Quando menos Esperava Voce Aparece

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O primeiro exílio de uma democracia acontece dentro da linguagem: quando a verdade passa a ser chamada de ameaça.

Quando o Estado transforma a exceção em método, a arbitrariedade adquire vocabulário jurídico.

Quando a Justiça teme o governo, o cidadão passa a temer a Justiça.

A SABEDORIA DE NÃO DISCUTIR COM O PASSADO

Há batalhas que só terminam quando decidimos não comparecer mais a elas. Talvez uma das mais difíceis seja aquela que travamos contra o passado, esse território imóvel onde nada pode ser acrescentado, retirado ou corrigido. Passamos anos perguntando por que não aconteceu como desejávamos, por que alguém partiu, por que um amor não permaneceu, por que determinada escolha nos levou justamente ao caminho que queríamos evitar. E, enquanto interrogamos aquilo que já não pode responder, esquecemos que a vida continua nos fazendo perguntas sobre o amanhã.
O tempo, porém, possui uma sabedoria silenciosa: ele não apaga necessariamente as dores, mas muda o lugar onde elas habitam dentro de nós. Aquilo que ontem era ferida pode tornar-se memória; aquilo que parecia fracasso pode revelar-se aprendizado; aquilo que julgávamos ser o fim pode ter sido apenas uma curva que ainda não conseguíamos compreender. Por isso, gratidão não significa agradecer por tudo o que nos feriu. Significa reconhecer que, apesar de tudo, atravessamos. Continuamos aqui. E há uma dignidade imensa em continuar. Chega um momento em que precisamos devolver ao passado aquilo que pertence ao passado. Não porque esquecemos, mas porque aprendemos. Não porque deixou de importar, mas porque já cumpriu sua parte em nossa história. Então alguma coisa dentro de nós se torna mais leve. Descobrimos que não precisamos compreender todos os mistérios para continuar caminhando. Algumas respostas talvez nunca cheguem, e ainda assim o sol continuará entrando pela janela, haverá uma manhã esperando por nós e algum sonho ainda desconhecido poderá nascer onde pensávamos que nada mais floresceria. Talvez esperança seja exatamente isso: olhar para tudo aquilo que não aconteceu como queríamos e, mesmo assim, não perder a curiosidade pelo que ainda pode acontecer. Porque o passado escreveu algumas páginas de nossa existência, mas jamais recebeu o direito de escrever sozinho o último capítulo. Enquanto houver amanhã, a vida ainda terá uma palavra a dizer.

Era a última vez


No fundo,
a gente sempre espera pelo fim.
Mas, quando ele chega,
sempre nos pega de surpresa.


A verdade é que a gente nunca sabe
quando será a última carta,
o último beijo,
o último abraço.


Nunca sabemos quando será
o último toque,
o último olhar,
a última conversa.


A gente não sabe
qual será o instante
em que algo que parecia eterno
se tornará lembrança.


Talvez seja por isso
que o fim assuste tanto:
porque quase nunca avisa
quando está acontecendo.


E só depois,
quando já não há mais tempo,
é que percebemos:


era a última vez.

Há uma necessidade de impor limites quando invadem meu mundo sem permissão.

Quando dentro de mim está uma revolução, visto uma roupagem que por fora tudo parece calmo.

Quando sinto que dentro de mim há um descontrole, procuro manter os pés firmes no chão e a cabeça em equilíbrio.

Querer quando não sabemos se podemos ter, é sofrer antecipadamente.

Quando regressamos é porque tem algo nos esperando.

Quando levamos uma vida equilibrada, nos mantemos firmes para continuar a nossa caminhada sem cair.

Somos eternos quando trabalhamos o nosso lado espiritual. Nele está a nossa força e a nossa garra.

A Arte de Recomeçar


Dizem que, quando entramos em um mundo desconhecido e lá encontramos algo que permanece vivo dentro de nós, é porque o que vivemos ainda não acabou. Há ainda sentimento, há algo a ser desbravado. E nesses encontros que a vida insiste em nos apresentar, ficam peças para se encaixar, momentos a viver, reviver e encarar. Ficam histórias para contar, e esperamos ansiosamente o momento de terminar o quebra-cabeça – para, então, recomeçar um novo.


Vivemos em constantes mudanças: de humor, de comportamento, de atitude, de rotina, de aparência, de emoção. Há aquelas em que mudamos de casa ou de cidade. A de casa, basta chamar uma empresa especializada. A de cidade, comprarmos uma passagem e seguimos em frente. E quando decidimos mudar os móveis de lugar? Ah, essa é a mais fácil! Basta arrastá-los e, de repente tudo muda. O ar fica leve, o ambiente mais aconchegante. Percebemos que um simples gesto pode transformar o que parecia igual.


Existem também as mudanças climáticas e ambientais – essas, difíceis de encarar, pois não temos domínio sobre elas. E quanto as mudanças culturais e sociais? As de costume, de valores, de mentalidade, de paradigmas? Essas, depende de nós. A vida, generosa, vive estendendo um tapete vermelho para que caminhemos sobre ele e entremos nesse grande evento simbólico que é a mudança – um ato de prestígio e celebração. Mesmo com medo, acabamos encarando o tapete. Mudanças são assim: inesperadas, desafiadoras, às vezes doloridas, mas essenciais para que as boas novas entrem em nossa vida. Para isso, é preciso caminhar confiantes o tapete vermelho, de cabeça erguida, com coragem para enfrentar o novo sem medo.


As mudanças existem para isto – para nos ensinar a seguir em frente, sem saber o que vamos encontrar. O segredo é não temer. É viver plenamente tudo o que nos foi destinado – seja na vida profissional, seja no amor – com a atitude de quem entende que mudar também é uma forma de florescer.

Quando compreendermos o nosso legado aqui, todo o resto fará sentido.

Quando compreendermos o grito do silêncio, compreenderemos todo o resto.
Rita Padoin


Do livro "Entrelinhas"

Quando o outro encontra a porta aberta, entende que o caminho está livre para ser ocupado.

Quando a felicidade do outro floresce em nós, é sinal de que o sentimento é recíproco. ⁠

Quando amamos – e o amor é espiritual – a presença quase não se faz necessária, pois os espíritos se reconhecem e se complementam.

Raízes que sustentam


As raízes que nos sustentam, mesmo quando fortes, por vezes se rompem diante das lutas travadas para alcançar aquilo que almejamos. Para que cresçam firmes e consigam sustentar nossa base, é necessário cuidado constante. Nem sempre estamos atentos, nem sempre conseguimos superar os traumas – por isso, precisamos cultivar também momentos leves.


Nossos passos desenham nossos caminhos, e nossas lutas revelam nossos ideais. Para que nada seja capaz de nos derrubar, é preciso fortalecer o que nos sustenta, mantendo nossa base integra.


Raízes são a nossa estrutura. Somos como uma casa: no início, o concreto dá sustentação à fundação. Em nós, porém, são as raízes o elemento essencial dessa construção. É por meio delas que seguimos erguendo quem somos – fortes, resilientes e capazes de enfrentar as intempéries da vida.

Quando chegamos ao topo da montanha, conseguimos enxergar com clareza que superamos os obstáculos.