Quando as Coisas Estao Ruins
Segredos nunca vêm à tona por acaso. Eles emergem quando o peso da verdade se torna insuportável para as sombras que a ocultam.
Segredos nunca vêm à tona por acaso. Eles emergem quando o peso da verdade se torna insuportável para as sombras que a ocultam. No silêncio das mentiras e dos disfarces, há uma tensão constante, como uma represa prestes a romper. A verdade, por sua natureza, busca a luz, e mesmo os segredos mais bem guardados não conseguem escapar do impulso de revelar-se quando o tempo é maduro. Aquilo que foi enterrado nos recônditos mais obscuros do coração ou da mente acabará, cedo ou tarde, emergindo com a força de uma onda irresistível. Não por acaso, mas porque o equilíbrio entre luz e sombra exige justiça e redenção. Quando a máscara cai, não é um acidente – é o destino da verdade a reivindicar seu espaço.
Quando Dialoguei Com José Saramago
Quando dialoguei com José Saramago, em São Paulo, numa de suas últimas visitas, encontrei não apenas um escritor, mas um mestre do sentimento, alguém que transformava palavras em pontes para o infinito. Tive a ousadia de perguntar-lhe como escrever algo que tocasse a alma do leitor, que fosse autêntico e não corrompido pela visão mercadológica do capitalismo.
Ele me olhou com aquele olhar sábio, profundo e sereno, e disse:
“Escrevo, Sr. Joemar Rios, porque amo, goste quem quiser.”
Aquelas palavras foram como uma chave que abriu as portas do meu coração. Desde aquele dia, libertei-me das amarras do formalismo, das grades invisíveis da estética imposta. Passei a escrever com a essência pulsante da minha alma, deixando cada frase carregar uma verdade íntima e, às vezes, rebelde.
Escrevo como quem respira. Escrevo para sentir. Escrevo para viver.
E mesmo que minhas palavras não agradem a todos, elas permanecerão sinceras e autênticas, assim como os conselhos de Saramago que ecoam em mim até hoje.
Pois quando a verdade é conhecida, nem o tempo, nem o medo, nem as sombras podem enterrá-la novamente.
Somente quando a luz ousa atravessar as sombras, o verdadeiro equilíbrio se revela, dissolvendo ilusões e revelando a essência do universo.
Às vezes, as respostas só se revelam quando abandonamos o medo e nos lançamos ao desconhecido. É no limiar do caos que o destino sussurra nosso verdadeiro propósito, desafiando-nos a dar o próximo passo rumo à jornada que sempre nos pertenceu.
Às vezes, o humor é apenas um véu para ocultar nossas verdades, sobretudo quando o medo sussurra e o mistério nos cerca.
A coragem não é a ausência do medo, mas a escolha de avançar, mesmo quando a única companhia é a incerteza e o desconhecido sussurra perigos no escuro.
Coragem não é ignorar o medo, mas enfrentá-lo quando a única certeza é a escuridão do desconhecido e o silêncio dos que preferem não ver.
É sabido que, quando homens se unem por um propósito comum, o impossível se curva diante de sua determinação. As maiores revoluções nascem de alianças discretas, forjadas no fogo de ideais inabaláveis. E é com esse espírito que os elevo a essa irmandade sagrada, herdeiros de uma sabedoria que transcende o tempo.
Início do inverno
Uma estação que nunca me soube bem.
Quando chega, meus ossos choram —
de dor, de tanta dor —
como se lembrassem do fim que dei a nós.
Te sentir era como estar diante de uma lareira,
crepitando como fogos em noites de dezembro.
E aquela sexta-feira, que devia ser celebração,
virou apenas mais uma — sem você.
O inverno segue em mim,
com minha tristeza, minhas dores,
e uma saudade tua… absoluta.
Mortais humanos
E quando dei por mim, escalava a íngreme ladeira da vida.
A brisa das horas batia em meu rosto e acariciava meu cansaço.
Ah! Tempo, tempo...
Por que quanto mais me apresso, mais você se distancia?
São milhões de relógios loucos “tictaqueando” os meus passos, seguindo-me nessa jornada vazia e inexplicável.
O ontem hoje já é passado e corro em busca do amanhã, que não sei o que me reservará. Mas haverá sol e talvez à noite se veja o luar.
Os anos passaram como ventania e enrugaram minha face. Deixaram gravados em meus olhos perdidos a história que me foi emprestada e que interpreto a cada sopro.
Em meio à multidão de iguais, sinto-me diferente, assim como cada um.
Rio-me da soberba, da riqueza dos materiais, do ego maltrapilho.
Mal consigo balbuciar meu grito de liberdade. Pra que? Ninguém o ouvirá.
Será olvidado sob essa montanha de folhas manuscritas, onde se eternizará a saga dos mortais humanos...
