Problema
No interior do coração humano existe um quartinho reservado para o Espírito Santo, o único problema é que nunca está disponível.
Meu eterno problema com palavras se tem agravado.
Penso nas palavras como se elas tivessem vida, como se fossem pessoas.
Algumas palavras são casadas. A palavra caudaloso, por exemplo, tem união estável com a palavra rio. Não lembro de ter visto caudaloso andando por aí acompanhada de outra pessoa. O mesmo vale para frondosa, que está sempre com a árvore.
Outra coisa horrível é a solidão do Perdidamente... Coitado! É um advérbio que só adverbia o adjetivo apaixonado.
Nada é ledo a não ser o engano, assim como nada é crasso a não ser o erro.
Isso não te parece triste? Eu imagino como as palavras sentem-se sozinhas.
Algumas palavras dependem de outras. Talvez por amor, afinidade, carência, preguiça ou outros sentimentos menos nobres.
A palavra engano, por exemplo, acho que só está com ledo por pena. Ela sabe que ledo, essa palavra velha, não iria encontrar mais nada a essa altura do campeonato. Por isso, por caridade, resolveu dar-lhe o ombro e oferecer ajuda.
Esse é o problema do casamento entre as palavras. Tem sempre uma palavra que ama mais. A palavra árvore anda com várias palavras além de frondosa. O casamento é aberto, mas para um lado só. Frondosa não encontra ninguém que a ame, mas árvore tem tantas companhias alegres e fieis. A palavra rio também sai com várias outras palavras: grande, comprido, branco, vermelho.
E o pobre do caudaloso fica lá, sozinho, em casa, esperando o rio chegar, e a comida esfriando no prato.
Porque ninguém, a não ser o rio, chega para fazer companhia ao caudaloso.
Imagino o dia em que o caudaloso canse de ser maltratado e resolva sair com outras palavras. Que esbarre com aquele abraço e o abrace de volta. Quem sabe aconteça o dia em que o abraço caudaloso dê tão certo que fique comum em nossos diálogos e que sejam almas perdidamente inseparáveis. Talvez pra isso sirva a poesia, mas talvez seja apenas mais uma loucura de quem vê vida em todas as coisas. Pois há verdadeiramente vida, em todas as coisas. E as palavras tem mais vida e mais atitude do que conseguimos imaginar.
O problema da interpretação está principalmente na força de vontade de querer compreender, tendo como ação de pesquisas, diversidades em possibilidades para saber direito onde quer chegar o que foi registrado.
O problema não é a presença do diabo, afinal ele vive ao nosso derredor, o problema é a ausência de Jesus, o rato só tem alguma liberdade quando percebe que o Gato não está por perto...
Eles criticam fogo nos racista
Só pra mudar o foco do problema
Quem problematiza é quem menos se importa
No quanto o racismo diário nos queima
Terra que exalta a meritocracia
Finge que não sabe o passado que tem
Diz que é só trabalhar pra ser alguém na vida
Mas nóis só começa do modo ninguém
Olhe bem nos olhos de uma mãe solteira
Que foge da fome e das bala perdida
Cadê as suas dez dicas pra ser milionário
E discurso de coach pra vencer na vida?
Saúde pública (e a falta de leitos) sempre foi um problema crônico em nosso país, assim como a educação, segurança e economia; especialmente em governos corruptos onde os serviços públicos essenciais (de qualidade) nunca foram prioridade.
Parte disso é culpa de grande parcela da população que trata político como celebridade, enxerga os governantes como ídolos, e se preocupa (e se ocupa) mais com carnaval e futebol do que com política. Ou quando se ocupa com política, trata como time de futebol, num fanatismo imbecil que prejudica toda a sociedade e em nada agrega ou evolui.
É óbvio que com a pandemia, estes problemas se agravariam em países como o nosso. E é totalmente desnecessário o presidente lembrar das crises na saúde dos governos anteriores, ainda mais como um tipo de justificativa de que o Brasil sempre foi assim.
Então, porque sempre foi assim, temos que nos conformar e seguir a vida normalmente? Trabalhar para pagar os impostos cada vez mais altos, quietinhos, sem exigir; e quando precisar, pedir a Deus para não morrer a míngua no corredor do hospital... É o tal do "aceita que dói menos", e se não tiver contente, vira político (pra "mamar" também) ou muda de país... Porque o país não muda!
Justamente por isso é que agora temos que fazer a nossa parte, pensando uns nos outros, porque político nenhum vai ajudar você e sua família na hora do sufoco.
Faz parte da cidadania pensar no coletivo, para não piorar o que já é ruim; e porque em uma situação como essa que estamos vivendo, a minha atitude interfere diretamente na sua vida, e assim por diante...
Quanto aos governantes (todos eles), precisam diminuir os blá blá blás e mi mi mis, e agir mais... Afinal, eles se candidataram e foram eleitos para nada mais e nada menos que isso! É a função deles, assim como a nossa é trabalhar e "se virar" para pagar os impostos dos quais eles vivem muito bem e até lucram!
Nenhum problema se não concordarem, mas há tempos que me convenci de que santo está para igreja, nunca para a política!
O racismo é um problema, um problema muito sério, e precisa ser falado porque não vai embora se não fizermos nada.
As lições que a vida insiste em nos dar são simples, o problema é que somos complexos demais para entender coisas simples.
Se não posso ser minha
O inferno é certamente mais apropriado pro meu drama
Qual o problema com o inferno?
Essa vida vida já é um inferno
O inferno humano
É o medo
É a dor
A dor nos olhos de uma alma angustiada
A dor nos olhos de uma jovem menina
Menina Mulher
Que só quer viver
Vive tão intensamente
Que chega a ser vazia
Vazia na alma
Alma vazia
É essa menina
