Pouco
Veio docê.
Todo o amor que habita em mim, veio de você, percorreu um caminho tranquilo e pouco tortuoso.
O caminho em si, demorou para encontrar, mas agora você prefere não voltar.
É bom.
Eu gosto que não volte, eu gosto da ideia de ficar, permanecer, pertencer, eternizar.
Eu gosto do incondicional.
Gosto de tudo que se sente, de tudo o que faz voltar um sorriso, um brilho no olhar.
Gosto do que o sentimento faz com o sentimental.
Gosto do efeito surreal que nos rodeia.
Gosto dessa nuvem de fantasia, que faz com que cada vez seja a primeira, com que cada vez seja só alegria.
B.
''Não faço questão de muito ou de pouco. Faço questão do que é verdadeiro. Pois o verdadeiro é valioso.''
Vai passar, como tudo passa... dói um pouco o impacto do não, mas a maturidade é boa nessa hora, amar demais só a si mesma, assim, qualquer outro amor, paixão ou ilusão, passa sem maiores cicatrizes, deixando no máximo uns arranhões e o entendimento que não era para ser, e quando é assim, simplesmente não é.
Sinto que ainda permanece aqui, um pouco da mariposa perdida no caminho que fui… eu fui. Segui a pé a estrada da nossa despedida, sem lenço no bolso, sem nenhum vento para soprar a direção. Passando por todo o espinho que insistiu em me açoitar, com a mala tão pesada que me exprimia a coluna, com a vida tão frágil que sem ver, meus pés se molhavam com minhas próprias lágrimas. Virei estátua de sal, parei só pra olhar em teus olhos uma vez mais, um sonho a mais. Permaneci, intacta, como a mariposa que não consegue mais bater as asas, tão maleável, tão diminuída a nada, uma poeira… que a gente varre e deixa longe, tão longe…
Permaneci, com o retrato de nossa história, com as fotos empoeiradas, preta e brancas agora, com o som de um martírio não mais dividido, com o adeus. Só o adeus. Permaneci, com o retrato do que você era, só olhando, como se eu pudesse resgatar o teu sorriso, o teu olhar caído encima de mim, você. Esperando só um pio de respiração que viesse da sua alma, mas perdi.
Eu fui, estátua de sal, que espira teu sorriso em troca do amor, que congela a vida pra viver em outra hora, que congela o tempo porque, às vezes, ele é triste demais… perdido demais. Fui, o desenrolo de toda a canção que os poetas um dia, escreveram, só pra mostrar com outros olhos a vida que passava atrás da porta, lá fora, o dia que se abre por trás do sol, porque viver é mais. Maior que toda a obrigação que esfregam no nosso rosto, maior que todo o bater de pés, maior que todo o cansaço, que todo o tempo congelado, que todo o estrago, que todo o abismo que vive dentro de nós. É maior do que a vontade de parar, e se tacar no buraco e esperar a chuva para morrer afogado. É maior que ser uma mariposa e perder as asas. A vida, amor, sempre foi maior que eu. E sempre será maior que nós.
Porque a saudade nunca te fará reviver o passado, nunca me fez, nunca me restou nada do que eu tanto amei, senão lembranças. E nenhuma delas totalmente intactas. Pois a verdade de toda essas horas em que nos desesperamos, é que perdemos. Perdemos, essas tais lembranças de que falei, perdemos, alguns laços em torno dos dias, perdemos a nós mesmos em certas épocas, ou pra toda a vida. E nunca mais achamos, nunca mais conseguimos encontrar o verdadeiro eu que se escondeu em algumas das inúmeras estradas que trilhamos. Perdemos… o caminho e a força, hora ou outra, a coragem. Só pra mostrar que somos grãos de areia, cinza… etceteras.
E no fim, só a alma sabe o quanto permaneci, com minhas asinhas quebradas, com meu amontoado de malas. E mesmo com as horas sufocantes tentando catar pedaços de mim perdidos pelo caminho, eu ainda, mantive a respiração. Pois você sabe, quantas coisas a gente perde no meio do caminho… dentre elas, o coração.
Às vezes, só para irritar a mamãe um pouco mais, ele também levava o instrumento para a cozinha e tocava até o fim do café-da-manhã.
