevista:
por ser liberdade e poesia
inconformada contra a tirania.
Na incerteza do destino
ofertada pela travessia:
as letras são as pernas
que me levam mais rápido
para aonde eu achar
tremendo e necessário,
porque com elas alcançarei
o seu pensamento,
e o seu coração há
de se encarregar
do que há virar
sentimento sublime.
Em missão poética
o quê me cabe
neste momento
é estar reunida
em diáspora
e ao mesmo
tempo presa
com cada
um de vocês,
enquanto eu não
devolver cada filho
para a sua casa,
e cada amado
para a sua amada.
Eu estou aos gritos,
E dando mais de mil
Voltas em círculos,
Porque é impossível
Aceitar uma prisão
Que começou do nada,
E não houve comunicação.
Não há como aceitar
Prisão sem provas
E sem julgamento,
Porque não deixa de ser
Uma tortura em silêncio.
Assim em alta tensão
Soube da notícia
Que recebeste a visita
Da sua família
Como o céu azul recebe
O calor do sol,
E isso é de direito,
E não uma concessão.
Dizem que você está
Sendo bem tratado,
Mas ainda não
É justo e jamais
Será o suficiente,
Porque todos sabem
Que és inocente.
Quando se abdica
Da própria vida
Em prol da Pátria,
As cobranças são
Bem mais duras
Do que o costume,
Me dou com toda
A mística a minha
Voz aos leais,
Porque soldados
Para os tiranos
Não são humanos,
E só servem
Para serviçais.
A voz da tropa
Elevada contra
A tirania sempre
É mais perseguida
Do que as demais,
Porque quem se
Dá ao povo de peito
Aberto sempre acaba
Sofrendo bem mais.
