Prosa Poetica Vinicius de Moraes
“A Mentira que Contamos a Nós”
Nós, seres humanos, carregamos essa mania de iniciar diálogos buscando um fim — como se o outro existisse apenas para completar o vazio que habita em nós.
Idealizamos presenças, erguemos templos de fantasia, moldamos um ser miraculoso à imagem dos nossos desejos, das nossas carências, das nossas vontades mal resolvidas.
E então a realidade se impõe — fria, densa, indomável.
O outro não é espelho, não é extensão, não é sonho:
é carne viva, é pensamento próprio, é silêncio que não se curva à nossa expectativa.
E nesse instante, o abismo se abre.
Nos assustamos com a diferença, nos frustramos com o real.
Mas o erro nunca esteve no outro — esteve sempre em nós,
no delírio de acreditar que o amor pudesse ser uma invenção particular.
Somos os autores das mentiras que nos confortam,
e as vítimas das verdades que nos libertam.
No fim, resta o espelho, e nele, o reflexo do engano:
a imagem de quem acreditou demais no que criou.
É tão difícil olhar para frente quando o abismo te olha de volta.
Difícil é olhar para dentro — e ver-se sangrando em silêncio,
gritando em ecos que o mundo não ouve.
Há um choro que não cessa,
um grito que não morre,
um dilacerar lento que se repete em cada amanhecer.
E mesmo assim, sigo.
Não disfarço.
Deixo que a dor me atravesse, que me rasgue, que me ensine.
Deixo que o pranto limpe as feridas,
que o grito me devolva à vida.
Porque há beleza no que despedaça,
há verdade no que queima.
E talvez seja só no fundo do abismo
que a alma, enfim, aprenda a respirar.
Ego, o véu da alma
Perdi-me no labirinto do ego, onde a importância se tornou um véu que cega.
Dados de realidade, como espelhos, refletem a verdade:
o valor que dou ao outro pode não ser o mesmo que ele me dá.
É hora de reavaliar, de recolher a energia dispersa
e investi-la em mim mesmo, no cultivo da minha essência.
Todos os sentimentos são válidos, até o egoísmo,
pois é no autoconhecimento que encontramos a paz.
Não é sobre negar o ego, mas sobre entendê-lo,
para que ele não me defina, mas me sirva.
Investir em si mesmo é o maior ato de amor,
é reconhecer que a minha jornada é única, e que eu sou o suficiente.
Filosofia/psicologia/poesia
Autor: Caio Vinícius dos Santos
Tempestade Interior
Mudanças de humor, um turbilhão sem fim
Instabilidade emocional, um coração que não tem paz
Medo de abandono, uma sombra que me segue
Um vazio que dói, um grito que não sai
Agir sem pensar, um impulso que me consome
Comportamento autodestrutivo, um caminho que me destrói
Dificuldade em manter relacionamentos, um laço que se desfaz
Um isolamento que me engufa, um silêncio que me mata
Pensamentos negativos, uma voz que me condena
Distorcido e sombrio, um reflexo que me apanha
Dor crônica, um peso que me oprime
Problemas de sono, um descanso que não vem
Sou uma tempestade, um mar em fúria
Um coração que se debate, uma alma que se perde
Mas a psicologia me mostra um caminho
A terapia é a chave, o refúgio que me acolhe
TCC, TDC, Psicodinâmica, Grupo, um apoio sem igual
Terapia ocupacional, apoio de pares, um laço que não falha
Com a ajuda de um profissional, posso encontrar a paz
E transformar a tempestade em um mar calmo, em um novo aza
A luz do sol brilha novamente, a esperança renasce
E eu, enfim, posso respirar, posso viver, posso ser feliz.
