Poetas Portugueses
Por isso na orla morena da praia calada e só,
Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;
Sonho sem quase já ser, perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.
Que mal fariam a Deus os nossos inocentes desejos?...Por que não merecemos nós o que tanta gente tem?
Apenas vi do dia a luz brilhante
Apenas vi do dia a luz brilhante
Lá de Túbal no empório celebrado,
Em sanguíneo carácter foi marcado
Pelos Destinos meu primeiro instante.
Aos dois lustros a morte devorante
Me roubou, terna mãe, teu doce agrado;
Segui Marte depois, e enfim meu fado,
Dos irmãos e do pai me pôs distante.
Vagando a curva terra, o mar profundo,
Longe da Pátria, longe da ventura,
Minhas faces com lágrimas inundo.
E enquanto insana multidão procura
Essas quimeras, esses bens do mundo,
Suspiro pela paz da sepultura.
O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta...
Ninguém compreende o outro. Somos, como disse o poeta, ilhas no mar da vida; corre entre nós o mar que nos define e separa. Por mais que uma alma se esforce por saber o que é outra alma, não saberá senão o que lhe diga uma palavra – sombra disforme no chão do seu entendimento.
Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda chuva contra um raio. Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e atos. Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia.
Viagens na minha Terra
O marquês do F¹.
(F¹ - D. Domingos Antônio de Sousa Coutinho.)
Tinha a bossa, a paixão, a mania, a fúria de choutar aquele notável fidalgo - o último fidalgo, homem de letras que deu esta terra. Mas adorava o chouto o nobre do marquês. Conheci-o em Paris nos últimos tempos da sua vida, já octogenário ou perto disso.
Viagens na minha Terra
O marquês do F¹.
(F¹ - D. Domingos Antônio de Sousa Coutinho.)
Foi um dos homens mais extraordinários e português mais notável que tenho conhecido, aquele fidalgo. Era feio como o pecado, elegante como um bugio, e as mulheres adoravam-no.
Viagens na minha Terra
Eu amo a charneca.
E não sou Romanesco. Romântico, Deus me livre de o ser - ao menos o que na algaravia de hoje se entende por essa palavra.
Viagens na minha Terra
Sentia-me disposto a fazer versos, a quê? Não sei.
Felizmente que não estava só, e escapei de mais essa caturrice.
Mas foi como se os fizesse, os versos; como se os estivesse fazendo, porque me deixei cair num verdadeiro estado poético de distração, de mudez; cessou-me a vida toda de relação e não me sentia existir senão por dentro.
Viagens na minha Terra.
Há livros, e conheço muitos, que não deviam ter títulos, nem o título e nada neles.
E há títulos também que não deviam ter livro, porque nenhum livro é possível escrever que os desempenhe como eles merecem.
Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou.
Sou pelo combate, sempre e em toda parte, dos três assassinos: a ignorância, o fanatismo e a tirania.
Não imagine que vá vender passarinhos, lagoas e matinhos; pra satisfazer seus cofres como outrora tens feito. O pó da terra que cerra meus punhos têm o maior valor do mundo.
Nunca fui fã de cantadas, mas, já ouvi muita canção te imaginando os serias, deve ser tão bom se ti à hoje, há o posso tocar.
Toda verdade fonética desemboca em linguísticas de incompreensões pra não retalhar seus sentindos em convenções.
