Poesias que Falam de Amor do Seculo Xix

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Ela estava pronta para negar a existência do espaço e do tempo, em vez de admitir que o amor pode não ser eterno.

Simone de Beauvoir
BEAUVOIR, S. Os Mandarins, Ediouro - Sinergia, 2006

ele nunca soube se eu voltaria: chegava sempre alvoroçada, com pressa pra consumar o amor. quando me demorava no abraço, ele fazia eternidades daquele instante. envolvia-me com zelo temendo qualquer movimento que o afastasse, qualquer menção de buscar a roupa espalhada. ele o fazia cheio de delicadeza, não havia como me prender por mais que algumas horas. buscava um brilho do meu olhar em sua direção, uma entrelinha num sorriso breve, uma malícia qualquer na piscada de olho antes da ida para o banho. esperava meu convite, mas eu o tinha com tanta abundância que achava que não o queria. era como se nunca fosse se ausentar porque se doava inteiro e sem pressa. um dia ele chegou antes da hora do meu desejo cru. e ficou contemplando a minha ausência. não me abraçou como sempre, esperou que eu me aproximasse. disponível que estava, mas seguro da sua parte feita, esperou que eu me assustasse, que entendesse que eu poderia não voltar se eu não quisesse, que ele saberia conjugar a minha ida no pra sempre. com alguma dor, naturalmente. mas estava sereno, quase se despedindo, conformado. e eu me sobressaltei. porque nunca tinha imaginado que ele pudesse ir embora. nunca tinha imaginado a ausência do toque dele, a falta do beijo, a serenidade que cabia no desejo. eu esperava alguma coisa mais aflita, uma paixão que gritasse pra eu ficar, um desespero, os argumentos. mas não, ele me contemplou sem falas, sem pedidos, deixou que todo aquele tempo fosse preenchido por grossas gotas de silêncio e calma. naquela hora, naquele meu sorriso sem jeito, naquele olhar cheio de frases, um brilho, um brilho tão forte abraçou todo ele com as minhas retinas. e eu o vi como nunca tinha visto antes. eu o quis como se nunca o tivesse tido entre as minhas pernas. e abandonei o meu corpo no abraço dele, eternizada... ele que sempre esteve ali e era como se tivesse chegado só naquele instante.

O que me interessa no amor, não é apenas o que ele me dá, mas principalmente, o que ele tira de mim: a carência, a ilusão de autossuficiência, a solidão maciça, a boemia exacerbada para suprir vazios. Ele me tira essa disponibilidade eterna para qualquer um, para qualquer coisa, a qualquer hora. O amor tira de mim a armadura, pois não consigo controlar a vulnerabilidade que vem com ele. E é por isso que o amor me assombra tanto quanto delicia. Porque eu não posso fingir que quero estar sozinha quando o meu ser transborda companhia.

O amor é a mais universal, a mais tremenda e a mais mística das forças cósmicas. O amor é a energia psíquica primordial e universal. O amor é uma sagrada reserva de energia; é como o sangue de evolução espiritual.

O amor não busca outro motivo e nenhum fruto fora de si; ele é seu próprio fruto, seu próprio deleite. Amo porque amo; amo para poder amar.

⁠PARTIU

Foi-se, e a ilusão jogada ao vento
o haver, estar, as românticas luas
quer dizer-te, a todo o momento
que, no falto, tem saudades tuas

E que, no cerrado, o lamento
O sofrer, esquecido, pelas ruas
Chora, e aflige o sentimento
Lacerado, em emoções cruas

Tal o céu cinzento de inverno
O meu amor não mais terno
Branda nesta dor que se tem

Sem ventura, no sentir figura
Pesar, pois, partiu a candura
Contigo e, de mim também!

CONSOLAÇÃO

Penso às vezes na saudade, nos tempos idos
Que inflamei na juventude, vida e inocência
Penso nas quimeras deixadas na reticência
Levadas pelo vento, nos destinos repartidos

Penso nos poemas nos vazios adormecidos
Deixados ao léu. Sem qualquer referência
Amargurados no peito e cheio de carência
Penso nos prazeres nos perdidos contidos

Talvez na dor pudesse ter sido diferente
E de repente com flores fizesse diferença
E a minha presença, importante vertente

Porém... nada é como o que se pensa
O destino é traçado na tenra semente
Viver é amor, e amar é de vital crença!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 de março de 2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Carta de um poeta ao Papai Noel

Papai Noel
como criança neste cordel
te peço!
um presente no sapatinho
com apreço
um pouquinho de tudo que é generoso
dos povos: o amor, o ato misericordioso
sabedoria, onde possamos dar graças
afeição, fé, saudando todas as raças
muita paz, oração, muita alegria
nos livrando de todo o mal
embalados pelo coro celestial
de Boas Festas e, um Feliz Natal!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Cerrado goiano, dezembro

⁠ÚLTIMA PÁGINA

Chegando à última página da estória
nossa, o que era uma curiosa quimera
agora tão sofrida, e tão vazia de glória
sinto o aroma de quem nada espera

Sensação que chora, que desespera
quanta ilusão perdida, agora memória
sombreada de uma apagada oratória
tal as flores desbotadas da primavera

Pois me perdi no ter-te como deveria
na companhia, lembrança e encanto
o amor é uma necessária doce poesia

Eis o meu maior pesar, tanto... tanto!
não ter querido mais! Como eu queria...
Nesta última página larguei meu pranto!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Araguari, MG - 30/07/2021, 20’06”

Mas, lembranças do quê? Embora a sensação seja intensa, a recordação não é nítida. É como se lembrassem algo que jamais existiu.

