Preciso e Gosto de Intensidade
Ainda toca
Eu odeio admitir,
mas ainda gosto das músicas.
Não de você..
não de quem você virou
quando a máscara caiu.
Mas do que eu era
quando tudo ainda fazia sentido.
Cada acorde
não chama teu nome,
chama o meu
de um tempo que não volta.
E isso é o que dói.
Porque a música ficou bonita,
mesmo depois
de você ter estragado tudo.
"O gosto da minha saudade
tem sabor de chocolate,
doce que invade,
aquece e não se abate,
derrete na boca,
na mente se espalha,
amor que retorna,
memória que não falha."
O Sorvete que Virou Saudade
Algumas lembranças têm gosto.
A minha tem gosto de chocolate.
Todo Dia das Mulheres
eu chegava com um Magnum na mão.
Era simples, quase bobo para quem via de fora.
Mas para mim
era uma maneira silenciosa de dizer
tudo aquilo que às vezes os filhos
não sabem falar direito.
Eu entregava o sorvete
e dizia que a amava.
Ela sorria.
E naquele sorriso
o mundo ficava em paz por alguns segundos.
Eu não sabia
que um dia aquele gesto tão pequeno
viraria uma das maiores saudades da minha vida.
A gente nunca imagina
que os momentos comuns
estão, na verdade, se tornando eternos.
Hoje o Dia das Mulheres chega
e eu sinto falta daquele caminho simples:
comprar o sorvete,
bater na porta,
ver o sorriso dela.
O sorvete ainda existe.
O dia ainda existe.
Mas agora
o amor que eu levava nas mãos
precisa viajar pela memória
para chegar até ela.
E às vezes eu penso…
se o céu tiver pequenas alegrias humanas,
talvez em algum lugar
minha mãe ainda esteja sorrindo
enquanto eu chego com um Magnum na mão.
— Sariel Oliveira ✍️
Entre o que sinto e o que não posso viver
por Sariel Oliveira
Eu gosto de alguém
que não existe no meu mundo…
mas existe em mim
de um jeito que ninguém nunca existiu.
É estranho dizer isso,
porque você é real.
Tem voz, tem riso, tem jeito.
Mas não é minha realidade.
Você vive em outra cidade,
em outra rotina,
em outra vida…
onde eu não faço parte.
E ainda assim,
é com você
que meus dias ficam mais leves.
É no som da sua voz
que eu descanso.
É nas nossas brincadeiras
que eu esqueço o peso do mundo.
E, sem perceber,
eu fui ficando…
Ficando no teu jeito,
no teu sorriso escondido na fala,
no detalhe do teu queixo,
que eu nunca toquei —
mas conheço como se já tivesse sentido.
E isso me assusta.
Porque eu te imagino perto.
Te imagino aqui.
Te imagino sendo…
o que você não pode ser.
E talvez esse seja o meu erro:
sentir demais
por alguém
que não pode me escolher.
Você tem um mundo.
Tem uma vida.
Tem alguém do seu lado.
E eu…
eu fico do lado de fora disso tudo,
carregando um sentimento
que não tem pra onde ir.
E dói.
Dói não porque falta algo em você,
mas porque sobra sentimento em mim.
Dói pensar
que, se a vida tivesse cruzado nossos caminhos antes,
talvez fosse diferente.
Mas não foi.
E agora eu fico aqui,
entre o que sinto
e o que nunca vou poder viver.
Tentando aprender
a não me perder
em alguém
que nunca vai ser meu.
Gosto quando a face do sol aparece, seu semblante brilhante e seu temperamento caloroso, ilumina a todos sem qualquer distinção. A esperança vem como luz, acendendo aos poucos, vagarosamente as coisas, vão aparecendo, tomando formas, suas cores, a beleza resplandece emergida de um clarão, o novo dia.
Você sabe que eu gosto de tônica e gim
Você sabe que tenho gosto por pele e coisas belas
Você sabe que eu sou de morrer
Querido, ceda
Eu te disse em que você entrou quando nos conhecemos
Sinto o que não gosto, mas tenho o que pode parar esse sentimento. O problema, é que o tempo ainda não chegou.
Sempre gostei de biografias. O fato é que gosto de escutar as pessoas e suas histórias.
Amava quando meu tio vinha de longe com seus contos, suas cousas, suas experiências.Ou minha avó contava algo que a marcou muito, ou como foi vivido de forma diferente no passado.
E às vezes escuto as pessoas na rua, no mercado, pergunto, abro espaço.
Perceber pelo olhar do outro a vida de uma forma diferente é aprendizado.
Abra espaço para essa experiência.
Eu converso com meus demônios não porque gosto do inferno, mas porque eles são os únicos que não julgam minha bagunça.
Já reparou que o diabo tem um gosto excelente? Segundo os crentes, ele inventou o rock, o comunismo, o prazer e o pensamento crítico. Se tudo o que é bom é dele, o céu deve ser um tédio insuportável.
Entre tantas versões de mim, a que mais gosto é essa: a que sorri apesar de tudo. Ser eu mesma é meu melhor filtro.
Do cristianismo só gosto do vinho, dos feriados e dos pecados. Examinei todas as superstições conhecidas do mundo são todos baseadas em fábulas e mitologia e não encontro na superstição do cristianismo uma característica redentora, ou uma revelação. A decisão cristã de considerar o mundo feio e mau, tem feito do mundo feio e mau.