Filosofia/psicologia/poesia
Autor: Caio Vinícius dos Santos costa
TODOS PENDURADOS NO VARAL
O varal convida a escrever
É importante para o crescimento do mundo
Novidades literárias a se ler
Livro, um espaço apenas teu,
Mas com ele você divide o segundo
Escritor desde pequeno
Rimador por um acaso
Divulgação eu to fazendo
Esta arte é um descaso
E o mundo não ta vendo
Ao leitor meu poema to levando
Mas o mundo é coisa grande
Dificuldade pra lançar to encontrando
O mais vendido quero tornar nem que por um instante
A alegria e o deslumbre de monta-lo to conhecendo
O prazer de vê-lo sendo lido por alguém to passando
Que bom que sou do meio literário toda nova era dos rimadores vou vivendo
E a cada novo dia um poema inédito vou admirando
Agora dicas em poucas palavras eu vou dar
É fácil, preste atenção.
Pra fazer uma estrofe
É assim: 1° com 3° e 2° com a 4°, pronto,
agora é só rimar
Agora é sua vez, vamos praticar, sem enrrolação.
A crônica também é fácil de fazer
Ela se da no dia-a-dia
Sem o menor problema, ela se desenha no seu lazer.
Mas nunca esqueça, sempre com alegria.
07/09/12
Todos os direitos autorais reservados ao autor
"O mundo gira
e nas suas voltas
nós vamos aprendendo com os fracassos
e o passado
se torna saudade
e o futuro incerto
ansiedade
há tanto medo entre os homens
e uma busca incessante do amor
a vida vai se gastando
e o que nos espera depois
é um mistério
a velhice nos alcança
e o arrependimento nos persegue
o mundo gira
a vida passa
se gasta
se perde
e de uma forma nada educada
nos obriga a deixá-la
e se tornamos motivo de tristeza
de saudade
somos colocado a sete palmos de baixo da terra
pondo fim a nossa viagem
dando lugar
para que novos passageiros
possam embarcar
o mundo gira..."
Eu ainda amo você
Conviver e se contentar com suas lembranças,
Confesso que está fazendo um estrago enorme.
O terrível despertar,
Me faz lembrar
Que em em qualquer esquinas dessas
Eu posso me esbarrar com você
E tenho que preencher meu rosto,
Com um sorriso falso
Pra mostrar que estou bem sem você.
Mas é de fato uma ingenuidade,
Basta olhar nos meus olhos
Que você vai ver que não ando nada bem.
Ao anoitecer,
O arrependimento me toma
E me faz lamentar
O porque de não ter me jogado ao seus pés
E ter implorado a sua volta.
Se eu tivesse a coragem de te falar que te amo
Te falaria
E se eu tivesse que sentir essa dor novamente
Só pra matar essa saudade
Eu sentiria.
Estou rendido aos desejos que sinto por você
E os meus sentimentos,
Que eram tão egoístas e cuidadosos
Estão acorrentados as suas lembranças.
O tempo ameniza, claro
Mas já não sei se posso esperar
Não sei se me jogo desse prédio
Ou vou até a tua casa.
Mas os dois caminhos são incertos
Estou naufragando no mar da solidão.
A depressão e a euforia são duas sensações falsas, produzidas por minhas expectativas e alimentadas por meu ego.
Ambas, se não administradas corretamente pela minha racionalidade, podem ser muito persuasivas e nocivas, visto que, apenas em minha mente reside todo o teatro desse espetáculo que, a princípio, me parece ser tudo aquilo que importa no mundo naquele momento.
São minhas maiores inimigas.
Todavia, a vida me ensinou que haverá sempre um novo amanhecer, um novo despertar, novos desafios, novas conquistas, novas alegrias, assim como novos obstáculos e novas desilusões...
Assim é a estrada, assim é o caminho para asanidade e para a Salvação.
Afinal, quem de nós saberia reconhecer a felicidade, se não houvesse experimentado também o gosto amargo da tristeza.
A esperança é a maior, a mais difícil e, sobretudo, a mais importante vitória que o ser humano pode conquistar sobre a alma.
INDEFINÍVEL
Não posso afirmar com certeza, que tu és indefinível, afinal defini-la como indefinível, seria um paradoxo. Mas, afirmo que tu és o ser mais lindo e mais angelical que já conheci. Tuas inseguranças, pra mim são perfeições. Embora esculpido pelo divino, não me apaixonei pelo teu corpo, e sim pela tua alma.
