Preciso e Gosto de Intensidade

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Às vezes acho que gosto de magoar as pessoas. Já me disseram que tenho um coração de pedra. Mas sabe, é só aparência. Tenho desejos, medos e opiniões. A única diferença é que não gosto de sair espalhando por aí. Guardo tudo para mim mesma e tenho alta dificuldade em confiar nas pessoas. Sofro só de pensar em me abrir para alguém e depois o perder. Tenho um escudo em volta de mim que me protege da minha dor. Você realmente acha que me conhece? Você realmente acha que essa pessoa fria e calculista sou eu de verdade? Ilusão sua. Sou diferente quando estou comigo mesma. Só não quero parecer fraca. Já passei por tantas coisas que esse foi o único jeito que achei para me proteger. Ser outra pessoa. Desde pequena aprendi que o único modo de não ferir seus sentimentos é fingir que não os têm. Por favor, me perdoe. Mas não se engane com meus olhos. Sim, dizem que são portas para a alma. Mas a minha foi escondida lá dentro e trancada em uma gaveta dentro de outra. Nessa bola de neve, perdi quem eu sou. E não vou procurar.

Gosto de garotas de dois olhos.

Eu gosto do que me inquieta
sair da rotina, dos trilhos,
perder o fôlego, a pose, o rumo, o sono
tenho preguiça do sossego, ele me deixa chata.
Quietude só na alma, meu corpo precisa ouvir meus vasos sanguíneos.

Gosto daquilo que é confuso, enigmático. Nada que é explícito me atrai.

Amo seu sorriso,
seu cheiro,
o gosto do seu beijo,
seu jeito,
amo o jeito que você me olha,
o jeito que me abraça,
o jeito que me faz feliz,ate sem querer,
Amo tudo em você,só não amo essa distancia que existe entre a gente.

Se me pedirem o que eu mais gosto em você, direi com toda a certeza que é a facilidade que tem em me fazer sorrir, em me fazer feliz.

Gosto de quem diz que dessa água não bebe, faço morrer afogado.

Aos quinze anos, há até certa graça em ameaçar muito e não executar nada.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).

Tudo é possível debaixo do sol, – e a mesma coisa sucederá acima dele, – Deus sabe.

Machado de Assis
Memorial de Aires (1908).

Uma coisa é citar versos, outra é crer neles.

Machado de Assis
Memorial de Aires (1908).

E ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixes a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir.

Seja passado o passado. Tome-se outra vereda e pronto.

O homem é de fogo, a mulher de estopa; o diabo chega e sopra.

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.

É regra velha, creio eu, ou fica sendo nova, que só se faz bem o que se faz com amor. Tem ar de velha, tão justa e vulgar parece.

Machado de Assis
Memorial de Aires (1908).

Apenas pelas palavras o ser humano alcança a compreensão mútua. Por isso, aquele que quebra sua palavra atraiçoa toda a sociedade humana.

O casamento é a pior ou a melhor coisa do mundo; pura questão de temperamento.

Machado de Assis
Helena (1876).

Mulher, ó mulher,
Pudesse eu recomeçar este mundo,
inventaria de criar-te primeiro,
e somente depois retiraria Adão de tuas costelas.

Padre Fábio de Melo

Nota: Mulheres de Aço e de Flores

A valsa é a primeira dança do mundo; pelo menos é a única dança em que há poesia.

Machado de Assis
Ressurreição (1872).

Nota: Trecho adaptado do original.

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A alegria é a verdadeira prova dos nove.

Oswald de Andrade
Andrade, O. Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928