Porta Janela
"Damos as chaves da nossa paz ao que desejamos reter; quando o objeto se vai, a porta se tranca por fora."
Quando estiver triste, desanimado ou sem forças, entra no teu quarto, tranca a porta e vai orar, solta o que está te prendendo.
A mudança é a chave que destrava a porta da transformação, revelando novos horizontes. Como alquimistas da nossa própria jornada, cabe a nós girar essa chave, desvendando possibilidades antes ocultas. É na coragem de abrir essa porta que encontramos o caminho para a evolução, a renovação de perspectivas e a descoberta de potenciais adormecidos. Cada giro da chave é um passo para além da zona de conforto, um convite ao desconhecido que, muitas vezes, guarda as melhores surpresas. Portanto, ouse girar a chave, abra a porta da mudança e permita que o novo fluir transforme a sua jornada.
Haja o que houver, por pior que a situação fique, aqui você estará seguro. Pode sempre vir para cá. Sempre.
Eu queria poder ser perdoada. Eu queria muito poder ser perdoada. Eu quero voltar. Quero fazer de novo. Quero fazer diferente. E não consigo.
Ah! Quanta hipocrisia nos cerca o dia-a-dia
Que traz da noite a indiferença da tarde vazia
Os choros calados saltando das janelas dos prédios
Centralizadamente iguais
Os fios dos telefones asfixiam corações
Atrofiados e doentes
A alegria torna-se a alergia de muitos
O corre-corre, o grande propulsor da vida
Que cotidianamente mente
Que foge de si, de dó e até de ré
Anda em círculos e triângulos
Viciosos, tendenciosos demais para perguntar
Qualquer informação aqui é atentado
E aqui ninguém quer atenção
A tensão aqui é por dinheiro
Foge-se das férias e se reza pela hora extra
A hora extra da morte é a extrema unção
Se quem fica parado é poste
Quem se mexe é cachorro
Quem será que leva sua própria sacolinha?
Pula choro, pula!
Antes morrer sozinho do que habitar olhos que não vêem o mundo
O coração morreu de tédio num domingo
Só porque segunda era feriado.
Lirio.
Nasceu, aparentemente igual as outras, com o mesmo destino também, passava os dias ninguém a notava ,
todos passavam e ela sem ninguém. De tão cansada suspirou, perdeu o equilibrio caiu no chão.
Não se sabe por quanto tempo ali ficou, até uma menina triste lhe colocar entre os cachos,
reconhecendo o seu valor.
- Trajetória de uma flor. -
Au Revoir.
"Já é tarde amor
O último bar fechou as portas
Te levo pra casa, te coloco na cama
Um beijo na testa, um sorriso talvez
Vou embora, fecho a porta
A porta do teu amor no meu coração também
Ao acordar terá um bilhete de baixo de uma xícara de café
Com os dizeres: "Não me espere, não volto mais.
Au Revoir "
Já é tarde amor
Fingi que não vi você fechando a minha porta.
Fico rolando na cama até conseguir esquecer
Dormir, um sonho talvez
Vai embora, não quero mais esse cinismo, falso amor
Quando saíres terás um bilhete no bolso com os dizeres:
"Não me espere, não volto atrás.
Au revoir"
De volta.
Peço ao motorista para ir mais devagar, quero matar a saudade de cada rua, cada ponte, tento abraçar tudo com os olhos, quero absorver, observar.
Não tenho mais certeza quanto ao endereço, ainda bem que achei ao acaso escrito num pedaço borrado de papel, dentro de uma edição velha do meu livro favorito.
Agora não olho mais pra rua, tento disfarçar o nervosismo, tento acreditar na mentira de que o tempo não passou, que tudo ainda está no mesmo lugar.
O carro para, deixo de lado meus pensamentos mais íntimos, dou uma nota e digo que não preciso de troco, saio com as malas, o táxi parte e eu fico, parado.
O mundo girou e eu nem percebi, procuro as chaves no bolso, deixo as malas na porta e entro.
Não sei se é a saudade ou se é de verdade mas sinto aquele cheiro de café forte sendo coado, saio abrindo portas e janelas deixando a luz entrar, vou até a cozinha com a esperança de que ela esteja lá, não tem ninguém, o cheiro de café era fruto da saudade, ela foi embora dois anos antes, levou o cachorro e a velha TV.
Sento no balcão, ainda posso ouvir seus passos, continuo andando pela casa lembrando cenas antigas de um passado qualquer, vou ao quintal, o jardim continua florido e bem cuidado, corro para o portão sorrindo, tenho certeza que ela vai voltar.
A aceitação é uma fabulosa prece
Ela liberta o mais ínfimo ser de suas amarras
Tornando-o supremo no rol de suas limitações
Se fosse possível aprisionar o conhecimento
E ele não se esvaísse em soltas nuvens
Seus devaneios pessoais seriam como pequenos mestres
Enclausurando a sua totalidade através das existências plurais
Mas é possível aprisionar-se em si mesmo
E perder-se do seu eu mais liberto
Correndo por caminhos mentais alheios
Sacrificando o que teus corpos vêm adquirindo há séculos
Se ouça, se respeite
Nada pode ser tão correto quanto a própria verdade
Não apodreça sua pureza por instintos de pertencimento
De encaixe
Solte-se no universo
E verás que tu és teu soberano
Que nenhum opressor pode exercer seus domínios
Seja você, aceite-se.
Não tenho uma cicatriz como você, mas, se olhar aqui para dentro, verá que meu coração está partido.
