Prosa Poetica Vinicius de Moraes
Escrever.
Escrever o que?
Como passar os sentimentos com fidelidade?
Sem a escrita nao se desafogariam as palavras presas na garganta , os nós que apertam o peito .
Ah !!a escrita , se nao fosses tu , confidente sempre disponivel, tantas historias incriveis se perderiam no tempo.
Ainda bem que tu existe , para o bem de quem precisa desabafar , remediar e enriquecer a vida de muitos coraçoes angustiados.
20/01
Perdi a capacidade de assombro
mas continuo perplexa:
esta cidade é minha, este espaço
que nunca se retrai,
mas onde o ardor da antiga
chama, que me movia no mínimo
gesto?
Esperei tanto, no entanto, esvaem-se
na relva, ao sol, no vento,
os sonhos desorbitados,
parte da minha natureza
sempre em luta com o fado.
Perdi também no contato
com o mundo, pérola radiosa, vão pecúlio,
uma certa inocência;
ficou a nostalgia de uma antiga
união com o que existe,
triste alfaia.
Minha felicidade vem de quando estou só
e ninguém me interrompe no poema,
essa espécie de transfusão
do sangue para a palavra,
sem qualquer estratagema.
A palavra é meu rito, minha forma
de celebrar, investir, reivindicar:
a palavra é a minha verdade,
minha pena exposta sem humilhação
à leitura do outro,
hypocrite lecteur, mon semblable.
De algum forma todos nos queimamos algum dia;
de alguma forma mesmo sem fogo sob o frio sob a chuva
que não passa o calor é terrível
no Rio de Janeiro, quem diria,
quando morei aqui na tua idade
não era assim, agora todos sofrem,
todos dizem que calor infernal
que calor dizem todos e é tudo
muito estranho tudo...
Sou um canteiro onde floresces
e nem sabes, sou o caule
indeciso do teu intenso modo de querer,
a linha reta que jamais se alcança,
a hipotenusa de um triângulo qualquer,
o bule sobre a mesa, a música de Bach,
o pássaro pousada no videira
do fundo de um quintal ou de um jardim
onde ninguém sabe, ninguém jamais ficou sabendo,
que este canteiro existe,
que este canteiro não obstante existe.
Em Amsterdam na Diezestraat 6
alguém me espera alguém me quer
alguém dá vida e brilho à minha vida
tão dividida que mal se define entre
aquilo e o que.
Alguém me espera entre tulipas
alguém me espera entre folhas tombadas
sob o sol sob a chuva sob o frio
alguém me espera espera espera.
Alguém constrói a sua casa
como artesã-abelha delicada;
sobre o sofá um quadro, uma explosão,
que cada dia mais entendo, cada ano mais,
e outros móveis, cortina,
cozinha, um banheiro
todo branco.
E para mim um quarto, uma cama,
um edredom azul, uma escova,
papéis e muitos outros objetos,
telas tintas um pedaço de ferro,
outro de ouro, outro de aço.
Alguém de longe me acena
com uma lareira acesa.
O passeio do outro lado da rua
Gente
Que não conhecerei nunca
Ninguém mais nesta mesa
De um café milenário –
Raras vezes
Terei estado menos só
A nave espacial chamada terra
Singra comigo tarde adiante
Tudo volve milenário
As pedras da rua
O cimento gasto do passeio
As recordações
A vida é mesmo assim, vamos acertando e errando, caminhando e caindo. Nesta caminhada temos avanços e retrocessos e assim vamos aprendendo. O bom disso tudo é que, em sua sabedoria, a vida sempre traz compensações, pois daqui a pouco as regras mudam e o jogo se inverte configurando um novo panorama.
Livro Fechamento de ciclo e renascimento
MUITOS VEEM, POUCOS ENXERGAM...
Enxergar vai além da capacidade de ver, é preciso decifrar aquilo que olhamos, pois, só assim, captamos a essência de cada coisa ou de cada pessoa... Olhares rasos são comuns, mas somente os profundos desvendam a poesia de cada detalhe...
Assim, é necessário que estejamos atentos ao que chega aos nossos olhos, mas a falta de tempo enviesa o nosso olhar. Porém, para os que decidem, não há falta de oportunidade para ver aquilo que importa, esses enxergam com os olhos da alma e projetam no mundo tudo aquilo que tem de bom em seu interior. Esses veem diferente e, por isso, fazem a diferença...
