Poesias que Falam de Amor do Seculo Xix
EXÍLIO
Cobriu-me de tristura o ocaso pardo
Um aperto n’alma fino e sem trelas
A saudade com sensações donzelas
E o silêncio que pesava como fardo
E, cá neste soneto um penar guardo
A tatear as imaginações tão singelas
Arrancando emoções sem ser belas
Pra ferir a poética com duro dardo
E, vai, assim, em um versejar forte
Rogando em vão a esmola da sorte
Tragando a ilusão das covas rasas
Bardo triste afetivo em tuas prosas
Sou choro, sou riso, sou mais rosas
Amargo trovador com exiladas asas...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
02 dezembro, 2021, 05’40” – Araguari, MG
ENTÃO SOMENTE
Encontraste-me, e eu um verso triste
Um escrito solitário e amargo estava
Pela minha emoção a aflição passava
Com tristura que na teimosia insiste
Riste, meu semblante dor sussurrava
Como quem só no desengano existe
Sem gozo, e no próprio pesar fruíste
Aonde a minha alma se via escrava
Amei-te mais, quando tu não hesitou
Quando do amor era, então somente
Amor em minha carência, me amou...
Quando me deste presença, veemente
Quando junto a mim agruras suportou
misericordiosissimamente.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
04/12/2021, 17’36” – Araguari, MG
paráfrase Guimaraens Passos
DIÁLOGO
Saudade torturante, é assim que te suponho
Com a sofrência a pisar na emoção sofrida
Nas dores letais dum sentimento de partida
Deixando estar o coração árduo e medonho
Quando tu vens apertando o sentido da vida
Imploro, sussurro, e na tua suplica deponho
Meu silêncio, meu choro, o apagado sonho
Hão de te tocar, sem me espancar, dor doída
Que seja sempre mais, e não apenas externo
O afeto mais profundo a tudo quanto existe
Sem o peso do vazio e do desejo subalterno
Vejo-te sempre passageira, fugaz para o triste
E, como uma emenda no desencontro traidor
Confessor, nesta tão inquieta tortura de amor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 dezembro, 2021, 14’44” – Araguari, MG
HORA CREPUSCULAR
Passei a saudade pela hora crepuscular
De um inverno esfumaçado e tão parco
Pela esquina a melancolia vi murmurar
Onde transita infelizes do penar charco
Pedaços de mim, reparei, então, espalhar
Tentei recolher, rejuntar, mas era anorco
O sentimento. E no peito ardia sem sanar
Dos deslizes do coração cheios de marco
Lembranças sussurravam quanto passava
Questionando porque bramindo eu estava
Qual ausência me feriu, doeu tanto assim
E o pôr do sol que escorria pelo cerrado
Fazendo de meu sentir infeliz e calado
Se apartou, sem um ilusório para mim...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
08 dezembro, 2021, 20’51” – Araguari, MG
MAIS UM CANTO
Deixa soneto que eu cante mais um canto
encante, tolo ou triste, que poética exista
e que possa cadenciar o cuidado otimista
de sonhos, sorrisos, tão completo de tanto
Não mais que, a característica do carinho
a desejar afinidade encapado de verdade
prosa de esperança, uma parte de saudade
de quem quer ser metade, ser um aninho
Deixa, afinal, soneto que este meu canto
seja um recanto de ternura e de acalanto
prum coração árduo, mas cheio de apego
Que transforme a sensação em sentimento
muito mais que um verso, um sacramento
de amor, de afeição, num doce aconchego!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
11 dezembro, 2021, 12’04” – Araguari, MG
S A U D A D E
Roça o peito as silabas rasgando
O teu nome no sulcado a nomear
No pesar e na emoção suspirando
Clamando-te em aperto a chorar
No cerrado, o entardecer, quando
O sol esvaece o dia num desmaiar
Vem o estertor na solidão orando
Tu és lembrança sempre a bradar
Dos teus carinhos o toque, ainda
Macio e meigo, eu sinto presente
Me zanga e tão quão me fascina
Tudo de ti me é saudade infinda
Saudade que dá saudade na gente
Amor daqueles que não termina!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
25/12/2021, 05’05” – Araguari, MG
BEM ACEITO
Suspira a alma, satisfeita, embriagada
Que brada, que celebra e engrandece
Alegrias assim singulares, as merece
Ornando a emoção de cor enamorada
Ó agrado afeiçoado, ó ventura ritmada
Pulsa o sentimento tal uma doce prece
