Professor Carlos Drumond de Andrade

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Nunca a polícia terá espiões comparáveis aos que se colocam ao serviço do ódio.

O fim da vida não é a felicidade, mas o aperfeiçoamento.

Para aparecerem no jornal, há assassinos que assassinam.

Cada um é como Deus o fez, e muitas vezes até pior.

O amante é um arauto que proclama onde existe o mérito, o espírito ou a beleza de uma mulher. Que proclama um marido?

A avareza começa onde termina a pobreza.

Cada virtude apenas requer um homem; apenas a amizade requer dois.

As paixões perdoam tão pouco quanto as leis humanas, e raciocinam com mais justeza: não se apoiam elas numa consciência que lhes é própria, infalível como o é um instinto?

É a profunda ignorância que inspira o tom dogmático.

O tempo, que fortalece as amizades, enfraquece o amor.

A maioria das mulheres quase não têm princípios: conduzem-se pelo coração e, quanto aos seus costumes, dependem daqueles a quem amam.

O pretexto normal dos que fazem a infelicidade dos outros é de quererem o bem deles.

O nosso bom, ou mau procedimento, é o nosso melhor amigo, ou pior inimigo.

Em grande parte, os maridos são como as mulheres os fazem.

A ambição sujeita os homens a maior servilismo do que a fome e a pobreza.

Admiramos o mundo através do que amamos.

A Hora do Cansaço

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho eterno fica esse gosto acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

Carlos Drummond de Andrade
ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

Repara que o outono é mais estação da alma do que da natureza.

Carlos Drummond de Andrade
Prosa Seleta Nova Aguilar, [Fala, amendoeira (1957)], volume único, p. 333-334

Nota: A autoria do pensamento tem vindo a ser erroneamente atribuída a Friedrich Nietzsche.

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Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.

Carlos Drummond de Andrade

Nota: Poema pertencente ao livro "Amar se aprende amando" de Carlos Drummond de Andrade. Link

Ao ver a luz no fim do túnel,
Certifique-se de que não é o TREM!