Muitos decidem olhar para o medo, outros preferem enxergar a oportunidade de ter a coragem de seguir; alguns optam por olhar para a sombra das dificuldades, todavia, para aqueles que têm esperança nos olhos, não existe escuridão que os faça se deter nas sombras; certas pessoas captam imagens, outras colecionam delicadezas; há os que veem as pedras do caminho, e existem aqueles que decidem enxergar as flores de seus trajetos...
Em um tempo onde tudo é líquido, que nosso olhar seja sólido, pois esse é o grande detalhe que nos diferencia, porque somos tudo aquilo que enxergamos... Quem sabe enxergar é capaz de viver com plenitude...
O que permanece enxergando sombras ainda não percebeu que é ele quem deve projetar a luz, e essa é uma escolha... Por isso, muitos decidem escutar, mas poucos resolvem ouvir... Muitos querem tocar, porém poucos escolhem sentir. A maioria prefere ver, mas pouquíssimos são corajosos o suficiente para enxergar... E não há detalhe mais bonito do que o de olhos que sabem decifrar pessoas e desvendar a vida...
Nossa história não acabou!
Nosso amor é Imortal...Amor de vidas passadas
Um amor infinito, amor de toda vida...
Um amor pra uma vida inteira com certeza
um encontro de almas... Um amor pra toda a vida
Suas atitudes não abala meus sentimentos
Você sempre será o amor de todas as minhas vidas!
Shirlei Miriam de Souza
O que você é capaz de receber? e de oferecer?
Aprendi algo simples, mas transformador: "Cada pessoa só pode dar o que tem dentro de si." Se é uma pessoa boa, ela dá bondade, generosidade. Mas se é má, você vê isso em todas as suas ações. Não existe maldade pequena ou grande. Maldade é maldade. Ou bondade pequena ou grande. Há bondade ou não. A intenção de ser má ou boa é a mesma, independente da ação ou do foco.
Na Bíblia, em Lucas 6:44 encontramos o versículo que descreve sobre como reconhecemos a árvore pelo fruto que ela dá. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do mau tesouro tira o mal. Porque, do que está cheio o coração, disso é que fala a boca. (Lucas, VI: 43-45).
A inveja ou a falsidade vem com vestidos de ovelhas, e por dentro são lobos interesseiros. Observe seus frutos, pois, pelos seus frutos os conhecereis. (Mateus, 7: 15-20).
Já observou algumas pessoas que têm uma implicância gratuita com outras? Talvez não se dêem conta da inveja que repousa no seu subconsciente. No entanto, não significa serem pessoas ruins: podem combater a inveja se encherem o coração de humildade. Para tanto é necessário o autoconhecimento e a vontade de serem pessoas melhores.
Muitas pessoas podem ter rompantes de bondade, porém sua sociopatia os engana. Esse autoengano as faz confundir a muitos. Desta forma não percebem que sua maldade transforma seu caráter a ponto de se convenceram de uma ignorante 'opinião formada' e não se dão conta de que nesta convicção fortifica-se a maldade e a ausência de amor - que é o primeiro mandamento de Deus como promessa.
Também na bíblia, em Gálatas 5:19-23, podemos ler sobre os frutos do Espírito Santo que são o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio.
E, desta forma, volto à reflexão inicial: é pelos frutos que conhecemos a árvore:
Sou muito imperfeita por isso peço a Deus, a cada dia, para que seja uma pessoa melhor. Nos momentos de silêncio busco refletir no que e como devo melhorar. Tenho um longo caminho pela frente. Portanto só peço a Deus que mantenha em meu caminho 'árvores' de bons frutos e afaste as de frutos podres. Que eu aprenda a ser melhor e, desta forma, possa frutificar e germinar em terra fértil (terra disposta a frutificar).
LEITURA DE MIM
Leia-me
na escadaria de um palácio...
Leia-me
na ladeira de uma palhoça,
ao entardecer, a qualquer hora!
Será a mesma coisa andar de salto
ou de sandálias;
porém é mais difícil descer.
Mas leia-me nas entrelinhas da minha vida.
Saiba-me ler, em qualquer lugar,
onde talvez eu nunca venha passar.
Mas leia-me!