E então, sensação, que o peito aquece
Causando está melodia tão encantada
Como é sonoro o versar, ao amor feito
É Deus, que tudo vê, assim, abençoa
A devoção, a cumplicidade, o respeito
Sim, o amor, que no bem tem sua sina
Quando no olhar há simpatia... perfeito
Pois, tudo sublima, onde a paixão ecoa
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
03 de maio, 2023, 05’59” – Araguari, MG
POÉTICA QUE ATRELA
Ó verso, que se enfada, ó verso, que brada
D’Alma cansada. Tão inquieto, e pobrezinho
Nunca foste amado, na tua estrofe, sozinho
E vives buscando aquela prosa encantada
Tua poesia anda vazia, deserta sua estrada
Tão frígida cada rima, sem calor do carinho
Ferido. No teu íntimo aquele certeiro espinho
E, a inspiração com o silêncio da madrugada
E, amanhã, quando a luz do sol fulgir, radiosa
Ó poesia sem sorte, importuna, com saudade
Traga em seus versos uma ventura formosa
E então, já não será ignoto, e numa viradela
A solidão será oculta na buscada intimidade
E, dum canto isolado, terá poética que atrela
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
03 de maio, 2023, 19’23” – Araguari, MG
TODA DOR DO SONETO
Toda dor do soneto, por mais que doa
Na própria ilusão encontra o refrigério
As lágrimas doídas de um despautério
Veda-as no desabafo duma poesia boa
O que conforta, a sensação que povoa
Que faz sonhar, um refundir, o critério
Que nos repara, nos valida, o cautério
Da gana n’alma. O amor tudo perdoa!
Quando a poesia compõe o outro lado
E, depois de descarregar a amargura
Do verso que sentiu... tudo é passado!
Noutra parte há de, acalanto, a ventura
Conjurando aquele instante apaixonado
E o poema segue num adeus à tristura!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
06 de maio, 2023, 12’59” – Araguari, MG
MAL DE DOR
Toda poesia de agonia, por mais que doa
Na prosa de espera encontra recompensa
Toda aquela situação que causa sentença
Muda-a poeticamente em composição boa
A rima que fere, a inspiração que agrilhoa
Emoções não são que o tempo não vença
Apreço transforma em luz a penúria densa
Em um verso com sentimento nada magoa
Ai do poeta que sente, sem ter proposta
Escrevendo o mal de dor e de amargura
Negando o sim, e poetizando que gosta
Noutra parte, em vão, busca a ternura
Em um coração partido, sem resposta
Pois, somente com amor a dor se cura!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23 maio de 2023, 14’16” – Araguari, MG
DEPOIS
Quando a saudade, aperta o sentimento
De um sofrente sentido, ainda que sente
Latente. Uma lamentação vai com a gente
Vai ficando aquele frenético pensamento
Isolado e sombrio, silencioso e sedento
Vai-se marchando tão compulsivamente
Eis que chega aquele pranto, de repente
Sufocando sedes, matando encantamento
Então, no percurso se enxerga claramente
Como a emoção é falaz, e o tempo fugaz
Assim, vemos, que acontece exatamente
Como já estava previsto, o desígnio faz
- e a decepção vai conosco ali presente
E, ilusões e os amores vão ficando atrás...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24 maio de 2023, 13’48” – Araguari, MG
TONS
Minha poesia tem poéticas intensas
Suspiros, sussurros, claras cascatas
De emoções, e versos em serenatas
Canta o amor, com melodias densas
Assim, efetuadas com doces sonatas
Ritmando ardores e ilusões imensas
Trova, inspirando emotivas nascenças
Dando ao tempo, infinito, e não datas
São tais como os sentimentos imortais
Cheios de paixões, sofrimentos e mais
...mais que os desencontros tristonhos
Tem olhares, tem gestos, aquele sentido
Brandindo o verso e ao versar colorindo
Com os tons dos meus próprios sonhos!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30 maio de 2023, 18’10” – Araguari, MG
FIEL
Frenético, o verso cheio de agonia
Sobre a mágoa na escrita reclinada
Emoção e carência no peito velada
Poetadas em uma poética sombria
É sofrência versada, sensação fria
Duma saudade na prosa colocada
Sussurra o poema, na dor cevada
Impregnados na alma e na poesia
Era mais bela, outrora, só amando
Versos alegres e a poesia sorrindo
Formas plenas, agora, até quando?
