Quando Morremos Sorrimos
Quando se cessa de invadir, se aceita ser invadido.
Quando me lembro que os indivíduos são apenas gotas de saliva que a vida cospe, e que a vida mesma não vale muito mais em comparação com a matéria, dirijo-me ao primeiro bar que encontro com a intenção de nunca mais sair dele.
Quando, liquidados os motivos de revolta, já não sabemos contra o que nos insurgir, somos tomados de tal vertigem que daríamos a vida em troca de um preconceito.
A gente deixa de ser criança quando percebe coisas maiores e mais fortes do que nossos mimados caprichos.
Quando se fala da nossa vida, geralmente se esquece disto, que me parece extremamente essencial: nossa vida é, em todo instante e antes de tudo, consciência do que nos é possível.
Cada um de nós é metade o que é e metade o ambiente em que vive. Quando este coincide com nossa peculiaridade e a favorece, nossa pessoa se realiza por inteiro, sente-se corroborada pelo entorno e incitada à expansão de seu impulso íntimo.
Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta.
Nosso trabalho era erguer no mundo uma ilha, talvez um exemplo e, quando não, o anúncio de uma possibilidade diferente. Por tanto tempo antes solitário, conheci então aquela comunidade que se faz possível entre homens que experimentaram a mais absoluta solidão.
Alguns jornalistas só faltam babar em frente das câmeras, ou nas páginas de grandes jornais, quando falam, escrevem ou ouvem a palavra "Lula".
O poder, para ser exercido, precisa manter sempre a aparência de eficácia. Quando ele passa a ser ignorado, termina por se tornar patético, deixando de ser poder.
Está firme na cadeira? Então escuta esta: deus não existe. É uma invenção compensatória. Quando falta o que comer e vestir, onde amar e trabalhar em paz, alguns compatriotas recorrem à entidade que seria capaz, se não de prover suas carências, de ao menos servir de consolo.
A grande maioria das pessoas não sabe como se distrair nem como descansar. Quando tem tempo, se entedia.
Quando, finalmente, deparamos com o verdadeiro sentido de um sonho, já penetramos no âmago dos segredos de quem sonhou e vemos, cheios de espanto, como um sonho aparentemente desprovido de sentido é engenhoso e só exprime coisas graves e importantes.
Quando se vive, nada acontece. Os cenários mudam, as pessoas entram e saem, eis tudo. Nunca há começos. Os dias se sucedem aos dias, sem rima nem razão: é uma soma monótona e interminável.
Quando falamos sobre trabalho hoje em dia, sempre falamos sobre o quanto estamos nos esforçando ou como todos estamos terrivelmente esgotados.
Humanos, embora não saibamos disso, quando vivemos em uma atmosfera de perigo em que a liberdade e a vida estão em jogo a cada passo, nós nos apegamos ao amor porque a natureza biológica nos impõe isso.
O problema é que o mundo é dirigido por pessoas velhas que se esquecem de como eram quando jovens.