Eu buscava o sabor dourado da esperança, sua doçura luminosa, mas encontrava o gosto azul da melancolia, o amargor cinzento da ausência. Mas uma luz me cobria e eu sentia o sabor cristalino da paz, a leveza da manhã. Sua lembrança era o gosto rubro do amor e o sabor prateado da lua. Mas ardia a dura violeta da saudade, enquanto eu buscava o som luminoso da liberdade, sem perder a delicadeza transparente do afeto, na esmeralda dos sonhos no vermelho silente e solar da eternidade. Eu senti a voz aveludada do tempo no murmúrio sedoso da chuva e o canto macio dos pássaros era uma sinfonia em minha alma. No entanto, ardia o quente áspero do esquecimento na canção morna do verão. Eu sentia enfraquecer o meu corpo no silêncio cortante da ausência, mas a música líquida das fontes trazia sua delicada voz solar. O eco suave era a fala mansa do vento. Leve como a brisa na melodia transparente. Era o perfume luminoso do amor, na voz cintilante do desejo, a fragrância cálida da paixão que ruborizava meu rosto ao olhar seus olhos brilhantes na cândida alegria da tarde. O aveludado aroma da presença fazia a música macia da pele. E a voz doce das recordações é uma saudade teimosa que nunca vai embora e insiste no perfume estelar da união. A claridade do amor. A doce tristeza da saudade me deixava pensativa, vivendo no presente o passado distante. A voz pálida das lembranças que se fazia a escuridão doce da melancolia no aroma distante de quem anda errante a divagar memórias e a comer o tempo. Queimava o sabor nebuloso da perda, na canção fria da solidão, o eco azul dos dias perdidos, no silêncio do que ficou. Nem o perfume das galáxias podia redimir a música dourada dos astros. Mas a voz potente do universo faz calar o pranto e a claridade sonora das estrelas tem o toque luminoso da eternidade.
O gosto silencioso da verdade era a sonoridade invisível do destino no aroma imemorial dos séculos, na textura celeste da dúvida que se esvaia no perfume matemático das estrelas, cuja a voz arquitetônica do universo se espraiava no sabor abstrato da liberdade. A claridade oceânica do pensamento era a melodia filosófica da impermanência que levava consigo a textura sideral da esperança no aroma intemporal da beleza na voz geométrica do infinito. A luminosidade silenciosa da consciência tinha gosto estelar da transcendência e a música subterrânea do destino era o perfume primordial do ser, cuja claridade poética era astronômica na saudade e na voz mineral da verdade. O aroma gravitacional do amor era etéreo na arqueologia do passado, na luz oceânica da eternidade. O perfume triangular da lua era a voz hexagonal das nuvens no sabor espiral do vento. A textura circular da saudade tinha a claridade prismática do amor na melodia vertical da aurora no aroma espelhado do céu. A voz labiríntica das montanhas estrelava a chuva na textura flutuante da memória. A sonoridade cristalizada da neve era o perfume errante dos caminhos, navegantes do tempo. A condição peregrina da esperança tocava a música planetária da noite, que orbitava em silêncio na luz nômade da ternura constelar da distância desmedida na vida celeste do infinito luminário dos sonhos. A voz navegável da saudade faziam as mãos mais descrentes no instante ambivalente de fechar as cortinas e finalizar o espetáculo, no sabor astral da lembrança numerosa tanto quanto onerosa, na forma galáctica da poesia no intermitente destino que se fazia mais vivo na música suave no instante do amor.
DESCOBRI
Descobri que uma das coisas que mais gosto de fazer nesta vida é escrever. Mesmo que o que escrevo seja desordenado e desalinhado para uns, uma loucura ou uma idiotice para outros. Que as frases sejam sem nexo e sem uma direção certa. Não importa. Só sei que escrever me alimenta. Alimenta e relaxa meu coração poético.
Queria escrever algo banal, tranquilo que apenas me levasse a fugir deste corre-corre da vida. Não sei o que eu quero com isso. Talvez atingir o cume da montanha mais alta. Não sei.
Talvez me perguntem, por que a montanha? Talvez pudesse ser a mata, ou o deserto, ou o mar, quem sabe o céu. O que importa quando não sabemos se a direção é certa ou incerta como o tempo?
Escrever atinge o ilimitado. É como a vida, ilimitada, sem uma coordenação. Quero atingir todos os limites, o cume, o ápice, a adrenalina constante.
Estou ainda tentando escrever algo sereno, algo que deixasse um pouco de lado meu apogeu. Mas não encontro. Na verdade nem quero encontrar, quero continuar buscando cada vez mais.
A outra coisa que gosto de fazer é amar. Amar quer dizer algo? Amar nunca foi algo. Amar é tudo. Eu gosto de amar as pessoas, amar me deixa feliz. Saber que as pessoas estão felizes me deixa extremamente feliz.
Meu instinto de mulher quando amo fica tão estável que eu poderia descrever detalhes que talvez inundasse esta pagina com palavras de amor...mas o que importa isso tudo se ninguém se importa mais com o amor.
Amar é tão vasto que eu poderia me perder amando. Escrever e amar são uma junção que combinam. Em meus versos escrevo amando sem uma noção certa do que quero deixar na página, apenas amo escrevendo e escrevo amando.
Gosto de pessoas decididas. De pessoas com atitudes, que levam adiante seus planos e as suas vontades. Esse negócio de meio termo, já não me satisfaz mais.
"Gosto de saber que existem dois chaveiros pra mesma porta. E que quando eu chegar, as botas gigantes já vão estar lá na soleira, esperando pela namorada."
"Gosto de levantar pra trabalhar e cobrir os pés de quem dorme do meu lado. E cobrir o rosto dele em sono pra não incomodar com a luz."