Não te rias de mim, ó poema cruel
Afeto ao coração que vais pisando
Pois, insistindo, ao amor, serei fiel!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02 junho, 2023, 20’00” – Araguari, MG
DELITO
Literato poema, vós, estais, sabedor
De uma dor cometida pela saudade
Sagaz, traidora, ao infortunado autor
Que cá dá vida a tristura que invade
O verso, ferido mortalmente de amor
Por uma paixão, afiada, sem piedade
Que inflama até hoje com largo ardor
Causando um poetificar pela metade
Ó tempo, que é o apurado mediador
Da quietude, e, portanto, o defensor
Neste processo dum sentir constrito
Em nome da miseração, pede, urgente
Mandeis a censura ao verso insistente
E, então, privar a poética de tal delito...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 junho, 2023, 15’57” – Araguari, MG
ESTADO DE GRAÇA
A alegria, poesia, que hoje poetamos
Só pode ser com sensações descrita
Cheias de versos com poética bonita
E sentimental prosa, assim, estamos
Tão impregnados de afeto, possamos
E o coração, tomado de paixão, palpita
Que tudo fantasia, e sonha, e acredita
Assim, inundado de fascínio, sigamos
Todos estes versos de doce encanto
Que vemos na rima e em tudo vemos
Desabrocha do amor que nos é tanto
Que neste sentimento amável unamos
Mais... que cá nos versos escrevemos
Cada vez mais, ter inteireza, possamos!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06 junho, 2023, 20’03” – Araguari, MG
TEU VERSO
Esse meu verso, que escrevo e oferto
Outrora vivido, agora muito saudoso
Que roubei-o da memória, ardentoso
Poético crime e, na inspiração liberto
Busco, contudo, um sentimento certo
Possa nisto servi-me de maravilhoso
Instante, não aquele receio malicioso
Se, recordar, for dum agrado coberto
Porém, dizer-te, eu te amo! Quisera
Fosse apenas na sua forma sincera
O que foi, naquele momento imerso
Em cada trova a deferência rimando
Possa, pando de paz, assim, doando
O meu verso pra que seja teu verso!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
11 junho, 2023, 14’32” – Araguari, MG
ABRAÇO
Quero que me abrace! Um abraço com acolhida!
Com paixão, vida, divina sensação, afeto e ardor
Tal a poesia que se escreve de forma incontida
Um carinho, prelúdio e também epilogo do amor
O abraço palpita no peito, uma emoção refletida
Cobrindo o propósito com sedução e esplendor
No enlaço o sentido alenta a emoção esquecida
Atordoando a alma com vigor e perfumado sabor
Deixe que o meu abraço te abrace em festejos
Cortejos, enlace de dois corações até os saciar
Pulsando poéticos e sentimentais doces latejos
Ensejos, afogueada junção, ó deixe-me abraçar
Beijar, neste abraço poder ter os amáveis beijos
Pois, no abraço é que se tem o desejo de amar...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
13 junho, 2023, 20'49" – Araguari, MG
SAUDADE QUE CONFESSO
Depois que te perdi, só depois, da tua partida
Senti no peito, um vazio, que cá eu confesso
Um calafrio na alma, aquela pior dor sentida
E, se há igual, parecida, afirmo, não conheço
Suspiros sofrentes e aquele choro espesso
As noites tão compridas na ilusão perdida
Ladeando a emoção, cujo o certo endereço
É o coração, que arde numa aflição sofrida
Depois que foste, só depois, singular paixão
Me vi significado em uma constante tortura
De sussurros duma surtada dorida contrição
De não retribuir, a ti, o carinho que me dava
Com exatidão, repondo com minha ternura...
Ah! Saudade, está sensação, não imaginava!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07 janeiro, 2023, 19’56” – Araguari, MG
PROCURANDO
Eu procurei, no íntimo, aquela poesia
Devotada para ti, sôfrego, procurava
Queria encontrar cada sabor, tentava
Nos achar em um verso cheio de valia
Corri fantasias, sonhos, perguntando
A toda a inspiração que me inspirava
Indagava, onde foi parar, investigava
E, assim, aos poemas fui mendigando
E nada deparei, e nem me respondeu
Quase chorando, caminhando no breu
Da saudade, senti minha alma perdida
Então, nesta sensação que eu bem sei
O sentimento disperso não encontrei
Mas, uma nova poética achei na vida!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16 janeiro, 2023, 19’51” – Araguari, MG
DETALHES
Como é cruel a solidão na sensação atada
Como é penoso o silêncio arfando no peito
Com a poética em uma melodia desafinada
Torturando a ilusão perdida e sem proveito
Ter o vazio de uma flor, um gesto indeciso
Um olhar triste, no coração fúnebre círios
Que aquecem a dor e queimam o sorriso
Sem nada, absorto em sofrentes martírios
E eu, cá, no cerrado, de infeliz memória
Sem estória, numa redundante oratória
Suspiros, sussurros, nos mesmos ideais:
Buscando por um alívio dum solitário ser
Querendo o alguém sem ter que perder...
Pois, amar é sempre um sentido a mais!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
26 janeiro, 2023, 20’09” – Araguari, MG
