Por Voce eu Pegaria mil vezes
Se você possui algo, seja o que for, um dom, uma palavra, uma poesia, um conselho ou um pão e não divide, não compartilha, você não tem nada. Pior, você é um miserável nessa Terra. Você nunca vai fazer falta. Porque não vai ser notado, nem sentido. Apenas sumariamente evitado.
Tanta gente bacana no mundo e você sofrendo por causa de um cocô que aprendeu a andar e saiu da privada.
Se você se encontra atualmente, tentando de toda maneira provar para alguém que você vale a pena, você já perdeu o seu valor.
Se você tiver sorte,
Vai conhecer e viver um grande amor;
Se tiver mais sorte ainda,
Ele irá se desfazer e você seguirá feliz.
Fim.
Você se pergunta se está no caminho certo. Mas como alguém pode te dizer se nem ela mesma sabe se está no caminho certo?
E depois, o que é o caminho certo? O que, ou quem pode apontar o Norte, servir de bússola nesses tempos -no mínimo- inglórios?
Quem pode dizer o que é o certo e o errado para a sua, para a minha vida?
Porque deveríamos credenciar alguém para tão ingrata missão?
Porque por mais que alguém seja justo, bom, digno e honesto aos nossos olhos, não significa que terá as respostas que buscamos.
Nem que a receita que deu certo para uma pessoa vai ser igual para um de nós.
Então, qual o caminho a seguir?
Como viver a nossa vida em segurança ou pelo menos, com tranquilidade?
A resposta mais correta é confiar nos seus instintos. Esquece esse papo de agir com a razão. Ou ouvir o coração.
A razão tem feito tudo isso que vemos a nossa volta: O caos.
E o coração! Ah, esse retardado que anda batendo por qualquer porcaria que se mova. Que não sabe diferenciar um elogio de um ardil...
Alguma pessoa muito perdida recomendou isso um dia.
Ouça o que diz o seu instinto. Ele é aquele resquício digno da nossa ancestralidade. Que é isso o que somos. E o nosso maior erro foi anular essa ferramenta negando o que somos: bichos, feras.
Umas adestradas. Outras nem tanto.
Mas bichos.
O nosso instinto nos guiará para um lugar seguro. Ou seja, para bem longe de nós mesmos.
Meire Moreira
Você me diz
Faça assim, não assado
Diga isso, não aquilo
Veja dessa maneira, não daquela
Ande por aqui, não por ali
Vá agora, agora fique
Fale um pouco, se cale
Quero você, você me faz mal
Enquanto brinca de se esconder
Se esconde de viver
Parece que ama e desama
Está e nunca está
Dentro de você, mil monstros
Fora de você, outros mil
Parece gostar de ser cruel
Sendo bom
Que instrumento desafinado é você?
E esse vazio que nem você nem ninguém preenche nunca que você troca de roupa que você troca de casa que você troca de rosto e tudo continua do mesmo jeito
Esse vazio que você troca de parceiro que você troca o cigarro o isqueiro mas a fumaça e a neblina é sempre igual
E esse vazio que você enche a casa de móvel que você enche a estante de livro que você compra tanta bobagem mas nunca aprende e repete a mesma Velha História
E esse vazio que você olha para o espelho procurando um rosto conhecido mas na sua frente só vê um estranho
Faça sempre o que esperam de você
Coma toda a comida
Raspe o prato
Passe a roupa
Volte cedo
Penteie o cabelo, a barba, o bigode
Faça natação, equitação, judô
Termine a lição
Fale pouco
Sente-se direito
Atravesse na faixa
Beba oca ola
Faça algo memorável
Tenha filhos
Respire fundo
Respeite as regras, as leis, os dogmas
Silencie
Pare de respirar
Deite enfim
Porque morto
Você já está.
Meire Moreira
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