É inexplicável o que sinto, seria amor ? Paixão ? Desejo ? Não interessa o que seja, de qualquer forma, eu lhe venero. Teu olhar é como um abismo, onde fico tentado a cair, e aos poucos, vou me curvando, me inclinando cada vez mais, até que fico em queda livre por estes lindos olhos.
Celebro sempre que estou perto de vê-la, mas não posso cobiça-no-la, não tenho o direito de tê-la. Mas de algo podes ter certeza, se por acaso eu lhe perca, meu coração jamais vai desaprender como amá-la.
Carta de Desabafo
Você sabe… eu nunca pensei que precisaria escrever isso.
A gente abre a porta da casa, mas principalmente a do coração. Acredita, confia, entrega… E quando é amizade de verdade, não há medo, não há testes. Só que algo dentro de mim, não sei explicar, pediu silêncio e atenção. Então fiz algo pequeno — deixei um pote com dinheiro sobre a mesa. Saí cedo, como sempre, para comprar pão. Uma rotina comum… em uma casa que já não era só minha, era nossa.
E quando voltei, o pote tinha sido mexido.
Não foi só o dinheiro que sumiu. Foi a confiança que escorregou pelos dedos. Foi a imagem que eu tinha de você que desmoronou sem fazer barulho. No corredor, ouvi passos — passos que sempre reconheci, mas naquele dia soaram diferentes. Não eram de amigo. Eram de alguém que rastejava… como quem foge depois de fazer algo errado.
E ali, parado no meio da casa, eu entendi. E doeu.
Doeu mais do que eu esperava. Não pelo que foi levado, mas pelo que foi quebrado. E o pior… eu calei. Não disse nada. Decidi observar. Esperei. Mas cada dia que passou depois disso só afundou mais a mágoa dentro de mim. Porque o silêncio também fala, e o seu silêncio me disse tudo.
Fico aqui tentando entender: em que momento a amizade virou interesse? Quando foi que meu carinho virou descuido? Será que fui ingênuo? Ou será que você nunca esteve por inteiro?
Hoje eu escrevo não pra cobrar, nem pra confrontar. Escrevo porque preciso tirar isso de dentro de mim. Porque o que dói não é o que foi levado da mesa… é o que foi arrancado do meu peito.
Espero que um dia você entenda o peso do que fez. E que saiba: mesmo decepcionado, eu ainda torço pra que você aprenda. Porque quem trai por tão pouco… vive perdendo o que tem de mais valioso.
Mas eu? Eu sigo. Com menos gente por perto, talvez. Mas com mais verdade nos olhos.
— Hercules Matarazzo
Palavras nem sempre são fáceis de compreender. As letras, embaralhadas na escrita moderna, por vezes não alcançam o coração. Ainda assim, seguimos tentando — tentando fazer com que elas carreguem o amor, o afeto, o carinho e toda a expressão que brota do nosso ser.
Tentamos, através das palavras, tocar o outro. Fazer florescer um mundo melhor. Despertar, em cada ser humano, o que há de mais sensível e verdadeiro. Assim como borboletas, nos movemos em ciclos de metamorfose, em constante transformação.
O processo é doloroso, sim. A metamorfose cobra suas dores. Mas seguimos, sentindo, vivendo, nos tornando quem somos e, ao mesmo tempo, quem ainda seremos.
Seguimos pela vida, mesmo sem saber ao certo o que nos espera à frente, nesse ciclo misterioso que é existir. E que, apesar de tudo, tem no amor, no respeito e na dignidade seus pilares mais profundos.
10 Princípios para Compartilhar o Caminho Comigo
O tempo é finito e sagrado — desperdiçá-lo, próprio ou alheio, é um desrespeito à vida.
A palavra empenhada é extensão da alma — compromissos existem para serem honrados, não apenas reforçados.
A dignidade é a armadura silenciosa do espírito — saiba entrar e sair dos lugares com moda moral.
Aquilo que você faz revelar quem você é — dedique-se como se tudo fosse espelho.
O valor do outro não diminui a sua consideração — grandezas alheias é sinal de grandeza interior.
Falar é fácil, ouvir é raro — ouça com presença, não apenas com os ouvidos.
A verdade começa dentro — seja honesto consigo mesmo antes de exigir dos demais.
