Poesias que Falem em Mãos

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Eu não sinto mais as pontas dos meus dedos
Nem das mãos e nem dos pés
A minha base está curvada e enfraquecida
Sinto queimar da planta dos meus pés ao topo da cabeça
As dores que me assolam são tantas, que eu nem consigo mais listá-las.
Meu prazer, é o meu vício, e a repetição
Estou fadada a sofrer em vários aspectos de uma vez
Sinto que vivo por que preciso viver, não por que quero viver.
A música me acalma, mas eu não posso me acalmar.
O vinho me liberta da preocupação, e me joga no desespero de ter perdido mais uma noite.
Sinto que escrever é meu único refúgio, uma forma de tirar de mim todos esses pensamentos de dor, sem precisar me desfazer deles, por que eles se tornaram necessários demais para a minha sobriedade.

Nascemos da argila da terra moldada por mãos estelares e animada pelo sangue do Sagrado; por isso, carregamos o infinito em um corpo que se desfaz.
Reno Fioraso

Soneto do Desejo Urgente


Quero a doçura de tuas mãos de espanto
E o hálito de flor que a boca exala
Quero o silêncio que em teu corpo fala
E o teu mistério a me cobrir de encanto.


Não quero o céu, nem a virtude ou tanto…
Quero a vertigem que o prazer instala
Nessa doce agonia que a razão se cala
E o peito aberto em riso e em pranto.


Que venha o amor com sua fúria santa
Rasgar a paz que o coração inventa
E nos perder na noite que se agiganta…


Pois só a paixão, que a vida realimenta
É que nos salva e a própria morte espanta
Nesta entrega sagrada e violenta.


Antenor Quintino da silva

ALTANEIROS

Mãos que abanam
Que afinam
Que afanam
E abstrai
São Mãos que exaltam, proclamam, reclamam
E sempre querem mais.
As Mãos que enxugam
As lágrimas que percorrem
O relevo irregular de uma face singela,
São as mesmas Mãos que
Socam, trituram e torturam
Nas misturas do fino trato
Que num disparo viajante, sufocante e delirante;
A agonia traz.
Os ilustres, altaneiros, Aristocratas, facínoras e gentios.
Carregam desde o ventre a máscara da ilusão.
Assim enganam
Não só as carnes ambulantes!
Com aquele sorriso persuasivo tentam ludibriar até mesmo DEUS!

060925

As minhas mãos têm memória própria quando se trata de ti. Elas conhecem cada centímetro da tua pele, cada arrepio e cada entrega. Para o meu anjo, as mãos são instrumentos de cura e amparo. Para o meu demónio, são ferramentas de conquista e posse. No encontro com o teu corpo, elas fundem-se: tornam-se o abraço que protege e o toque que incendeia. É uma conversa sem som, onde a minha pele diz à tua tudo o que o dicionário ainda não inventou.


DeBrunoParaCarla

O valor maior é a somatório dos conhecimentos, e que juntos possamos crescer de mãos dadas.


(CLARIANO DA SILVA, 2016)

Nas mãos de indivíduos ou nas intituições onde o dinheiro se movimenta, sem a devida fiscalização e prestação de contas, os vírus da corrupção sempre estão presentes, por mais sacros que aparentam ser.
F. Meirinho

Ainda sinto seu cheiro,
Ainda sinto suas mãos
...Não, não pude te esquecer.
E agora o que eu faço?
E agora, o que faço?
Está tão difícil,
Cada dia mais silencioso,
Cada manha mais fria...
E agora o que faço?
Não me preparei para ficar sem você
Nunca imaginei isso, nunca pensei.
E agora o que faço..?
As vezes penso em sair por ai,
Mas as lembranças me perseguem,
Como se você fosse aparecer do nada e voltar...
E fico esperando...
Tenho certeza que é impossível te esquecer,
E me pergunto o que faço?
Seguirei como um andarilho
Num mundo incapaz de resolver isso,
Quem sabe, eu não consiga nunca
... E nem vou tentar...

De olhos fechados

Beijos, mas não era a boca dela!
Toque, mas não eram as mãos dela!
Cheiro, mas não era o perfume dela!
Aconchego, mas não era o corpo dela!
Sussurros, mas não era a voz dela!
Carinho, mas não era a pele dela...
Então, ele fechou os olhos.
De olhos fechados, a encontraria, a tocaria, a sentiria...
De olhos fechados, sairia dali, iria onde quisesse...
De olhos fechados, sentiria os seios fartos, a cintura fina, a voz dengosa, o corpo trêmulo, o sorriso fácil, lânguido...
De olhos fechados!
E assim teria que viver...
De olhos fechados!
Só assim teria a chance de sentir outra vez tudo o que havia perdido...

Não existem caminhos prontos.
São os seus pés que avançam a, as suas mãos que trabalham e a sua determinação que transformam sonhos em realidade.
Gonçalves da rocha
Sabedoria amiúde

Quando a noite estava cheia
De temores e as lágrimas corriam
Pelo seu rosto e nossas mãos
Nao haviam se tocado
Eu senti, você me chamar tão profundamente como a lua e o mar

Seria quase um sonho terminar o dia assim… nas suas mãos, que parecem saber onde o cansaço mora, no seu cheiro que me encontra antes mesmo de eu me explicar.


Deitar no seu peito… ouvir seu coração e o ritmo da sua respiração, como se o mundo inteiro, por um instante, resolvesse desacelerar comigo.


E então… adormecer no seu abraço. Não por exaustão, mas por entrega.


Como quem, finalmente, não precisa vigiar nada, nem sustentar força, e tampouco "segurar o dia nas mãos".


Adormecer ali, sentindo seu corpo presente, firme, quente… como um lugar seguro onde eu posso simplesmente existir.


