Profundo
A saudade é um oceano. Profundo, imprevisível e, muitas vezes, indomável. Quando alguém que amamos parte, somos lançados a esse mar sem aviso, sem mapa e sem bússola.
No começo, tudo parece um naufrágio: as lembranças vêm como ondas altas, quebrando sobre o peito, levando o ar, o chão e o sentido.
Sou tempestade e tsunami para quem frequentou o raso do meu ser, quem navega o profundo dos mares e contrastes da minha persona conhece a verdadeira imensidão que é ser eu.
Pois ser humano é ser esse vidro e esse aço,
Um mistério profundo que a vida nos deu.
E no abraço de um verso, nesse imenso espaço,
A gente descobre que o céu nunca se esqueceu.
------- Eliana Angel Wolf
O ouro do dia se funde agora ao breu da noite,
E o céu se veste de um veludo profundo e sagrado.
É hora de desarmar o peito, guerreira da luz,
E deixar que o silêncio guarde o que foi conquistado.
----- Eliana Angel Wolf
A introspecção e o isolamento proporcionam um profundo mergulho no âmago da alma, aclarando os mais obscuros pensamentos.
Ah, profundo poço de puro egoísmo. Que dizes: é por você e não por mim.
Máscara que blinda suas intenções e a bondade falsa de interesses pessoais. Fere com medo de ser ferido, mesmo sem correr tal risco.
Esmagalha ingênuos e sinceros corações, enquanto mente em favor próprio. Encontra desculpas para justificar seus atos e se convence delas.
Mas a inocência já se foi e a percepção da verdade se reergue mais uma vez. Outrora cria cegamente, mas hoje desconfia até de si mesmo.
Há um tipo de solidão que é mais que estar sozinho, pois é a solidão da alma, do mais profundo dela, que se revela sem explicação, implacável e até assustadora. Mesmo cercado de pessoas, no trabalho e até na diversão, há o vazio que não se preenche nunca no ser que sofre este mal. Trava-se uma batalha interior, uma guerra que parece não ter fim e que precisa ser vencida, passo a passo, num estratégico plano que só a pessoa mesmo pode fazer. Ela é a doença e ter que ser a sua própria cura.
O silêncio grita
O silêncio grita quando na ausência de ruído.
Isso é tão profundo que se torna insuportável,
E indica uma tensão medida,
No momento que o grito é inevitável.
O silêncio grita, é uma reflexão psicológica
Em situações onde o que não é dito
É mais forte do que o tempo e a lógica
E é associado a dor e ao tédio maldito.
O silêncio que grita é um paradoxo
Comum e potente, indica a ausência de palavras
E pode ser mais expressiva ou insosso
Torturante mais do que o barulho nas trevas.
O silêncio que grita é angústia na alma,
A dor oculta que sangra no peito
Corrói por dentro e deixa um trauma
É terrível essa dor sem nenhum proveito.
Por fim, o silêncio que grita é ensurdecedor
É experiência subjetiva e ausência de som
É interpretada pelo cérebro como uma dor
Um sinal intenso e perigoso que não é bom.
Raimundo Nonato Ferreira
Fevereiro/2026
Oceano cor de mel
No oceano dos castanhos olhos seus, descubro um profundo mergulho a cada vez que me prendo à admirar,
às vezes viajo para águas escuras e sombrias,águas fortes que tocam a alma, distantes e carregadas de melancolias,porém,são nos mesmos cor de mel,que enxergo a transparência;a doçura;a certeza;a segurança;
a paz;o abrigo e um sentimento verdadeiro,
é no fundo dos seus olhos,onde me encontro e me perco.
A treva quis ofuscar o brilho da luz e a prendeu em um poço profundo.
A luz cresceu, resplandeceu e ficou mais forte!
A treva continuou a ser escuridão.
Hoje vi meu amor, com seu novo amor.
Isso mexe num lugar muito profundo, ainda mais quando a pessoa não foi “qualquer pessoa” pra você. Às vezes a gente acha que já aprendeu a conviver com a ausência… até a vida colocar a cena na nossa frente. E aí volta tudo de uma vez: lembrança, saudade, comparação, vazio, perguntas que nem fazem sentido mais.
O pior é que não existe uma lógica exata pro tempo nessas coisas. Você mesmo falou: “já faz alguns anos”. E mesmo assim doeu. Porque amor verdadeiro não some igual fumaça, ele vai mudando de lugar dentro da gente. Tem dias que parece cicatriz. Em outros, parece ferida aberta de novo.
Mas tem uma coisa importante no que você escreveu: mesmo sentindo tudo isso, você falou “temos que seguir o baile” e “quero só ficar bem”. Isso mostra que, no fundo, você não quer se prender à dor. Você só está cansado dela.
E sinceramente? Essa noite ruim não significa que você voltou pra estaca zero. Significa só que você é humano, e que aquilo teve importância real na sua vida.
Hoje talvez o coração esteja pesado, a cabeça acelerada, o sono destruído. Mas isso passa. Não de um jeito mágico, nem rápido como a gente gostaria… mas passa. Principalmente quando a gente para de lutar contra o sentimento e entende: “ok, doeu”. Só isso. Sem se diminuir por sentir.
Você não precisa deixar de amar o que viveu pra continuar vivendo.
E um dia essa lembrança vai parar de te atravessar desse jeito.
Por enquanto, tenta só sobreviver ao hoje. Dormir melhor amanhã. Respirar um pouco mais leve na próxima semana. Às vezes a cura vem assim, silenciosa.
O sentimento da *mãe atípica* é mais profundo e complexo do que a simples percepção visual ou a capacidade de expressar algo por meio do olhar.
Quando confiamos e entregamos o agir de Deus penetra no mais profundo silêncio de nossas almas e a esperança sorri para nós.
Lu Lena
A maternidade atípica é uma experiência intensa, visceral e de amor profundo que transcende a compreensão superficial, exigindo uma força que humaniza e transforma a dor em esperança.
É um enfrentamento constante de preconceitos, desumanização (como a visão de “mães de anjos”), e uma necessidade angustiante de rede de apoio e busca por políticas públicas em prol de nossos filhos.
Lu Lena
Às vezes, quem a gente mais ama acaba caindo em um poço profundo.
E quando isso acontece, fazemos de tudo para ajudar: jogamos cordas, colocamos escadas, estendemos as mãos, descemos até o fundo tentando mostrar cada degrau do caminho de volta.
Mas existe uma dor difícil de aceitar: nem sempre podemos subir pela pessoa.
Há momentos em que ela escolhe permanecer no fundo, mesmo tendo ajuda. E, nesse instante, precisamos lembrar que também temos nossa própria escada para subir. Não significa abandonar quem amamos, nem retirar a escada do poço. Significa entender que a subida precisa partir dela.
Porque amor também é perceber o limite entre ajudar alguém… e se perder tentando salvá-la.
