Poemas e textos sobre psicologia que abordam a profissão da mente
Dor
As memórias ainda doem, meu passado ainda me condena e, a cada segundo, esse mesmo passado me atormenta. Depois de anos, sem saber onde estou ou para onde vou, sinto, às vezes, que esse passado não vai parar de me perturbar. Mas o que eu posso fazer, se o passado não muda? Não adianta eu olhar para ele e fingir que não existe ou nunca existiu. O mesmo passado que me perturba foi o que me fez ser quem eu sou. E, mesmo que eu não seja o mais feliz, eu sei que posso sorrir. Mesmo que eu não seja o mais bonito, eu sei que posso ser elogiado. Mesmo sem saber muito bem o que é o amor, eu sei que posso ser amado.
A vida é uma coisa engraçada. Ela coloca pontos de interrogação onde aparentemente já existia uma resposta. Mas o que eu deveria fazer com esses pontos de interrogação? Eu deveria resolvê-los? Ou simplesmente ignorá-los? No final, não importa o que eu faça com eles, pois, independentemente de como eu lidar com isso, vai me causar dor. E o pior é que esse nem é o problema, pois a dor ensina, a dor cria caráter, a dor gera vidas. A dor é necessária para continuar tentando e tentando. Às vezes, até eu mesmo penso: "Será que a dor vai parar? Ou será que ela vai continuar?" E, depois de muito tempo me perguntando a mesma coisa, cheguei a uma conclusão: ela não vai continuar e nem parar, ela sempre vai estar ali, pronta para me perturbar — seja com perguntas ou com respostas. A dor sempre vai me perseguir, não importa o quão rápido eu corra dela.
Existem vários tipos de dor: física, sentimental, psicológica etc. Mas como se lida com essas dores, se você não consegue lidar consigo mesmo? Como posso saber como combatê-las, se, nas minhas memórias, não me recordo de alguém ter me ensinado?
As coisas da vida são difíceis. Sempre vão ser. Mas não cabe a mim decidir quando tudo isso vai acabar — cabe a mim decidir enfrentar tudo isso. Mas como eu enfrento, se já desisti de mim mesmo? As pessoas falam para eu continuar, mas eu mal consigo me amar. Tento entregar um sentimento que, até um tempo atrás, estava apagado dentro de mim. Esse sentimento é o amor. Sim, aquele mesmo amor que pode causar o pior tipo de dor. Mas o amor não é mau — não quando se sabe amar. Às vezes, é normal achar que o amor vai te matar.
Amor — um sentimento, uma palavra, uma emoção, uma demonstração, uma coisa bela. O amor é tudo isso. Mas, infelizmente, o amor também é dor. Só que essa dor some quando, em minha mente, lembro que existe uma pessoa neste mundo capaz de me amar. E também sinto que esse amor que eu sinto por essa pessoa não vai me matar ou me sufocar. Quando as pessoas falam e os passarinhos cantam, eu tampo os ouvidos. Mas, mesmo de ouvidos tampados, ainda consigo ouvir aquela voz dizendo: "Eu te amo, meu amor. Eu sei que tudo isso vai passar." Mesmo que eu me coloque no lugar mais silencioso do mundo, ainda consigo me recordar daquela voz — aquela voz que me faz esquecer toda essa dor.
Mente fragmentada…
A mente que se recusa a reconhecer o outro como sujeito pleno de existência, que tudo reduz à extensão de si mesma, opera em um vazio relacional que desregula e fragmenta o ambiente ao seu redor. Essa estrutura psíquica, profundamente imatura, é marcada por uma fixação infantil no centro do próprio universo, como se o mundo fosse um espelho a refletir incessantemente suas demandas, desejos e fragilidades. Não há, nesse espaço interno, uma verdadeira alteridade; há apenas ecos de um vazio profundo, preenchido pela constante necessidade de validação externa.
A terapia, ao se deparar com esse funcionamento, frequentemente vê-se diante de um enigma: como dialogar com alguém cuja capacidade de estabelecer uma relação genuína é severamente comprometida? O erro comum é tratá-los como adultos, como sujeitos capazes de introspecção madura ou de firmar pactos terapêuticos baseados em metas compartilhadas. Isso é ilusório. O que se enfrenta, na verdade, é uma dinâmica emocional estagnada em uma idade mental muito precoce, onde a raiva, a frustração e a incapacidade de lidar com limites predominam.
As reações das pessoas ao redor tornam-se, então, o principal instrumento de observação. Esse funcionamento psíquico desregula os outros porque demanda, incessantemente, que tudo orbite ao seu redor. O caos criado não é acidental; é parte intrínseca da dinâmica. A terapeuta, ao tentar impor racionalidade ou estabelecer estratégias adultas de diálogo, não apenas falha, mas se torna vítima dessa desregulação, entrando no jogo confuso de manipulação e frustração.
O caminho, então, não está em alianças ou acordos, mas em uma abordagem que reconheça a infantilidade emocional presente. É necessário recorrer às ferramentas da psicologia infantil e das terapias de trauma. Tratar essa mente como se fosse uma criança de três anos não é uma metáfora depreciativa, mas uma estratégia realista. A explosão de raiva, o rompimento abrupto, o desprezo pelas regras de interação madura — tudo isso são expressões de uma psique que opera em um registro de sobrevivência primitivo, onde não há espaço para a verdadeira reciprocidade.
Portanto, insistir em abordagens convencionais, baseadas em diálogos racionais e estruturados, é não apenas infrutífero, mas também ridículo. É preciso reconhecer que o terreno onde se pisa é o de uma mente fragmentada, incapaz de sustentar os pilares da comunicação adulta. A terapia, nesse contexto, não deve buscar acordos, mas sim trabalhar com paciência, limites claros e, acima de tudo, a compreensão de que está lidando com feridas profundas que ainda não cicatrizaram. É um campo de batalha onde a maturidade do profissional é testada a cada momento, diante de uma estrutura psíquica que, para se proteger, não hesita em destruir tudo ao seu redor.
O bom psicólogo não perde tempo falando mal do coaching, hipnose ou qualquer outra técnica. O bom profissional se atualiza e domina todas as técnicas para trazer mudanças extraordinárias para seus clientes
Eu penso que sou forte, porém, diante de algumas situações experimento quão grande é minha fraqueza. Mesmo assim, ergo a cabeça, respiro fundo e vou em paz enfrentar o desafio.
Olhe para dentro de si
Abra a janela interior
Expulse pensamentos destrutivos
Cure-se
Sorria
Vale apena viver com entusiasmo
Sonhe
Busque novos horizontes
Psicologise-se
Reescrever a própria história é renovação interior, reeditar as feridas é escravizar-se no presente.
O caminho mais difícil de percorrer, onde nos deparamos com precipício, escuridão, medo e descontrole emocional, é a via interior.