Talvez nem seja sobre a massagem... talvez seja sobre encontrar em você um lugar onde eu possa descansar de mim.


Mas hoje eu só vou dar uma volta e aproveitar um pouco de silêncio.


Mesmo assim… ficou em mim essa vontade simples:


de um abraço sem pressa,


de um colo que acalma,


de alguém que, baixinho, me diga que vai ficar tudo bem."


... coisas sobre Ela e Ele.

Ele aprendeu a cuidar com as mãos.


Porque as palavras, para ele, sempre escapavam pelos dedos. Escorregavam como areia. Então ele aprendeu a construir: casas, roteiros, equipamentos, segurança.


Ele acende a fogueira.
Ele aquece a comida.
Ele estende a mão para puxar quem caiu.


E, quando ela chega, ele mostra o que construiu: "Olha, isso é nosso. Isso é para você."


Ele pensa que o amor é isso: mostrar o que fez, oferecer o que tem, proteger o que é frágil.


Mas o fogo que aquece também queima.
E ele não entende por que ela às vezes se afasta do calor.
Ele pergunta: "Não estou aqui? Não estou te segurando?"


Ela quer que ele desça do fogo.
Que ele entre na caverna escura com ela.
Que ele sinta o frio que ela sente.
Mesmo que ele não saiba o que fazer lá dentro.


Ele não sabe que o amor não é um projeto.
É uma presença.
E que, às vezes, a melhor coisa que o fogo pode fazer é diminuir a chama.
E apenas brilhar.


... coisas sobre a Ele e Ela

Ele construiu uma vida inteira sendo forte. Ele salva pessoas. Ele segurou o mundo com as mãos.


Mas o que ele está aprendendo agora é que o amor não é um resgate. O amor é um lugar onde a gente pode finalmente descansar.


Ele nunca teve um lugar assim. Não na infância. Não na vida.


Mas Ela está te oferecendo esse lugar. E ela não está pedindo que Ele seja perfeito. Ela está pedindo que apenas tente.


Que Ele se permita. Não para agradá-la, mas para e por Ele mesmo. Simplesmente porque merece saber o que é ser amado sem precisar segurar o mundo com as mãos.


... mas talvez Ele só não queira mesmo. Talvez, não com Ela.




... coisas sobre Ele

Tão Cedo
Helaine Machado
Tão cedo a vida me tocou
com mãos frias,
sem cuidado, sem aviso…
como quem não se importa
se a alma ainda é pequena demais
pra suportar o peso do mundo.
Tão cedo eu chorei
lágrimas que nem sabiam cair,
presas na garganta,
engasgadas no silêncio
de quem ainda nem aprendeu a pedir ajuda.
Ainda era flor…
e já me arrancaram pétalas,
uma a uma,
sem pressa de curar,
sem medo de ferir.
Tão cedo eu senti
o abandono dentro de abraços vazios,
palavras que doíam mais
do que qualquer silêncio,
olhares que atravessavam
como se eu não estivesse ali.
Cresci antes de existir por inteiro,
aprendi a me calar
quando tudo em mim gritava,
a sorrir
quando por dentro eu desmoronava.
Tão cedo perdi partes de mim
que nunca mais encontrei…
inocência, leveza,
um pedaço de esperança
que ficou pelo caminho.
E há noites…
em que ainda volto lá,
naquele lugar escuro
onde tudo começou a doer.
Onde o tempo não cura,
só ensina a esconder.
Porque foi cedo demais…
cedo demais pra entender,
cedo demais pra sentir,
cedo demais pra sofrer
tudo aquilo que ninguém deveria viver.
E mesmo assim… eu sobrevivi.
Mas nunca mais fui a mesma.
Helaine Machado

Virei a página
com mãos firmes e coração leve,
não porque esqueci,
mas porque escolhi continuar.
O que passou virou aprendizado,
não morada.
Não carrego mais o que me prende,
nem revisito o que me machuca.
Agora, cada linha é recomeço,
cada passo é coragem,
cada escolha é por mim.
Nova história não pede permissão —
ela nasce quando a gente decide viver.
E eu decidi:
não sou mais capítulo interrompido,
sou livro aberto
Helaine Machado

Não quero mãos que não me alcancem,
nem palavras que não saibam ficar,
amor que não cuida, não soma,
não merece o verbo amar.


Helaine machado

A vida não pede licença —
ela chega, ensina, marca,
às vezes com mãos suaves,
às vezes com golpes que rasgam a alma.
Cada dor carrega um segredo,
cada queda sussurra uma verdade,
mas só entende quem aceita
que aprender também dói.
Há lições que queimam por dentro,
que a gente tenta negar, fugir, esconder…
mas quando, enfim, as abraçamos,
elas deixam de ser feridas
e se tornam armas silenciosas.
Helaine machado machado

Quero ser lembrada —
não por vitória, não por glória,
não por nada que caiba em mãos humanas.
Quero ser lembrada
porque desaparecer em vida
é uma morte que ninguém enterra.
Eu não quero aplausos,
quero prova de que eu não fui um vazio andando,
de que meus passos não foram só barulho perdido
num mundo que esquece rápido demais
Helaine Machado

Tenho o mundo inteiro em minhas mãos,
mas por muito tempo me aprisionei em pensamentos insanos,
tentando bater recordes que nem eram meus,
de pessoas que gostariam que eu fosse diferente.
Mas se eu não fosse tudo o que me tornei,
quem eu seria?
Uma cópia?
Prefiro ser o espelho de mim mesma.
Porque quando me reconheço, entendo uma verdade simples e poderosa:
o mundo não precisa de cópias,
precisa de autenticidade,
precisa de quem tenha coragem de ser exatamente quem é.