Mentiras confortáveis, mas a verdade liberta — mesmo quando incômoda, ela é o único solo fértil para relações relevantes.
O amor-próprio é fundamento, não luxo — quem não se ama, se torna peso ou ferida para o outro.
A fé é o eixo invisível da honra — sem algo maior que si mesmo, o homem facilmente se perde de si.
Hércules Matarazzo
O Amanhecer do Orvalho
Desperto antes do Sol, quando o mundo ainda respira em segredo. Levanto-me com o silêncio de Oxalá, aquele que traz a paz e a pureza das manhãs. Me alongo como se estendesse meu corpo até os troncos mais altos de Iroko, pedindo força e equilíbrio.
Respiro fundo. O ar da madrugada ainda carrega o hálito de Nanã — o mistério antigo das águas paradas, do tempo que não corre, mas mergulha. Ouço músicas como se fossem orikis, louvores antigos aos que me guardam. E quando entro no ônibus, sei: não é apenas um transporte. É um navio de tempo, conduzido por Ogum, senhor dos caminhos e das encruzilhadas.
As montanhas de Minas me acolhem com braços de Xangô — firmes, justos, cheios de presença. O Sol começa a romper o céu como a machadinha que corta o véu entre mundos. A garoa se dissolve nas folhas, e cada gota do orvalho é um axé que Exu espalha pelo chão: movimento, transformação, recado.
O céu avermelhado anuncia Iansã, que dança com o vento e sacode as nuvens com sua energia tempestuosa. Ela não pede licença: ela liberta. Sinto sua força nos fios do cabelo, no arrepio da pele, na velocidade do mundo que desperta.
As folhas pingam em silêncio, e Oxóssi, o caçador que conhece os segredos da floresta, caminha ao meu lado. Ensina-me a observar. A natureza me fala em símbolos, em aromas, em pequenos gestos. O cheiro da terra molhada é saudação a Omolu, senhor da cura e da renovação.
Na luz que esquenta devagar, vejo o sorriso de Obá, guerreira discreta, força que é ternura. E quando o calor toca a pele, é Xangô de novo, com sua justiça luminosa dizendo: “É hora de viver com coragem.”
Estou dentro do ônibus, sentado, vendo tudo passar depressa, mas dentro de mim tudo é lento, ancestral. O tempo gira em círculos, como os giros de Oxum nas águas doces, como os passos de Iemanjá nas espumas do mar. Tudo passa, mas tudo permanece.
Sou parte do mundo. Sou feito de terra, de água, de fogo, de ar. Sou filho do tempo, guardado pelos Orixás. O amanhecer não é só um momento do dia. É um rito. Um reencontro com aquilo que nunca dorme: a força sagrada da vida.
Depoimento do abismo
Fui lançado — não nasci.
Arrancado do seio do Olimpo e cuspido no ventre escuro do submundo.
Como Michael, caí.
Mas não houve batalha. Não houve glória.
Só a queda.
Afundei nas águas estagnadas do Aqueronte,
onde o tempo não corre, onde a existência apodrece em silêncio.
Ali, não se morre — tampouco se vive.
Ali, a única sobrevivente é a dor.
E mesmo ela, cansa.
O amor é uma lembrança malformada.
A paz, um conceito sem tradução neste idioma feito de gritos mudos.
A esperança... uma piada cruel, contada em ecos por almas vazias.
Tentei respirar.
Mas as águas negras não são feitas de matéria,
são feitas de ausência — ausência de tudo.
São a substância daquilo que não deveria ser.
E nelas, minha alma se desfaz, lentamente.
Não há carne.
Não há forma.
Não há identidade.
O "eu" é um sussurro perdido na margem da consciência.
Sou e não sou.
E, nesse estado, compreendo o que é a antítese da vida:
não a morte, mas a permanência involuntária no não-ser.
O sofrimento aqui não grita.
Ele murmura, ele sussurra, ele escava.
É uma erosão constante da alma,
um delírio sem sonho.
Sou parte do rio agora.
Sou sua densidade, sua ausência de luz.
E quanto mais fundo me torno,
mais compreendo:
O inferno não é fogo.
