Porque Sofremos
É fácil catalogar as dores que sofremos. Difícil é admitir que em algum capítulo desta vida, fomos o motivo do sofrimento alheio.
"Já dizia Jalison Santos:
Às vezes sofremos mais do que deveríamos por pessoas que nem vale a pena sofrer."
Sofremos, por não decifrar o justo do injusto, o verdadeiro do falso, o leal do desleal. Vivemos olhando apenas de um ângulo. Por não estarmos preparados para as inconstâncias da vida, acabamos perdendo no meio do caminho, o melhor dela.
Como sofremos de amor, como sofremos por nos entregarmos e permitirmos que outro ser tome conta de cada pedaço do nosso ser. Amar é um sofrimento, pois queremos ter o outro a cada instante pertinho da gente. Tudo isso faz parte, tudo isso servirá para encontrarmos em nós mesmo o amor puro e verdadeiro. Amar sem se entregar não é amar, é uma paixão que some da mesma forma que surge. O amor não, o amor surge e permanece intocável em nossos corações, nos tornando seres de luz e eternos.
A maturidade começa quando deixamos de perguntar por que sofremos e passamos a perguntar o que o sofrimento ainda pode nos ensinar.
Contaminados
Enquanto estamos longe, sofremos;
Quando queremos dormir, o sono não vem;
Sofrer; no momento é a nossa melhor opção;
Dias vão; dias vem; em cada passo dado nossas sombras tem nos acompanhado, tímida e silenciosa;
Não adianta tentarmos entender porque nossa respiração mudou, ou porque nossos corações estão batendo descompassados e diferentes do habitual;
O rosto cansado, as mãos frias, o olhar distante e triste, são características percebidas e comentadas entre o nosso ciclo de amigos em comum;
Decisões podem ser revertidas, mudanças devem ser feitas, comportamentos e sentimentos precisam ser respeitados e explorados;
Então; quando nossas vidas dependem uma da outra para ser felizes, nada e nem ninguém pode nos impedir de recomeçar.
“A Tirania do Ausente”
Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos. Esta sentença é diagnóstico impiedoso de uma humanidade doente de ingratidão e cega para a própria abundância.
Observe o homem moderno: possui teto, mesa farta, afetos que o cercam, saúde que o sustenta. Mas toda sua atenção está voltada para aquilo que não tem o cargo que não alcançou,
o reconhecimento que não recebeu, o amor que não conquistou, o dinheiro que não acumulou. Caminha sobre tapete de bênçãos sem olhar para baixo, com os olhos fixos no horizonte inalcançável das coisas ausentes.
Schopenhauer tinha razão: somos criaturas da falta perpétua. Não importa quanto possuamos o desejo já está correndo atrás do próximo objeto. Conseguimos o emprego sonhado e imediatamente queremos a promoção. Conquistamos o amor desejado e já olhamos para o que falta nele. Alcançamos a meta e sentimos vazio, porque a meta era apenas desculpa para não apreciar o caminho.
É perversão ontológica: transformamos presença em invisibilidade e ausência em obsessão. O filho saudável que brinca na sala é ignorado enquanto nos torturamos pelo filho que não tivemos.
A comida no prato é engolida sem sabor enquanto invejamos o banquete do vizinho. O presente que temos é desvalorizado pela promessa do futuro que talvez nunca chegue.
E quando finalmente conseguimos aquilo que faltava? Quando o pouco ausente se torna muito presente? Não gozamos. Não celebramos. Apenas deslocamos a falta para outro lugar. Porque não é a coisa que queremos é o querer que viciou nossa alma. Não é a conquista que buscamos é a angústia da busca que nos define.
Epicuro alertou há dois mil anos: aprende a viver com pouco e descobrirás que tens muito. Mas nós, surdos à sabedoria antiga, fazemos o oposto. Temos muito e vivemos como se tivéssemos pouco. Possuímos abundância e sentimos escassez. Somos ricos que vivem na mentalidade da pobreza não de bens, mas de gratidão.
Esta é cobrança que precisa ser feita: você, que reclama do pouco que falta, já agradeceu hoje pelo muito que tens? Você, que sofre pela promoção que não veio, já celebrou o emprego que possui enquanto milhões estão desempregados? Você, que chora pelo amor que terminou, já honrou os que permanecem ao seu lado? Você, que lamenta o que perdeu, já reconheceu o que nunca te foi tirado?
A ingratidão é forma sofisticada de cegueira. Não vemos o que está presente porque nossa visão está intoxicada pelo ausente. É como passar a vida procurando óculos que estão no próprio rosto enquanto procuramos, não enxergamos nada do que está diante de nós.
Marco Aurélio escrevia para si mesmo: “Quando acordares de manhã, pensa no privilégio que tens de estar vivo de respirar, de pensar, de apreciar, de amar.” Mas quantos de nós acordamos pensando nisto? Acordamos já contabilizando faltas, já lamentando ausências, já construindo listas de insatisfações.
