Professor Carlos Drumond de Andrade

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O tempo, que fortalece as amizades, enfraquece o amor.

O nosso bom, ou mau procedimento, é o nosso melhor amigo, ou pior inimigo.

É a profunda ignorância que inspira o tom dogmático.

Os homens são poucas vezes o que parecem; eles trabalham incessantemente por parecer o que não são.

Para aparecerem no jornal, há assassinos que assassinam.

As paixões perdoam tão pouco quanto as leis humanas, e raciocinam com mais justeza: não se apoiam elas numa consciência que lhes é própria, infalível como o é um instinto?

Que o papel fale e que a língua se cale.

Cada virtude apenas requer um homem; apenas a amizade requer dois.

O invejoso é tirano e verdugo de si próprio: ele sofre porque os outros gozam.

Cada um é como Deus o fez, e muitas vezes até pior.

Quem sem descanso apregoa a sua virtude, a si próprio se sugestiona virtuosamente e acaba por ser às vezes virtuoso.

Nós dois? - Não me lembro.
Quando era que a primavera
caía em setembro?

Não devemos julgar os homens por aquilo que eles ignoram, mas por aquilo que sabem, e pela maneira como o sabem.

Agrada-nos o homem sincero, porque nos poupa o trabalho de o estudarmos para o conhecermos.

Condenados à morte, condenados à vida, eis duas certezas.

Depois do espírito de discernimento, o que há de mais raro no mundo são os diamantes e as pérolas.

A Hora do Cansaço

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho eterno fica esse gosto acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

Carlos Drummond de Andrade
ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

Repara que o outono é mais estação da alma do que da natureza.

Carlos Drummond de Andrade
Prosa Seleta Nova Aguilar, [Fala, amendoeira (1957)], volume único, p. 333-334

Nota: A autoria do pensamento tem vindo a ser erroneamente atribuída a Friedrich Nietzsche.

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Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.

Carlos Drummond de Andrade

Nota: Poema pertencente ao livro "Amar se aprende amando" de Carlos Drummond de Andrade. Link

Ao ver a luz no fim do túnel,
Certifique-se de que não é o TREM!