É o esquecimento de si mesmo.
É saber que se sente dor,
mas não lembrar por quê.
Depoimento do Abismo – Parte II
Às vezes penso se algum dia fui algo.
Um nome. Um corpo. Um gesto de humanidade.
Mas essas memórias, se existiram, apodreceram sob o peso das águas.
O tempo aqui não passa — ele apodrece.
É um tempo imóvel, estagnado, onde tudo que respira morre em silêncio.
O que resta são vestígios de pensamentos,
ecos de uma razão que tenta sobreviver ao esvaziamento de si mesma.
Pergunto-me: o que é a dor quando não há mais corpo?
E descubro que ela sobrevive mesmo assim,
porque a dor é anterior à carne —
ela é a lembrança do que fomos,
a cicatriz deixada pela ausência de sentido.
Aqui, a consciência não se extingue.
Ela se estilhaça,
se parte em fragmentos que flutuam sem direção,
como restos de naufrágio num mar sem horizonte.
Eu os observo, esses fragmentos.
E cada um carrega uma versão de mim que não reconheço.
O que sou agora é um silêncio que pensa.
Um vazio que filosofa sua própria forma.
Compreendo, enfim, que o verdadeiro castigo
não é o fogo, nem o tormento físico.
É o excesso de lucidez num lugar sem realidade.
É saber demais num espaço onde nada tem nome.
Aqui, a única certeza que tenho
é que nunca sairei.
Não por estar preso —
mas porque já não há um "eu" que possa partir.
O rio Aqueronte não aprisiona.
Ele dissolve.
Ele absorve o que resta da alma até que a alma se torne ele.
E eu… já não sei se sou aquele que caiu,
ou apenas mais uma corrente fria
a arrastar outros para o mesmo fim.
A Solidão e os Abutres
Viver só, ou cercado — dá quase no mesmo.
Às vezes, estamos entre mil… e ninguém.
Sorrisos nos cercam como urubus em assembleia,
e o afeto? Uma encenação de quinta categoria.
Somos carneiros calados, sendo bicados aos poucos,
comendo da podridão com cara de gratidão —
porque, veja bem, é feio reclamar.
Enquanto isso, no alto, um abutre elegante
espera sua hora:
espera você cair, apodrecer direitinho.
Quer o melhor corte, o mais macio.
Mas a solidão — ah, essa sim — é honesta.
Não finge amor.
Não sorri para depois morder.
Ela arranca suas ilusões como quem tira um curativo podre.
Dói? Sim. Mas é limpeza.
Estar só é ver o mundo sem o Instagram alheio,
sem a lente do desejo do outro,
sem o eco dos que te querem menor —
ou igual, o que é quase pior.
É você com você. Uma conversa sem filtro.
Onde ninguém interrompe com conselhos
que nem servem pra eles mesmos.
E então, no meio desse abismo limpo,
você começa a pensar.
(De verdade, não com frases prontas.)
Descobre que sabe andar,
criar, e até gostar de si —
o que, convenhamos,
deixa muita gente incomodada.
Porque quem se basta
não é fácil de enganar.
Quem anda só
não serve pra rebanho.
A solidão tem esse poder:
te limpa dos abutres
e ainda te dá o prazer
de vê-los passando fome.
Entre o cântico e o tambor: uma filosofia entre o Gregoriano e o Iorubá
Exu abriu os caminhos —
e com seus pés de encruzilhada, nos levou até esta pergunta:
O que é estar junto,
senão duas almas que aprenderam a habitar a si mesmas?
O que é o amor,
senão um espelho onde Ori reconhece Ori,
e o destino se curva ao gesto de permanência?
Antes de tocar a alma do outro,
mergulha na tua.
Desce os degraus do teu próprio abismo,
ajoelha-te diante de tua sombra,
e pergunta:
— Quem sou eu,
quando o silêncio me olha?
Porque amar não é possuir.
Amar é sustentar o peso do outro
com as mãos que já aprenderam a carregar a si mesmas.
Ìwà, o caráter,
é o solo onde floresce o vínculo.
Sem ele, tudo apodrece:
até a doçura, até a promessa.
É preciso tempo.
