Procura da poesia

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O fanatismo transforma a convicção em febre: já não procura compreender a verdade, mas destruir tudo aquilo que ameaça sua certeza.

Entre o excesso que destrói e a deficiência que paralisa, a virtude procura o ponto em que a razão consegue transformar medida em equilíbrio.

Onde existe uma realidade, a razão procura também compreender por que ela existe; conhecer o fato sem investigar sua razão é interromper a investigação antes de seu fundamento.

Aquilo que é racional procura tornar-se realidade; aquilo que se torna realidade revela, por sua vez, quais forças efetivamente governam uma sociedade.

A razão aproxima os seres humanos porque procura aquilo que existe de comum entre eles, enquanto o fanatismo frequentemente transforma diferenças em fronteiras.

O homem verdadeiramente livre não organiza sua existência em torno do medo da morte; procura compreender a vida com intensidade suficiente para não desperdiçá-la.

O amor de si procura preservar a própria existência; o amor-próprio nasce quando a consciência começa a medir seu valor pelo olhar e pela comparação com os demais.

O indivíduo moderno procura autenticidade, mas a autenticidade também depende de relações sociais.

O direito natural procura aquilo que antecede a vontade do legislador: princípios que a razão reconhece como inerentes à própria condição humana.

A humanidade passou séculos procurando Deus no céu; talvez precise agora procurá-lo no silêncio entre duas consciências.

O espírito não foge do mundo para encontrar a verdade; ele procura compreender o mundo até descobrir o que nele permanece oculto.

O homem procura a verdade como quem procura um horizonte: quanto mais avança, mais descobre que o horizonte também avançou.

A razão procura a primeira pedra da realidade, sem perceber que talvez esteja tentando construir um fundamento para aquilo que não possui chão.

Quem não consegue permanecer consigo mesmo frequentemente procura no amor uma anestesia para perguntas que deveriam ser enfrentadas em silêncio.

A inteligência interdisciplinar não procura um lugar para cada ideia; procura as relações que fazem ideias aparentemente distantes pertencerem ao mesmo problema.

O espírito renascentista não escolhe entre arte e ciência; procura o ponto em que ambas começam a explicar o mesmo mistério.

O espírito interdisciplinar procura a unidade sem destruir a diferença: sabe que uma obra pode ter muitas linguagens sem deixar de possuir uma única arquitetura.

Talvez o universo possua uma explicação; talvez a mente que a procura não tenha sido construída para alcançá-la.

Pare de ser sempre quem procura, quem chama, quem faz questão e quem mantém os laços vivos. Relações são vias de mão dupla. Não mendigue atenção, presença ou consideração. Quem faz questão demonstra, quem se importa procura e quem valoriza também se faz presente.

“Enquanto a mente procura a verdade, o pensamento negocia versões; a consciência dissolve o negociador; e a alma reconhece que nunca esteve perdida, apenas encoberta.”