Porque

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Eu não tenho medo da dor, tenho medo da ausência de sentido, porque sofrer sem direção é como existir no vazio absoluto, e eu já me perdi vezes demais dentro de mim, mas foi nesse labirinto que encontrei pequenas razões para continuar.

Eu não sou forte, eu sou persistente, e existe uma diferença tênue entre os dois, porque a força se esgota, mas a persistência se arrasta, e, mesmo aos pedaços, eu continuo.

Aprendi que Deus, às vezes, responde no silêncio, porque há verdades que só um coração quebrado consegue compreender.

Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, mas hoje eu o abraço, porque finalmente aprendi que ele também merece amor.

Eu permaneci não porque havia esperança, mas porque algo em mim se recusou a obedecer ao fim.

Há algo quase indestrutível em quem já não teme mais se perder, porque já esteve perdido e voltou.

Há dores que não pedem cura, pedem espaço. Porque, quando negadas, não desaparecem… apodrecem em silêncio e, inevitavelmente, destroem tudo ao redor.

Escrevo porque, por vezes, transfigurar a dor em linguagem é a última tentativa de impedir que ela me consuma de dentro para fora. Ainda assim, existem melancolias que transcendem as palavras, perpetuando-se em regiões abissais da alma onde o tempo não possui poder curativo, apenas condiciona o espírito a sustentar, com silenciosa elegância trágica, o incêndio irreversível da própria existência.


- Tiago Scheimann

Sobreviver me ensinou mais do que viver. Porque viver é leve quando tudo está em ordem. Mas sobreviver exige luz onde há escuro, fé onde já não sobra certeza, e coragem onde a alma já teria desistido.

Há palavras que nunca saíram de mim. Não por falta de desejo, mas porque pressenti que o mundo não saberia recebê-las. Então elas ficaram aqui, acumulando peso e silêncio. E o que não se diz, com o tempo, também fere.

Pensar por conta própria é a forma mais alta de coragem. Porque há menos perigo em obedecer, do que em despertar.

Continuo existindo não porque compreendi plenamente a vida, mas porque alguma centelha silenciosa dentro da minha alma ainda acredita que sobreviver também pode ser uma forma de transcendência.

Escrevo porque há dores que não sabem gritar, apenas se transformam em palavras. Sou feito desse homem que sofre, observa, reza, recorda e continua, convertendo abandono em linguagem e fragilidade em algo que o tempo não consegue destruir.

Não escrevo para parecer forte, escrevo porque conheço a fragilidade de perto. Entre lembranças, orações e silêncios, aprendi a transformar ausências em linguagem e a dar sentido às ruínas que encontrei dentro de mim.

Há dores que não procuram resposta, porque a pergunta já é a resposta: continuamos vivos, mesmo depois do que nos diminuiu.

Fui me encontrando nas horas em que ninguém me aplaudia, porque a vida, sem espectadores, revela a textura do que sou.

A espiritualidade me interessa justamente porque não elimina a ferida, ela a converte em altar de paciência.

Há uma estranha paz em não amar profundamente. Nada falta, porque nada realmente importa. Mas basta um único amor verdadeiro para que a existência deixe de ser tranquila e passe a ser infinita, entre o medo da perda e a certeza de que jamais se volta a ser o mesmo."

E eu me decidi pela liberdade! Liberte-se também da prisão que sou eu, porque não voltarei mais para te alimentar com minhas fatais doses de amor...

Por que você?
Porque você se encaixou em meus planos, e não em meus prazos!