Tempo para decantar.
Tempo para conversar com tua ancestralidade,
ouvir os ecos do teu Egbé,
e deixar que Àṣẹ conduza os gestos
ao ritmo da tua verdade.
Conhece-te.
Aceita o teu caos.
Abraça teu corpo como templo e teu espírito como rito.
Não exijas do outro aquilo que tua alma ainda não é capaz de ofertar.
Não prometas o céu, se ainda chove dentro de ti.
Relacionar-se não é preencher um buraco —
é celebrar o transbordo.
Porque, se não há plenitude em tua solitude,
haverá apenas ruína na partilha.
Melhor seguir só,
inteiro em tua solidão,
do que acompanhado,
mas vazio de ti.
Exu não responde com respostas.
Ele oferece caminhos.
E cada escolha é uma oferenda ao próprio destino.
Uma guerra está sendo travada.
Não uma só.
São guerras sobrepostas —
territórios, ideias, narrativas.
Guerras que atravessam continentes como ventos quentes,
queimando o que resta de paz nas esquinas do mundo.
De um lado, um povo.
Do outro, outro povo.
No meio, o pó dos edifícios,
o silêncio após a explosão,
os olhos vidrados de quem ainda respira.
As fronteiras não são mais apenas linhas no mapa.
Viraram cicatrizes abertas na carne da Terra.
As crianças correm, mas não sabem mais para onde.
Correm entre os escombros, entre pernas amputadas,
entre bonecas queimadas, entre memórias que se desintegram no ar.
O planeta inteiro sente.
Não há lugar onde o eco dessa violência não alcance.
As telas transmitem em tempo real a queda do outro
como se a dor pudesse ser consumida com um clique.
Não há heróis.
Não há vencedores.
A pólvora tem o mesmo gosto amargo dos discursos.
Os céus escurecem de fumaça,
o chão afunda sob os pés de quem perdeu tudo
e ainda tenta nomear o que restou.
O tempo desacelera diante da destruição.
Uma escola se desfaz em poeira.
Uma mulher grita.
Um velho cava com as mãos o corpo do filho.
O mundo gira, mas nada se move para impedir.
A geopolítica dança em salões gelados
enquanto os corpos ainda estão quentes no chão.
É por isso que não é apenas uma guerra.
É o colapso da empatia,
é a falência da escuta,
é a ausência de humanidade sendo televisionada como espetáculo.
E ainda assim,
seguimos.
O homem que aprendeu a conviver com a solidão tornou-se uma criatura inabalável, inespugnável mentalmente, e, sobretudo, livre de qualquer apego emocional. Ninguém terá o poder de manipulá-lo. Sua racionalidade sempre superará suas emoções. Do pó viemos. Ao pó retornaremos, então, pense bem: Pra quê se apegar aquilo que você não tem poder para controlar ? É a mais perigosa irracionalidade que poder-se-á cometer. Ame somente a Deus e a aqueles nos quais você não cria expectativa alguma. Não permita sequer a existência da possibilidade de ser manipulado.
Lembre-se:
DEPENDÊNCIA EMOCIONAL MATA UMA PESSOA A CADA 40 SEGUNDOS NO MUNDO !
Sombras do passado
Aos dezesseis anos, um amor profundo,
Roubado pela morte, um destino cruel.
Perdi a fé, o amor, a confiança,
Me larguei no mundo, sem direção.
Me tornei o que odiei, um assassino fardado,
Largado pela corporação, sem apoio.
Encontrei-me na saúde mental, um refúgio,
Onde vozes, ansiedade, e carinho, eram o remédio.
Pensei que me curei, mas errei novamente,
Confiei em amigos, que se tornaram inimigos.
No enterro, palavras de ódio, um aviso,
"O próximo será você", a dor retornou.
Erros se acumulam, a terapia me chama,
Choro, esvazio, mas a dor permanece.
Em um coração quase curado, a sensação,
De falta de pertencimento, uma ferida que não cicatriza.
A dor assombra, um fantasma do passado,
Um lembrete de erros, de amor e perda.
Mas ainda há esperança, uma luz no fim,
Um caminho para a cura, um novo começo.