Inserida por brunacacio

⁠HOJE ELA ACORDOU DECIDIDA

Hoje acordou decidida. Não vai mais correr atrás de quem só vem te desgastando. De uma vez por todas vai dar um fim em um sentimento que ela mesma criou dentro dela. Entendeu que não dá pra alimentar um amor com migalhas, insistindo em quem não sabe o que quer e vive jogando em cima dela pesos e culpas desnecessárias.
Despertou pra vida e entregou nas mãos de Deus. Ela sabe o quanto vai ser melhor se desligar de tudo isso que só tem feito ela sofrer. Ela sabe que não vai ser fácil, mas não tem sido bom chorar todos os dias de noite, implorando por respostas de Deus, quando na verdade tudo isso é só consequência de coisas que ela escolheu pra si mesma.
Ela percebeu que apostar em quem não muda e não faz por merecer o que ela tem de melhor, não tem sido suficiente.
Ela precisa se preencher de amor próprio, tem que ouvir os conselhos das amigas quando dizem que ela merece mais. Ela precisa parar de remoer mensagens antigas, e de vasculhar cada passo que ele dá por aí.
Ela tem que parar de ser passatempo, de ser abrigo quando as outras derem o NÃO que ela nunca diz. Ela precisa se pertencer, sabe? Parar de se culpar por mergulhar de cabeças em amores tão rasos. Ela tem que acreditar que ela consegue alguém melhor por aí. Que gostar de quem não valoriza o nosso amor, é como dar tiro no pé e cabeçada na parede.
Ela tem que ser forte e parar de entregar seu coração nas mãos de quem não sabe como cuidar.
Ela tem que se amar em primeiro plano, pra depois permitir que o verdadeiro amor a encontre. Ela tem que parar de apressar os passos, e principalmente, parar de confundir amor com medo de ficar sozinha. Ela é tão incrível, tão dona dela mesma, mas acaba se colocando em situações onde fica claro que ela acha que é totalmente dependente do pouco que insistem em oferecer pra ela por aí. Sai fora, moça esse lugar onde você tem tentado se enfiar não te cabe!

Inserida por orama_seugirdor

Para os que desejam meu mal, que falam mal de mim, que tentam por vezes me derrubar, que na minha frente são uns amores mas nas costas apunhalam, a eles desejo AMOR. Que seja amor próprio, amor ao próximo ou que sejam amados de verdade, mas que seja amor. E também desejo que Deus entre em seus corações. Peço a esse mesmo Deus que continue me permitindo enxergar isso e saber quem está ao meu lado. Então senhor, novamente lhe peço em oração: Livrai-me do MAL, Amém.

Tem horas que não quero mais viver! Aí as pessoas falam “Calma, a dor que você sente vai passar”, mas elas não sabem que vai deixar cicatrizes e que jamais vou esquecer!

⁠Não dê importancia ao que as pessoas falam ou acham de você pelas suas costas, apenas siga seu caminho pautado no caráter e no amor.

Quando algo nos faz falta precisamos preencher esse vazio. Só que, quando o que nos faz falta é o amor, não há nada que verdadeiramente seja suficiente.

⁠Eu nunca quis tanto beijar alguém, mas quando você olhou para mim, algo mudou. Naquele momento, temi que nossos desejos nos destruíssem.

O que fazemos não define o que somos. O que nos define é o quão rápido nos levantamos depois de cair.

Você não ama a vida pela própria vida. Você ama lugares. animais, pessoas, memórias, comidas, literatura, música. E às vezes você conhece alguém que requer todo o amor que você tem para dar a ela. E se você perde este alguém, você acha que tudo vai parar também. Mas todo o resto continua. Giradoux disse, você pode perder um único ser mesmo estando cercado de inúmeros outros. E essas pessoas são como... extras. Ofuscam a sua visão, são como uma multidão. Uma distração indesejada. Então você procura por esquecimento na solidão, mas a solidão só lhe faz mais seca.

⁠Passei minha vida evitando complicações, especialmente do tipo romântico. Tendo conhecido você, entendo agora que eu não estava vivendo. É difícil ouvir “amo você”, mas preciso dizer as palavras. Elas estão na minha cabeça durante o dia todo, e se não posso dizê-las, vou escrevê-las repetidamente.

⁠Enquanto não puder tê-la, eu a imaginarei aqui. Seu cheiro, seu cabelo, o sorriso lento de lado quando digo algo que a diverte. Querida, nunca desejei tanto o amanhecer.