Ponto
A riqueza se torna um mal quando vira egoísmo, que é quando acumula-te tanto, a ponto de deixar outros sem nada.
"Será mesmo que a canção estava certa e romântico é uma espécie em extinção?No meu ponto de vista não,são as pessoas que andam sem tempo e vontade de demonstrar o que sentem,porque acham que o outro já sabe,pra que ficar repetindo né?Só esquecem que para o amor ser duradouro,temos que viver a conquista do outro todos os dias,seja num simples bom dia,num bilhete grudado na geladeira com um beijo de batom,ou ligar pra dizer que sentiu saudades,gestos aparentemente pequenos,mas de um valor afetivo imenso,reviva a fase inicial do seu relacionamento onde havia encanto,carinho,atenção e cuidado,e principalmente cumplicidade,o amor além de ser sentido,precisa ser explicitamente demonstrado,declarado,sem medo de parecer piegas ou brega. Asseguro que o romantismo não acabou,me refiro aquela sensação gostosa de ternura,de preocupação com outro,que nos dias atuais deu lugar ao individualismo e a indelicadeza.Que tal zelar pelo seu amor,ressalte mais as suas qualidades,deixe de focar só nos defeitos,mostre a ele o quanto você se importa,e em como sua vida ficou mais bonita depois da sua chegada,tenha sempre uma palavra doce pra dizer,mesmo que no momento ele não esteja merecendo.
Você pode até dizer que não existe alguém assim,romântico,sinto discordar,é só olhar pra mim."
Algumas etapas terminam em beijos, em tapas, em acenos, em lágrimas, em risos, e o ponto principal é entender que terminou, que se pode começar outras.
Ponto final e pronto,adiar certas histórias com vírgulas e reticências,perde-se inspiração e credibilidade.
Eu quero ganhar flores.
Não, eu quero que alguém se importe comigo ao ponto de querer me dar flores.
Sem eu ter que implorar, sofrer ou chorar por isso.
Eu quero flores, não por elas em si, mas pela atitude de quem as der.
Por lembrar que amar também é doar.
E por lembrar de mim.
Por se importar.
Eu espero um dia ganhar flores.
Estamos tão próximos de nosso próprio ponto de vista que não vemos nossos preconceitos e limitações.
Margarida.
O ponto de mutação
Um canto de pássaro
Aquele traço profundo
Meus passos cada vez mais lentos
Quatro ventos
Quatro pontos
Quatro estações
Não sei em qual delas eu desço
desde o começo eu desconfiava
Que essa estrada
Não leva a lugar nenhum
Pressinto o quinto dos infernos
Resumindo tudo isso
Eu meço a distância
e concluo
a relevância do nada
E é nisso
Que tudo consiste
Sigo mudo e cego
Ouvidos ouvindo absurdos
A cada dia mais corretos
E cada vez menos lerdos
Á minha esquerda
Jaz a margarida
Quase apagada
Semi-desenhada na parede
Milhões de Céus
Bilhões de mundos
Eu no chão
É quando chego ao ponto
Porém este
de interrogação
Edson Ricardo Paiva
A escuridão só pode existir
até determinado ponto
à partir do qual ela já nem cresce
A escuridão simplesmente
não mais escurece
Assim também pode ocorrer
Com a claridade
Com a sua idade
e até mesmo com a vaidade
Existem limites latentes
embutidos ou inerentes
Existem limites para a nossa paciência
A nossa ciência também
é por demais limitada
Existe sim, um fim para o nada
Assim como os há para quase tudo
Mas não existem limites
Para o amor e o conhecimento
Apesar de nós mesmos
Através do uso
de todas as nossas limitações
Impormo-nos limites
a todo momento
Porém para todo momento
Também existe um fim.
Antes que os pássaros acordem.
Quando a luz desponta
Nalgum ponto da circunferência
Sob a tutela e regência divinas
Assim termina a escuridão da noite
Mas tudo tem seu tempo, sua hora marcada
Tudo tem lugar, para estar ou não
Somos nós, que quase nunca estamos lá
Irriquietos, imperfeitos
Buscando sempre um jeito
De manter as coisas assim
Nessa quase que total desordem
Da qual possamos sempre fazer nada
Além de queixar-nos pra nós mesmos
Antes que os pássaros acordem
E nos mostrem em que ponto da estrada
Eles estão...e eles estão onde preferem estar
Quando o ultimo raio de luz se recolher
Em algum lugar entre a noite e o anoitecer
Sob a gerência dos teus próprios
Pensamentos e vontades
Numa quase que total desordem
Da qual fizeste quase tudo
Matando o que nunca deveria morrer
Preste tua reverência
Ao teu espírito irriquieto
Cuja permanência, sob o mesmo teto que você
Chega a parecer sufocante
Pois em algum instante, nessa mesma noite
Ele ainda vai tentar sentir
Que está nessa manhã tão linda
Antes que os pássaros acordem
E mostrem-lhe que não.
Edson Ricardo Paiva.