Jesus disse: “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã.” Mas vivemos perpetuamente inquietos não pelo amanhã apenas, mas por tudo que não temos hoje. Transformamos o presente em sala de espera angustiada pelo futuro. E quando o futuro chega, já estamos olhando para o próximo, numa fuga perpétua do agora.
Existe crueldade nesta escolha porque é escolha. Ninguém nos obriga a sofrer pelo pouco que falta. Escolhemos focar no vazio em vez da plenitude. Escolhemos a ferida pequena em vez da saúde ampla. Escolhemos a sombra fina em vez da luz abundante.
E o mais trágico: este sofrimento autoinfligido não produz nada. Não nos torna melhores. Não melhora nossa situação. Apenas consome a vida que temos enquanto esperamos pela vida que imaginamos merecer. Morremos de sede ao lado do poço, reclamando que não é oceano.
A vida te deu saúde? Agradeça antes de lamentar a beleza que não tens. Te deu família? Celebra antes de chorar pelos que partiram. Te deu trabalho? Honra antes de invejar o trabalho alheio. Te deu hoje? Vive antes de angustiar-te pelo amanhã.
Porque aquilo que tens hoje este corpo que respira, esta mente que pensa, estes olhos que leem estas palavras é exatamente aquilo que alguém que já partiu daria tudo para ter novamente. Tua vida comum é milagre impossível para os que jazem sob a terra.
Então para. Olha ao redor. Conta. Enumera. Lista tudo que tens antes de lamentar o que falta. E descobrirás verdade constrangedora: tens mais do que mereces, mais do que precisas, mais do que percebes.
Sofremos muito com o pouco que nos falta porque escolhemos sofrer. Gozamos pouco o muito que temos porque escolhemos não gozar. E um dia, quando tudo isso que ignoramos hoje nos for tirado, finalmente entenderemos tarde demais que éramos ricos e vivíamos como mendigos.
A cobrança é simples: para de reclamar e começa a agradecer. Para de contar faltas e começa a reconhecer presenças. Para de viver no exílio do que poderia ser e habita a plenitude do que é.
Porque a vida não te deve nada. Mas tu deves à vida o reconhecimento de tudo que ela já te deu.
O sofrimento deve ser proporcional ao que o motivou. Se sofremos menos, pode ser que tenhamos evoluído. Se sofremos mais, pode ser que não sejamos gratos o suficiente por todas as outras coisas que possuímos, inclusive a própria vida. (PLDD)
E agora?
Talvez perdemos ou ganhamos,
Agora, tanto faz,
Sofremos, mas aprendemos,
Sorrimos, aliás,
Amamos e odiamos,
Esquecermos?! Jamais...
Caminhamos juntos,
Planejamos mundos,
Embora diferentes, desiguais,
Sonhamos tanto!
E agora?
Nem sei onde você está!
Sofremos por amor e culpados o destino .
Então se vc não quer sofrer por amor falsa vc mesmo o seu destino .
As vezes é necessário fechar os olhos, numa tentativa de enchegar melhor. Frustração, sofremos de miopia…
É verdade que temos mania de esperar dos outros comportamentos iguais aos nossos. Aí sofremos quando descobrimos que não é bem assim.
"Paramos de gostar de alguém por uma amiga, sofremos no lugar de uma amiga, quebramos o nosso coração no lugar de uma amiga, choramos de raiva e de tristeza no lugar de uma amiga, quebramos a cara no lugar de uma amiga... e o que recebemos em troca? nada, simplesmente NADA ! e ainda somos chamadas de "fura olho", "falsa", "mentirosa"..."
Essas são as consequências que sofremos por sorrir quando deveríamos chorar.
Esse é o preço alto que somos obrigados a pagar em longas prestações de solidão.
A realidade espera você relaxar e se encostar na parede da felicidade, só para depois puxar suas pernas e fazer você bater a cabeça na tristeza.
Sofremos de amor por não sabermos o que é amar, mas sabemos que a dor só vai piorar se dermos liberdade de nos fazerem chorar. Pensamos que o ar vai nos faltar quando perdemos alguém que prometeu jamais nos deixar, mas encontrar a certeza de que vamos sofrer, pra poucos traz um alivio por saber que ainda temos o que viver, isso só nos faz crescer. Essa fase é uma forma de nos fazer ver que a cada dia mais somos capazes de amar, amar de verdade.
A dúvida é uma dor solitária, quando sofremos com ela a vida fica presa ao passado e se não a tirarmos da nossa mente passamos a viver na mais completa tristeza sem saber a verdade dos fatos que tanto nos incomoda, daí, a única atitude que podemos tomar para solucionar esse problema é perdoar a quem supostamente nos afligiu.
De tempos em tempos sofremos de tristeza e de angustia, e eu diria "ainda bem que assim seja porque só assim venceremos as dificuldades da vida e as nossas buscas intermináveis pelo nosso ser interior"