O TEMPO E AS BORBOLETAS
A distância te leva de mim
O tempo da distância tem asas
Mas não como as borboletas
Que retornam após dormir em seus casulos:
Outras borboletas, irreconhecíveis!
A distância nunca será apenas um adormecer
nos casulos, é sonhar com outras asas
onde possam pousar juntas.
NOVO DESENHO
Não são meus olhos que choram,
é a primavera que não mais perfuma.
Não são meus lábios
que não mais sorriem,
é o novo desenho do arquiteto tempo!
Esculpiu-os assim,
VA GA RO SA MEN TE!
Um rosto não se transforma, muda-se
a expressão diante do mutável exterior.
É o novo do arquiteto tempo!]
18/02/04
RETRATO NO TEMPO
Vejo-te amor antigo:
Fotografia na moldura;
nem tempo ou eternidade desfará.
E quando as horas passarem.
Longas... Silenciosas
no mundo exterior,
envelhecendo nossas noites sem luar;
os lábios e os beijos.
Tu estarás: intacto... Estático:
O mesmo riso, o mesmo rosto.
E abraçarei teu retrato
como se assim pudesse conter-te
eternamente, por entre os braços.
A FORÇA DE UM SONHO
Era um rebento frágil...
Mas um dia ele viu
as flores das cerejeiras:
tão lindas! E quis perfumar
e quis florir.
Era um rebento estéril...
Nem tinha folhas
Nem tinha vida.
Dormiu e sonhou ser
ao menos uma solitária flor
mas que tivesse cor.
Amanheceu abotoado de pomos
exalando o suave perfume das cerejeiras.
Linda é a vida
que se abriga numa enorme barriga!
Linda é a vida
de mãos dadas, nos parques
na lida... afora na vida!
Linda é a vida!
Nos olhos tristes d’alma ferida...
No vagar sozinho,
ainda assim de lábios risonhos
por qualquer caminho...
Linda é a vida no compasso dos passos:
apressados ou lentos em busca de sonhos!
Linda é a vida, na lida: a vida!
VOZ FANTASMAGÓRICA
Minha voz gritou tão alto.
Mas eras feito de pedra
não podias me ouvir.
Eu tinha uma linda canção
feito orvalho a cair nas folhas.
E dizia: Ama-me! Ama-me!
Quem sabe um dia eu já nem cante,
mas ouças a canção sussurrada
a murmurar em seus ouvidos:
__Ama-me! Ama-me!
Ou, ainda quando ouvires o ruído
d’orvalho a cair nas folhas,
poderá lembrar da minha voz
que um dia gritou tão forte,
desesperadamente:
__Ama-me! Ama-me!
Docemente, fantasmagoricamente,
nas noites frias, em seus ouvidos de pedra.
CANÇÕES AOS VENTOS
Canto! Canto para o teu amor...
Ele já se foi, mas permanece em mim.
Deixei-me no ventre, alvo ventre do tempo
que se transformou em rosto e corpo de mulher.
Mas nada é eterno...
Ouve! Lá fora cantam liricamente.
Faz-me lembrar teus beijos, Faz-me lembrar ternura!
É tarde... E as tardes trazem lembranças!
Ainda que ninguém nos ventos vejam canções,
te sinto voltando nas melodias das leves brisas
que lá fora cantam liricamente.
UM POEMA COMO MEDALHA
Era um menino pobre, pequenino.
Não sei se teve pipa de papel azul,
Nem barquinho na enxurrada.
Não sei se viu papai-noel na chaminé,
Ou se alguém lhe contou estórias encantadas.
Era um menino...
Que cresceu e cresceu...
Contou-me estórias e se vestiu de papai-noel
por tanto tempo na minha memória.
As estórias que ele me contou, eu não sei quem lhe ensinou.
Esse menino tão pequenino!
Cresceu e cresceu...
Hoje, herói de tantas batalhas!
Porém, sem medalhas.
"Os 'universais do espírito humano', como os chamava Edgar Morin, são a base de toda inteligência.
Entre eles, o senso instintivo das proporções e certos simbolismos básicos, como as cores, as direções do espaço ou a forma do corpo humano.
Quando esses elementos são removidos da memória pelo artificialismo educacional sufocante, as verdades mais óbvias, patentes e intuitivas se tornam segredos esotéricos dificilmente acessíveis."
