Preciso e Gosto de Intensidade
Às vezes acho que gosto de magoar as pessoas. Já me disseram que tenho um coração de pedra. Mas sabe, é só aparência. Tenho desejos, medos e opiniões. A única diferença é que não gosto de sair espalhando por aí. Guardo tudo para mim mesma e tenho alta dificuldade em confiar nas pessoas. Sofro só de pensar em me abrir para alguém e depois o perder. Tenho um escudo em volta de mim que me protege da minha dor. Você realmente acha que me conhece? Você realmente acha que essa pessoa fria e calculista sou eu de verdade? Ilusão sua. Sou diferente quando estou comigo mesma. Só não quero parecer fraca. Já passei por tantas coisas que esse foi o único jeito que achei para me proteger. Ser outra pessoa. Desde pequena aprendi que o único modo de não ferir seus sentimentos é fingir que não os têm. Por favor, me perdoe. Mas não se engane com meus olhos. Sim, dizem que são portas para a alma. Mas a minha foi escondida lá dentro e trancada em uma gaveta dentro de outra. Nessa bola de neve, perdi quem eu sou. E não vou procurar.
Eu gosto do que me inquieta
sair da rotina, dos trilhos,
perder o fôlego, a pose, o rumo, o sono
tenho preguiça do sossego, ele me deixa chata.
Quietude só na alma, meu corpo precisa ouvir meus vasos sanguíneos.
Amo seu sorriso,
seu cheiro,
o gosto do seu beijo,
seu jeito,
amo o jeito que você me olha,
o jeito que me abraça,
o jeito que me faz feliz,ate sem querer,
Amo tudo em você,só não amo essa distancia que existe entre a gente.
Se me pedirem o que eu mais gosto em você, direi com toda a certeza que é a facilidade que tem em me fazer sorrir, em me fazer feliz.
Tudo é possível debaixo do sol, – e a mesma coisa sucederá acima dele, – Deus sabe.
E ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixes a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir.
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
É regra velha, creio eu, ou fica sendo nova, que só se faz bem o que se faz com amor. Tem ar de velha, tão justa e vulgar parece.
Apenas pelas palavras o ser humano alcança a compreensão mútua. Por isso, aquele que quebra sua palavra atraiçoa toda a sociedade humana.
Mulher, ó mulher,
Pudesse eu recomeçar este mundo,
inventaria de criar-te primeiro,
e somente depois retiraria Adão de tuas costelas.
A valsa é a primeira dança do mundo; pelo menos é a única dança em que há poesia.
A alegria é a verdadeira prova dos nove.
