Professor Carlos Drumond de Andrade
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A beleza é uma letra que se vence à vista, a sabedoria tem o seu vencimento a prazos.
Os bons conselhos desagradam aos apaixonados como os remédios aos que estão doentes.
Perdoamos mais vezes aos nossos inimigos por fraqueza, que por virtude.
Quando puder ser temido, ainda mais me quero fazer amar.
A modéstia é para o mérito o que as sombras são para um quadro. Dão-lhe forma e relevo.
A inveja, que abrevia ou suprime os elogios, é sempre minuciosa e prolixa na sua crítica e censura.
Os avarentos não crêem numa vida por vir, para eles o presente é tudo.
A impunidade é segura, quando a cumplicidade é geral.
Seja no que for, apenas poderemos ser julgados pelos nossos pares.
Admiramos o mundo através do que amamos.
Não existe vício que não tenha uma falsa semelhança com uma virtude e que disso não tire proveito.
A ambição sujeita os homens a maior servilismo do que a fome e a pobreza.
A maioria das mulheres quase não têm princípios: conduzem-se pelo coração e, quanto aos seus costumes, dependem daqueles a quem amam.
O pretexto normal dos que fazem a infelicidade dos outros é de quererem o bem deles.
Em grande parte, os maridos são como as mulheres os fazem.
O fim da vida não é a felicidade, mas o aperfeiçoamento.
Nunca a polícia terá espiões comparáveis aos que se colocam ao serviço do ódio.
Para o homem, apenas há três acontecimentos: nascer, viver e morrer. Ele não sente o nascer, sofre ao morrer e esquece-se de viver.
O amante é um arauto que proclama onde existe o mérito, o espírito ou a beleza de uma mulher. Que proclama um marido?
A avareza começa onde termina a pobreza.