O pão com geleia de papai ficava meio comido em seu prato, enrolado no formato das dentadas, e a música olhava de frente para Liesel. Sei que soa estranho, mas era assim que ela a sentia. A mão direita de papai passeava pelas teclas cor de dente. A esquerda apertava os botões. (A menina gostava especialmente de vê-lo apertar o botão prateado cintilante - o dó maior.) O exterior do preto acordeão, arranhado, mas reluzente, ia para um lado e para o outro, enquanto os braços de Hans apertavam os foles empoeirados, fazendo-os sugar o ar e tornar a expeli-lo. Na cozinha, nessas manhãs, papai dava vida ao acordeão. Acho que isso faz sentido, quando a gente realmente pára para pensar.
Como é que a gente sabe se uma coisa está viva?
Virifica a respiração.
Pensei por pouco tempo nos clichês, sobre como você devia ver sua vida passar diante dos olhos. Eu tinha muito mais sorte. Quem afinal queria ver uma reprise? Foi ele que eu vi, e não tive vontade de lutar.
Ser feliz é condição, ou você é, ou você não é, ninguém pode ser meio feliz, ou pouco feliz. Nada adiantaria ao homem ter tudo, e por apenas ter tudo não ter nada. Esse nada é a falta da felicidade. Se quero ter tudo, sim, quero ter tudo que for felicidade, e tudo que me jogue em felicidade. A felicidade é uma constância inteligente de se viver, é o cair da chuva e molhar da melhor roupa, é a marca vermelha do sol na maçã do rosto, é o suor na testa do árduo trabalho, é a simplicidade de um obrigado por tudo. Felicidade é um 'ufa', terminei o dever. Felicidade é dever de se fazer, se fazer feliz é ter a você mesmo em sua melhor essência, a essência do amor mais próprio que há dentro de você.
Esse sou eu
Insignificante existência
Mas que a cada dia aprende a ter um pouco mais de paciência,
com o amanha
Aqui estou
Correndo um risco eminente, de mais uma vez decepção, mas ainda acreditando,
que algo de bom vem pela frente
E se não restar muito, continuo sonhando
Pra escrever o que não cabe no coração
Sabe, eu penso quando canto! Acabei ficando rouco de cantar pensando e cansei. O pouco que dormi sonhei com você! E acordei louco pra ouvir sua rouca voz e cantar pra você...
Soneto da Ilusão Quebrada
Quem sabe, talvez, eu me aprimore
Talvez eu devesse ler um pouco mais...
Aprender mais sobre esse folclore,
Um pouco mais sobre meus ancestrais
Talvez estes poemas amadores que faço
não tenham o que é realmente preciso
para fortelecer este estranho laço...
São rimas que faço de improviso...
Rimas, estas, pobres e sem sonoridade
Sem nenhum tipo de ambição profissional
Que apenas expressam a minha vontade
Vontade que a cada dia parece ser mais banal
parece ser mais carnal, com mais sexualidade
com textura, e com sabor de que está no final
Palavras é pouco pra dizer o que o coração deseja. Olhar é o suficiente para falar o que as palavras não conseguem.
Ela o amava muito, sentia o que qualquer coração com um pouco de sanidade se seguraria pra não sentir. Sempre achou estar na época errada, sempre achou não combinar com todo o resto... Até que o viu. Não diz que ele a completou, melhor que isso, diz que por ele se tornou alguém muito melhor, mais do que duas metades juntas, duas pessoas completas. Dormia e acordava na vontade de beija-lo, de ouvir o seu bom dia até nos dias mais sem humor. No frio ela grudava seu pé gelado entre as canelas sempre quentes dele, ele retrucava, mas nunca ousou deixar de esquenta-la. Eles brigaram muito, descobriram um com o outro como é o amor verdadeiro, nada racional, nem passivo. Descobriram que aquelas brigas, deixou o sentimento maior em menos de um segundo, a cada segundo. Aprenderam que nome de filho muda, conforme muda o humor. Hora Gertrudes, quando feliz, Manuela. Na hora da raiva os nomes mais incomuns a eles surgiam. Poucas vezes expuseram aquele sentimento... corrigindo: ele poucas vezes expôs. Ela pouco segura, jurava amor aos quatro ventos, até descobrir como era bom ter aquele sentimento oculto, aquele sentimento consumado de pseudônimos, de segredos e apelidos que só se eram ditos em meio a solidão, aquela doce solidão formada por duas pessoas. Era lindo... é lindo. E vai durar pra sempre. É o que ela sempre diz...
